Menu
entrada gratuita
6 set 2025–11 jan 2026
Newsletter
Newsletter

Museu Vassouras recebe obra do Instituto Sertão Negro apresentada na 36ª Bienal de São Paulo

Pela primeira vez, integrantes dos quilombos Kalunga e São José da Serra constroem juntos a obra Sertões; concomitantemente, o museu inaugura Vozes do Vale, com Luiz Zerbini, Minerva Cuevas e Rose Afefé

Publicado em 17 ago, 26

Acontece, em 26 de setembro, a abertura da instalação Sertões: diálogos da 36ª Bienal de São Paulo, no Museu Vassouras, em Vassouras (RJ), onde permanece até 4 de abril de 2027, com entrada gratuita. O projeto resulta de uma parceria direta entre o Museu, a Fundação Bienal de São Paulo, o Instituto Sertão Negro e o Instituto Inhotim, e marca a primeira vez que a obra é apresentada fora do Pavilhão Ciccillo Matarazzo.

A instalação propõe uma expansão do projeto que o Instituto Sertão Negro desenvolveu para a 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, com curadoria geral de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung. Concebida como uma dimensão coletiva do tradicional caderno de artista, a obra reúne produções de artistas, moradores, residentes e colaboradores do ateliê em diálogo com registros e objetos da comunidade quilombola Kalunga (GO), maior território quilombola em extensão do país. 

No Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o Sertão Negro se manifestou como espaço ativo: uma parede de taipa abrigou oficinas de botânica e práticas de cozinha, duas vitrines articulavam a história do projeto e seus processos em curso, e uma programação pública com ateliês abertos e cineclube se estendia ao Parque Ibirapuera. Em Vassouras, essa experiência ganha novos contornos.

Um de seus momentos centrais em Vassouras será a construção de uma parede de taipa de mão, técnica tradicional de bioconstrução em barro, realizada de forma colaborativa por integrantes do Quilombo Kalunga (GO) e do Quilombo São José da Serra, em Valença (RJ), aproximando saberes ancestrais de duas comunidades quilombolas de diferentes regiões do Brasil.

A instalação também reúne imagens produzidas nas décadas de 1980 e 1990 e áudios com depoimentos de lideranças e guardiões da memória Kalunga, entre eles Deuselina Maia, Sirilo dos Santos Rosa e Procópia dos Santos Rosa, articulando memória, território, ancestralidade e práticas coletivas. O vídeo Óta Layó, de Dalton Paula, comissionado pelo Instituto Inhotim, integra a mostra e poderá ser visto pela primeira vez fora da instituição.

“A parceria entre a Fundação Bienal de São Paulo e o Museu Vassouras, bem como com o Instituto Sertão Negro e o Instituto Inhotim, é um exemplo do que se atinge quando instituições com missões complementares se encontram em torno de um projeto comum. É assim que a arte contemporânea amplia seu alcance e encontra novos públicos”, afirma Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo.

Também no dia 26 de setembro, o Museu Vassouras inaugura Vozes do Vale, exposição construída a partir de pesquisa documental realizada com moradores da região, com obras de Luiz Zerbini, Minerva Cuevas e Rose Afefé.

“Receber simultaneamente Sertões: diálogos da 36ª Bienal de São Paulo e Vozes do Vale representa um momento muito importante para o Museu Vassouras. As duas exposições partem dos territórios e dos saberes construídos coletivamente. A instalação desenvolvida pelo Instituto Sertão Negro, em diálogo com lideranças e mestres da cultura do Quilombo Kalunga, ganha um novo significado ao reunir, em Vassouras, integrantes do Quilombo Kalunga e do Quilombo São José da Serra na construção conjunta da obra. É um marco na valorização dos conhecimentos e tecnologias tradicionais”, afirma Catarina Duncan, diretora artística do Museu Vassouras.

 

Serviço
Sertões: diálogos da 36ª Bienal de São Paulo e Vozes do Vale
26 set – 4 abr 2027
qui – dom, 10h – 18h
Rua Luís Pereira Werneck, 64
Praça Barão de Campo Belo, Centro
Vassouras, RJ
entrada gratuita
museuvassouras.org.br

Parede de barro com televisão no meio e banquinhos na frente
Vista de Sertão em nós: Reverberações, do Programa de Residência Artística do Sertão Negro, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Sala com parede de barro com televisão e parede azul com painel de madeira com vários objetos dentro
Vista de Sertão em nós: Reverberações, do Programa de Residência Artística do Sertão Negro, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Sala com parede de barro com televisão e parede azul com painel de madeira com vários objetos dentro
Vista de Sertão em nós: Reverberações, do Programa de Residência Artística do Sertão Negro, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede azul com painel de madeira com vários objetos dentro e instrumentos d emadeira ao lado
Vista de Sertão em nós: Reverberações, do Programa de Residência Artística do Sertão Negro, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Oficina Gravura sertaneja: a colagravura a partir de plantas do Cerrado goiano como ativadoras de conhecimentos ancestrais, parte de uma série de ativações do Sertão Negro durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Painel de madeira em parede azul com diversos objetos dentro
Vista de Sertão em nós: Reverberações, do Programa de Residência Artística do Sertão Negro, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Ativação A Capoeira Angola do Sertão Negro durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo