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6 set 2025–11 jan 2026
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Theo Eshetu – Ode à coragem

Ousamos imaginar uma forma de cérebro vegetal?
Não há criador. A própria criação basta por si só. Ela não precisa de nenhuma agência externa.

Fomos separados da natureza desde os primórdios da mitologia ocidental. O que perdemos foi a beleza do mundo, e tentamos compensar isso tentando conquistar o mundo ou possuí-lo. O ser humano está no planeta para apreciá-lo, e só.

Sabe, há uma história interessante na Bíblia chamada Gênesis, e nessa história, Deus cria um planeta, Deus cria a natureza e, mais ou menos como algo adicional, cria as pessoas e as coloca nesse meio. A parte infeliz dessa história, que vem sendo mantida em toda parte nos últimos dois mil anos, é que ela sugere que nós e a natureza estamos separados um do outro. Isso tem sido um grande problema, sabe por quê? Porque, na verdade, fomos criados pela natureza.

É algo maravilhoso de se compreender: pensar que o “isso” que fez as pulgas e as montanhas, os rios e as estrelas, também me fez. O que eu peço em oração é humildade, para saber que existe algo maior do que eu.

O que as pessoas chamam de “natural” na tradição ocidental é, na verdade, nossa projeção de conceitos sobre o mundo. O natural é nossa tendência de projetar nossas noções e conceitos sobre o mundo exterior, de ver o mundo exterior não como o dado imediato da experiência, mas como um rótulo incorporado, como a ilustração de uma generalização que já existe em nossas mentes. É isso que chamamos de mundo natural. O mundo sobrenatural, a meu ver, é de fato o mundo verdadeiramente natural, que é o mundo da experiência imediata, sem todos esses conceitos impostos sobre ele.

Eu caminho na floresta, e essa é a minha igreja. Então, não estou preso à obrigação de ir a um prédio específico para orar e falar com meu criador. Eu faço tudo isso aqui.

Transformamos a natureza no “outro”, criamos esse sistema dualista que não serve a ninguém. E, ao separá-la, removemos a conexão direta com a natureza.

O que importa é que, conforme o destino da natureza avança, também avança o destino da civilização humana.

Se você olhar a pele humana sob um microscópio eletrônico, não conseguiria dizer onde o ser humano começa e termina. Não há uma barreira clara entre a pessoa e o universo. Existe apenas um fluxo de um para o outro, e a única razão de percebermos essa separação é por causa das limitações dos nossos sentidos.

Não há motivo para parar nos humanos e nos animais e não continuar até outras formas de vida, incluindo as plantas. Na verdade, não creio que exista um pesquisador sério da consciência que exclua totalmente a ideia de que as plantas são conscientes.

O mundo da neurobiologia humana quer que você acredite que a consciência é algo completamente restrito ao cérebro. Mas sabemos que existem várias teorias da consciência, e o outro lado do debate diz: ‘Não, as plantas são conscientes, porque têm consciência de si, conseguem absorver múltiplas informações e tomar decisões com base nessas informações”. Ou seja, adaptar-se, aceitar, transformar ou mudar de acordo com o que está acontecendo.

O problema não é as plantas se comunicarem conosco. O problema é os seres humanos ouvirem as plantas. Porque, uma vez que começamos a reconhecer as plantas como pessoas, com personalidade, nosso mundo inteiro muda.

Subestimamos a relevância e a importância do modo como as plantas funcionam. Plantas não têm cérebro, não têm sistema nervoso, mas agora entendemos que pode haver uma inteligência fora do cérebro.

A cognição pode acontecer sem o cérebro, e isso é ciência. Então, quando somos confrontados com um fato, com evidências, com dados que mostram que algo não está certo na teoria, o que precisamos fazer é revisar a teoria.

Somos nós que devemos aprender a viver em harmonia com o jardim. Um jardim não é um campo de batalha. Mas veja o que fizemos: o transformamos em um campo de batalha. Um jardim é a mais alta forma de cooperação. É isto que a natureza está pedindo aos humanos neste momento: que comecem a aprender a viver em harmonia e cooperação.

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