36ª Bienal de São Paulo
Nem todo viandante anda estradas
Da humanidade como prática
6 set 2025–11 jan 2026
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Linguagem Simples

Sobre a Fundação Bienal de São Paulo

A Fundação é uma instituição privada sem fins lucrativos.

Ela é responsável por organizar a Bienal de São Paulo.

A Bienal é uma exposição de arte que acontece a cada dois anos.

A Fundação Bienal desenvolve vários projetos.

A Bienal conta com uma equipe permanente que trabalha para garantir a qualidade dos projetos em todas as suas etapas.

A Fundação Bienal também é responsável por representar o Brasil na Bienal de Arte e de Arquitetura de Veneza.

A Fundação também organiza exposições com obras da Bienal em outras cidades do Brasil e em outros países.

A Fundação tem um arquivo histórico sobre arte moderna e contemporânea, que é referência na América Latina.

Os arquivos guardam e organizam livros, coleções, fotografias, artigos de jornais, vídeos, ou qualquer outro documento.

O nome do arquivo é Arquivo Histórico Wanda Svevo.

O que é a Bienal de São Paulo?

A Bienal é uma exposição de arte que acontece a cada dois anos na cidade de São Paulo.

A primeira Bienal aconteceu em 1951.

A Bienal existe há mais de 70 anos.

Em 2025, acontece a 36ª Bienal de São Paulo.

A Bienal de São Paulo é uma das maiores exposições de arte do mundo.

A 35ª Bienal, que aconteceu em 2023, recebeu mais de 700 mil visitantes.

Junto com as itinerâncias, ela recebeu mais de um milhão de visitantes.

A Bienal é uma exposição de arte contemporânea.

A arte contemporânea é a arte do nosso tempo, quer dizer, a arte realizada nos últimos 60 anos.

Os objetivos da Bienal são:

– Incentivar a criação artística;

– Promover o debate entre a sociedade;

– Democratizar o acesso à cultura.

Os projetos educativos são muito importantes para a Bienal.

A equipe de educação da Bienal desenvolve:

– Visitas mediadas às exposições;

– Formações de professores;

– Publicações para educadores;

– Cursos presenciais e à distância;

– Palestras e seminários.

A Bienal também fomenta a criação artística e a democratização do acesso à arte.

Quem criou a Fundação Bienal de São Paulo?
Foto em preto e branco de Ciccillo Matarazzo, um homem idoso, branco, careca, de óculos, terno claro e gravata, olhando para a câmera, com o fundo de pilotis.
Ciccillo Matarazzo © Dulce Carneiro

 

Ciccillo Matarazzo criou a Fundação Bienal de São Paulo em 1962.

Ele nasceu em São Paulo em 1898 e morreu em 1977.

Ciccillo foi um empresário.

Ele teve grande envolvimento na cultura.

Participou de projetos muito importantes, como o Teatro Brasileiro da Comédia, a Companhia de Cinema Vera Cruz, a Cinemateca Brasileira e o Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM.

O nome do Pavilhão da Bienal é Ciccillo Matarazzo.

Este nome foi escolhido para homenagear Ciccillo Matarazzo, que criou a Bienal.

Onde é realizada a Bienal?
Foto aérea do prédio da Bienal, um prédio retangular, muito grande, com uma fachada concreta branca e outra de lado com brises, sustentada por pilotis, com vidros pretos entre eles, no meio do Parque Ibirapuera, com prédios ao fundo.
Vista aérea da fachada do Pavilhão Ciccillo Matarazzo © Leo Eloy/ Estúdio Garagem/ Fundação Bienal de São Paulo.

 

A Bienal é realizada no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, que fica no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

O prédio da Bienal foi inaugurado em 1954, nas comemorações dos 400 anos da cidade de São Paulo.

O prédio da Bienal de São Paulo foi projetado por Oscar Niemeyer.

Oscar Niemeyer foi um arquiteto brasileiro muito importante e reconhecido em todo o mundo.

Ele projetou a cidade de Brasília.

O Pavilhão da Bienal é um prédio protegido pelo patrimônio histórico.

A primeira Bienal que aconteceu no Pavilhão Ciccillo Matarazzo foi em 1957.

Como é o prédio da Bienal?
Foto de dentro do prédio da Bienal, com guarda-corpo sinuoso, inteiramente em branco, com uma escada rolante no fundo e ponto de fuga muito ao longe.
Vista interna do Pavilhão Ciccillo Matarazzo © Leo Eloy/ Estúdio Garagem/ Fundação Bienal de São Paulo

 

O prédio da Bienal é reconhecido como um marco na história da arquitetura moderna brasileira.

Ele é enorme e tem três andares.

O prédio da Bienal tem 40 mil metros de área.

Tem 250 metros de comprimento e 50 metros de largura.

Quando vai ser a 36ª Bienal de São Paulo?

A 36ª Bienal de São Paulo acontece do dia 6 de setembro de 2025 até o dia 11 de janeiro de 2026.

A Bienal ocorre no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera.

Esta Bienal terá um tempo maior.

Ela ficará aberta por um mês a mais para que mais pessoas possam visitar a mostra.

A 36ª Bienal é totalmente gratuita, os visitantes não precisam pagar para visitar a exposição.

Sobre o título da 36ª Bienal de São Paulo

O título da 36ª Bienal é Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática.

O título é inspirado no poema “Da calma e do silêncio”, da escritora Conceição Evaristo.

Ela é uma escritora preta, que nasceu em Belo Horizonte.

 

Foto de Conceição Evaristo, uma mulher negra, sentada, olhando para o lado direito de maneira calma, usando uma faixa amarela na cabeça, com os cabelos grisalhos e encaracolados presos, e uma roupa preta com adereços amarelos.
Apresentação de Conceição Evaristo durante a 36ª Bienal de São Paulo, no palco montado na Varanda Bienal © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

 

O título da Bienal quer fazer uma provocação.

Viandante é uma palavra pouco usada que significa que a pessoa viaja.

Viandante pode ser também que as pessoas estão em trânsito, em movimento e transformação.

O título da 36ª Bienal convida os artistas e os visitantes a pensarem em sua vida como um movimento de transformação.

A Bienal aposta que é possível construir um mundo onde todas as pessoas tenham direitos.

Sobre a equipe conceitual da 36ª Bienal

A equipe conceitual da 36ª Bienal de São Paulo é formada por um grupo de profissionais.

O curador geral da 36ª Bienal é Bonaventure Soh Bejeng Ndikung.

O curador geral convidou outros profissionais para comporem a equipe.

A equipe tem experiências diversas em arte contemporânea.

A equipe é composta por:

Alya Sebti

Anna Roberta Goetz

Henriette Gallus

Keyna Eleison

Thiago de Paula Souza

A fotografia abaixo mostra a equipe conceitual no prédio da Bienal.

 

A foto mostra os curadores da 36ª Bienal dentro do prédio da Bienal, um prédio branco com muitas curvas. As pessoas são de diferentes nacionalidades e estão usando roupas coloridas.
Equipe conceitual da 36ª Bienal de São Paulo, da esq. para a dir.: Keyna Eleison, Alya Sebti, Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, Henriette Gallus, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza © João Medeiros / Fundação Bienal de São Paulo
Sobre o curador da 36ª Bienal

O curador geral da 36ª Bienal é o professor Bonaventure Soh Bejeng Ndikung.
Vamos chamar o curador de Bonaventure.

Bonaventure nasceu em Camarões, um país que fica no continente africano.

Atualmente, Bonaventure mora em Berlim, que é a capital da Alemanha.

Bonaventure é muito importante para as artes visuais no mundo todo.

Ele é professor, curador e escritor.

Em 2009, ele fundou o SAVVY Contemporary, em Berlim.

 

Fachada da SAVVY Contemporary, em Berlim com uma instalação de Bili Bidjocka, 2021. Foto: Raisa Galofre

 

O SAVVY é um ponto de encontro muito importante para o compartilhamento de diferentes culturas e experimentações artísticas.

Bonaventure trabalhou em várias mostras de arte muito importantes, como a Documenta 14, na Alemanha, e a Bienal Dak’Art, no Senegal.

Em 2019, ele também foi curador do Pavilhão Finlandês na Bienal de Veneza, que fica na Itália.

Em 2024, Bonaventure assumiu a direção do Haus der Kulturen der Welt (HKW), em Berlim.

O nome do centro cultural, traduzido do alemão para o português, é Casa das Culturas do Mundo.

O HKW é uma instituição de arte, performance, música, arquitetura, literatura e teatro.

A fotografia abaixo mostra Bonaventure na frente do prédio do HKW.

 

Foto de Bonaventure S. B. Ndikung, que mostra em primeiro plano um homem negro, de barba, usando um gorro verde, lenço estampado, roupa verde com casaco preto, olhando diretamente para a câmera com um leve sorriso, diante de um prédio de concreto e vidro
Bonaventure Soh Bejeng Ndikung © Jana Edisonga / Fundação Bienal de São Paulo

 

Bonaventure é o primeiro líder negro do HKW.

A 36ª Bienal também conta com uma equipe de cocuradores composta por Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza, além da cocuradora at large Keyna Eleison.

Além deles, tem uma consultora de comunicação e estratégia, chamada Henriette Gallus.

Esta equipe trabalhou junto com o curador para criar a Bienal.

Conheça um pouco sobre os profissionais que compõem a equipe conceitual

Alya Sebti

A foto mostra Alya Sebti, uma mulher parda, com cabelos encaracolados, levemente de lado e sorrindo, com uma roupa colorida
Retrato de Alya Sebti, cocuradora da 36ª Bienal de São Paulo © João Medeiros / Fundação Bienal de São Paulo

Alya Sebti é uma das cocuradoras da 36ª Bienal de São Paulo.

Ela nasceu em 1983, em Casablanca, no Marrocos, na África.

É curadora de arte contemporânea e diretora da ifa-Galerie, em Berlim, na Alemanha.

Ela também organizou exposições em diversos países e escreve sobre arte e a esfera pública.

 

Anna Roberta Goetz

Foto de Anna Roberta Goetz, uma mulher branca, loira, com os cabelos presos, apoiando uma mão no guarda-corpo do Pavilhão da Bienal, usando uma roupa colorida e plissada.

Retrato de Anna Roberta Goetz, cocuradora da 36ª Bienal de São Paulo © João Medeiros / Fundação Bienal de São Paulo

Anna Roberta Goetz é uma das cocuradoras da 36ª Bienal de São Paulo.

Ela nasceu em 1984, em Basileia, na Suíça.

Vive entre a Suíça e o México.

É curadora e escritora.

Organizou exposições individuais e coletivas de destaque em diversos países.

Foi professora em várias academias internacionais de arte.

 

Thiago de Paula Souza

Foto de Thiago de Paula Souza, um homem negro de cabelos curtos, em pé, com as mãos nos bolsos, olhando para frente, vestindo uma jaqueta e calça pretas e uma camisa listrada branca e azul.
Retrato de Thiago de Paula Souza, cocurador da 36ª Bienal de São Paulo © João Medeiros / Fundação Bienal de São Paulo

Thiago de Paula Souza é um dos cocuradores da 36ª Bienal de São Paulo.

Ele nasceu em 1985, em São Paulo, no Brasil.

É curador e educador.

Thiago tem interesse na intersecção entre arte contemporânea e educação.

Foi cocurador do 38º Panorama da Arte Brasileira no MAM São Paulo, em 2024.

Participou como cocurador de diversas exposições importantes no Brasil e em vários países.

 

Keyna Eleison

Foto de Keyna Eleison, uma mulher negra, usando um turbante, sorrindo e olhando direto para a câmera, usando brincos dourados e uma blusa rosa.
Retrato de Keyna Eleison, cocuradora at large da 36ª Bienal de São Paulo © João Medeiros / Fundação Bienal de São Paulo

É cocuradora at large da 36ª Bienal de São Paulo.

Keyna Eleison nasceu em 1979, no Rio de Janeiro, no Brasil.

É curadora, pesquisadora e educadora em arte e cultura.

Foi professora e coordenadora de ensino da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro.

É fundadora da coletividade Nacional Trovoa, que trabalha com a produção artística de mulheres negras e não brancas.

Foi curadora de diversas exposições no Brasil e em outros países.

 

Henriette Gallus

Foto de Henriette Gallus, uma mulher branca, com os cabelos castanhos longos, usando óculos e sorrindo, sentada e usando um vestido azul índigo plissado.
Retrato de Henriette Gallus, consultora de comunicação e estratégia da 36ª Bienal de São Paulo © João Medeiros / Fundação Bienal de São Paulo

Henriette Gallus nasceu em 1983, em Grevesmühlen, na Alemanha.

É consultora de comunicação e estratégia da 36ª Bienal de São Paulo.

É editora, estrategista cultural e de comunicação.

Foi diretora de comunicação da Documenta 14 em Kassel e Atenas.

Aconselhou diversas instituições culturais em todo o mundo.

Sobre a proposta curatorial

A proposta da Bienal é repensar a humanidade como uma prática viva.

O mundo pode ser um lugar muito injusto e, por isso, exigir que as pessoas reimaginem as relações.

É importante lutar contra as desigualdades.

Outro aspecto importante é escutar e se preocupar com a convivência.

A curadoria escolheu alguns aspectos para pensar na Bienal e escolher os artistas:

Pensar na sociedade como se fosse um estuário.

O estuário é um lugar onde os rios, lagos e córregos encontram o mar, misturando a água doce e a água salgada.

Os estuários são muito ricos e diversos porque a vegetação é muito variada e as águas carregam muitos ingredientes.

No Brasil, existem muitos estuários.

Os estuários também são muito ameaçados porque ficam perto de cidades, e a poluição prejudica o meio ambiente.

Agora que já sabemos o que é um estuário, queremos fazer um convite para vocês.

Imaginem que a 36ª Bienal é como um estuário.

Os artistas vêm de diferentes lugares e têm experiências diversas.

Na Bienal, toda essa diversidade se encontra para convidar o público a pensar em um mundo onde todas as pessoas tenham lugar.

A Bienal quer ser como um estuário.

A Bienal quer ser um lugar que acolhe e nutre diferentes formas de vida.

Os curadores esperam que a Bienal seja um ambiente vivo que abriga o vínculo entre as comunidades, a arte, a educação e a cultura.

Inspirado nas filosofias, paisagens e mitologias brasileiras.

A Bienal quer refletir a multiplicidade de encontros que marcaram a história do Brasil.

A exposição propõe que a humanidade se una.

A Bienal deseja que a humanidade se transforme por meio de uma escuta atenta e do respeito entre seres e mundos distintos.

O curador Bonaventure diz que atualmente parece que os seres humanos perderam o contato com o que significa ser humano.

Às vezes, parece que as pessoas estão perdendo o chão.

Vivemos em um período de muitas crises.

São crises sociais, políticas, econômicas e ambientais em todo o mundo.

Bonaventure acha que é urgente convidar artistas, pesquisadores, ativistas e outros profissionais da cultura para se juntarem à Bienal.

A proposta é pensar em como reformular o que significa a humanidade.

Por causa de todas essas crises e urgências, é importante imaginar outro mundo por meio de diferentes práticas.

O tema da Bienal é um convite para pensar e manifestar a humanidade como um verbo e uma prática.

Pensar sobre a humanidade e sobre modos de viver variados.

A Bienal nos convida a colocar a alegria, a beleza e a poesia no centro das nossas vidas.

Este é um convite para imaginar um mundo no qual valorizamos as pessoas em um momento em que a sociedade está falhando conosco.

Sobre o projeto curatorial

A 36ª Bienal de São Paulo está organizada em três eixos.

Cada eixo apresenta um conceito que orienta a exposição.

O primeiro eixo defende que todas as pessoas precisam ter tempo e espaço.

Este eixo defende que é importante desacelerar e prestar atenção aos detalhes.

Quando prestamos atenção, percebemos outros seres que fazem parte do nosso ambiente.

Este eixo está inspirado em um poema de Conceição Evaristo.

Conceição Evaristo é uma escritora negra e brasileira muito importante.

O poema fala sobre a importância de explorar os mundos escondidos que somente a poesia pode acessar.

A Bienal também quer acolher as diferenças.

A exposição convida todas as pessoas a se reconectarem com a natureza.

No segundo eixo, a Bienal convida o público a se ver no reflexo do outro.

A proposta é questionar o que vemos quando olhamos para nós mesmos e para os outros.

Quais são as barreiras que existem na sociedade?

Este eixo se inspira em um poema do poeta haitiano René Depestre.

O poema diz que precisamos estar atentos às necessidades de todos.

O terceiro eixo se dedica aos espaços de encontros.

O eixo entende que os lugares possibilitam múltiplas interações.

Este eixo também critica que as pessoas negras da África foram escravizadas.

A exposição aborda as desigualdades que existem no mundo.

Esse eixo é baseado no movimento manguebeat, criado no Recife.

O manguebeat foi um movimento cultural idealizado por vários artistas pernambucanos no início da década de 1990.

O movimento denunciava as desigualdades e a pobreza em Pernambuco.

O símbolo do manguebeat é o caranguejo, que vive no mangue e na lama.

Os autores do movimento escreveram um texto chamado “Caranguejos com cérebro”.

O texto valoriza a cultura das comunidades e da população pobre que vive perto dos mangues.

A Bienal conta sobre a história do Brasil.

O Brasil foi formado pelos povos indígenas, europeus e africanos escravizados.

O Brasil ainda é um país muito desigual.

A exposição conta como as culturas e as sociedades lidam com as diferenças e desigualdades.

A Bienal quer ajudar a sociedade a criar caminhos de interação e beleza.

Identidade visual
Cartaz da 36ª Bienal © Studio Yukiko / Fundação Bienal de São Paulo

 

O estúdio Yukiko, que fica em Berlim, na Alemanha, é responsável pela criação da identidade visual da 36ª Bienal.

O estúdio foi fundado por Michelle Phillips e Johannes Conrad.

O estúdio é reconhecido por seu estilo experimental.

A identidade visual que eles criaram dialoga com o conceito curatorial desta Bienal.

A identidade da 36ª Bienal cria uma experiência visual e gráfica que reforça a importância da escuta.

Ela valoriza também os encontros, a partir da ideia do estuário.

Enfatiza as conexões, a empatia e a interação criativa.

A identidade visual se inspira nas ondas sonoras diversas e na harmonia.

Essas ondas sonoras representam a ideia de que a humanidade está sempre evoluindo e se remodelando por meio de encontros.

Tanto as ondas sonoras como o estuário querem mostrar que vários mundos se encontram e se misturam.

A mensagem central é que, por meio da escuta e da reflexão, podemos imaginar a humanidade como uma prática viva e pulsante.

Arquitetura

O projeto arquitetônico e expositivo da 36ª Bienal é de Gisele de Paula e Tiago Guimarães.

Em cada Bienal é criado um projeto do espaço para a exposição.

Os arquitetos fazem um projeto definindo as cores que vão ser usadas e como as obras de arte vão estar expostas no prédio.

Os arquitetos fazem o projeto alinhados com a proposta curatorial.

O projeto arquitetônico da 36ª Bienal está inspirado na fluidez dos rios e dos estuários.

O espaço da exposição foi desenhado como um percurso sensorial.

O espaço convida o visitante a fazer caminhos em curvas.

O percurso convida o visitante à escuta e à pausa.

Nos três andares do prédio foram colocadas várias cortinas coloridas, que lembram as margens sinuosas dos rios.

O projeto arquitetônico também valoriza o espaço vazio dentro do prédio.

Este espaço permite que os visitantes percorram a exposição recordando a força das paisagens que estão sempre em movimento.

O título da Bienal é Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática.

Como viandantes, as pessoas não repetem o caminho, mas reinventam a travessia em busca de transformação.

Cada visitante pode fazer o seu caminho na Bienal.

O projeto quer ser como um corpo em movimento, que atravessa, contorna e reinventa o espaço.

A exposição propõe um diálogo com a ideia de travessia.

A exposição está organizada para propor aos visitantes que pensem nas formas como nos movimentamos durante a vida.

Roteiro de visitação em Linguagem Simples
Precious Okoyomon
Uma paisagem que remete a uma floresta, com uma árvore com flores vermelhas ao centro, no topo de uma pequena elevação com pedras de diferentes tamanhos abaixo, cobrindo o chão intercaladas com musgos de diferentes cores e superfícies de terra. As árvores estão dentro de um ambiente fechado, com grandes paredes de vidro ao fundo, e um teto alto, branco e duas colunas de concreto, também brancas, em meio às árvores.
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me, de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

 

Precious Okoyomon é poeta e artista dos Estados Unidos com ascendência nigeriana.

Em suas obras, ela fala sobre a natureza, as histórias do movimento de pessoas entre países e o racismo.

Fala também sobre os prazeres simples da vida de todo dia.

A artista imagina e cria mundos alternativos, cheios de vida e novas possibilidades.

Estes mundos deixam de fora as regras impostas pelo racismo, pelo machismo e pela norma de gênero e sexualidade.

O trabalho dela mostra uma forte ligação com a ecologia.

Ela presta atenção em como os corpos e o ambiente estão ligados entre si.

A artista mostra que fechar e abrir mundos na imaginação pode ajudar a criar uma conexão profunda entre todas as coisas que formam os ecossistemas.

A arte e as palavras de Precious Okoyomon quebram a visão ocidental de tempo como algo linear.

Elas misturam as catástrofes vividas por pessoas negras no passado e no presente com a exigência de um futuro mais justo, mais livre e mais negro.

A obra de Precious Okoyomon na 36º Bienal se chama Sol da Consciência. Deus sopra através de mim – o amor me quebra.

A instalação é muito grande e foi feita especialmente aqui no Pavilhão da Bienal.

A obra é um imenso jardim e as pessoas podem andar por ele.

Há muitas plantas e pequenas árvores e dá para sentir cheiros e ouvir sons enquanto caminha pela obra.

A instalação vai mudar durante todo o tempo da Bienal porque a obra está viva.

Com este trabalho, a artista também fala de tempos diferentes que não são o tempo humano.

Ela chama esses tempos de portais.

Precious Okoyomon estuda as plantas e as liga a diferentes formas de tempo.

Algumas dessas plantas lembram a história da colonização, como a cana-de-açúcar, que foi usada nas grandes fazendas que exploravam o trabalho de pessoas escravizadas.

Esses tempos trazem lembranças dolorosas.

A artista mostra as diferenças entre o que é belo e que é terrível, entre a violência escondida e um outro tempo possível.

Esse novo tempo aparece em formas de vida com as quais precisamos conviver e que também podem nos ensinar a viver de outro jeito.

O som que tem na obra é muito importante. Ele foi desenvolvido a partir de gravações feitas no Parque do Ibirapuera.

São diferentes camadas de som. Sons agudos, sons que mostram a presença da água, sons graves que fazem sentir a vibração no corpo.

A sensação pode ser a de que o tempo parou.

A instalação tem pedras, raízes e pequenos morros feitos de terra que formam caminhos curvos.

Há pequenas quedas d’água, lagos, áreas de musgo e esguichos de água que saem do chão de tempo em tempo. 

As pessoas andam por caminhos irregulares, criando diferentes formas de interagir com o espaço.

A luz também é muito importante na instalação.

A artista trabalhou com outro artista, chamado Seth Riskin, e eles criaram efeitos que lembram anéis de luz, arco-íris, manchas e pontos brilhantes. 

Os efeitos de luz aparecem e desaparecem.

O espaço convida ao descanso e à atenção, e mostra que a natureza segue ritmos maiores que os humanos.

Entre as plantas, há espécies medicinais, frutíferas e invasoras, vindas das Américas, do Caribe e do Cerrado.

As plantas do Cerrado são diversas e resistentes à seca.

As árvores têm raízes profundas e troncos tortuosos.

Aprender com a adaptabilidade da natureza ajuda a pensar como podemos conviver melhor no mundo.

Madame Zo
Uma parede vermelha com cinco obras retangulares compostas por tiras horizontais na cor preta, algumas com detalhes em tiras brancas que formam desenhos padronizados. Em frente a essa parede, três obras menores penduradas, com estruturas similares e franjas na cor preta pendentes
Vista de obras de Madame Zo na 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

 

Madame Zo é o nome artístico de Zoarinivo Razakatrimo. Ela nasceu em Antananarivo, capital da ilha de Madagascar.

Ela faleceu e faleceu em 2020 em decorrência da Covid-19.

Ela foi uma artista importante em Madagascar.

Suas obras são conhecidas por misturar arte e artesanato, sem separar totalmente os dois.

Madame Zo estudou tecelagem e tingimento de tecidos. Ela se inspirava em técnicas e padrões tradicionais de Madagascar.

Suas obras são abstratas e únicas, e também trazem mensagens políticas, falando sobre meio ambiente e questões sociais em Madagascar.

Madame Zo queria mudar as formas tradicionais de tecer.

Ela misturava objetos inesperados aos tecidos, além de usar algodão e seda.

Muitos desses objetos vinham do dia a dia das pessoas e contavam sobre o jeito de criar da artista e sobre sua relação com a comunidade e o meio onde vivia.

Madame Zo usava muitos tipos de materiais em seus tecidos, como fios de cobre, ervas, madeira, plástico, pedaços de comida e fitas magnéticas.

O jeito que ela escolhia e usava cada material mostra os assuntos importantes que queria tratar em suas obras.

O cobre aparece muito nas obras de Madame Zo.

Esse material pode lembrar tecnologias de comunicação e também ser associado à cura, porque conduz energias.

O curador da 36ª Bienal,  Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, chamou isso de aspectos “técnico-espirituais” do cobre.

Madame Zo também usava ervas e papel, incluindo recortes de jornal.

As ervas mostram seu interesse por práticas de cura alternativas.

Os recortes de jornal mostram seu interesse em compartilhar informações com as pessoas.

Na 36ª Bienal de São Paulo, uma seleção das obras de Madame Zo mostra um panorama de seu trabalho, que durou quase cinquenta anos.

As obras estão no térreo e também no terceiro pavimento.

Uma das obras se chama Horizonte e é muito grande. Tem cinco metros e meio de altura e dois metros e vinte centímetros de largura.

O trabalho está pendurado bem no alto e chega quase ao chão.

O tecido é coberto por faixas horizontais de diversos tamanhos.

As faixas tem diferentes cores em tons claros e suaves.

São listras bege, marrom-claro, amarelo, azul, rosa, com muitos fios de cobre, o que faz com que a obra brilhe com a luz do sol que entra e ilumina, e mesmo com as luzes do Pavilhão.

A obra O relâmpago mede quase dois metros e trinta de altura por mais de um e noventa de largura. 

Ela foi produzida com fios, papel jornal cortado e fita magnética.

O fundo é escuro e mescla discretos tons acinzentados ao preto. 

Uma faixa vertical mais clara que se destaca. Ela sai do lado esquerdo e atravessa toda a obra mais perto do lado direito, até chegar embaixo.

Essa faixa, que faz curvas e tem os contornos não muito definidos, pode ser o relâmpago que dá nome à obra.

As obras de Madame Zo na 36ª Bienal, convidam o público a refletir sobre a humanidade em suas diferentes formas e manifestações.   

Nádia Taquary
Vista de Ìrókó: A árvore cósmica, de Nádia Taquary, na 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

 

Nádia Taquary nasceu e vive em Salvador, na Bahia.

Ela trabalha com esculturas em bronze que mostram o poder feminino.

A artista usa uma técnica que lembra a técnica usada na África antiga. 

Dessa forma, ela resgata tradições africanas e mostra tecnologias, histórias e formas de arte que foram esquecidas ou apropriadas pelo Ocidente.

Nádia Taquary estuda a joalheria afro-brasileira. Com isso, ela se conecta com a história ancestral, a religião e o feminino afro.

As pencas de balangandãs são joias que as mulheres negras escravizadas usavam na cintura.

As joias são símbolos de força e poder e a artista transforma joias em esculturas.

Ao transformar essas joias em esculturas, a artista desconstrói histórias e interpretações impostas pelo colonialismo.

Colonialismo é o sistema em que um país domina outro, controlando sua terra, população e recursos, explorando-os economicamente e impondo sua cultura, língua e leis sobre os povos locais.

Nádia Taquary criou uma instalação para a Bienal que se chama Ìrókó: A árvore cósmica.

A instalação mostra o conhecimento ancestral por meio do ciclo da vida.

A obra usa fibra de vidro, esculturas em bronze representando as Ìyámis, que são entidades femininas ancestrais, e fios de contas nas cores do orixá Ìrókó.

Ìrókó é o orixá do tempo e da ancestralidade. 

No Brasil, ele é cultuado através da gameleira, uma árvore encontrada nos terreiros de religiões africanas, marcada com bandeira branca.

Ìrókó simboliza cura, calma após a tempestade e a inevitabilidade da vida.

Segundo a tradição, foi a primeira árvore plantada, por onde os orixás desceram à Terra e onde pousaram as feiticeiras Ìyámis.

A instalação mostra uma grande árvore feita de fibra de vidro. Suas raízes, tronco e copa são cobertos com fios muito pequenos de miçangas, nas cores do orixá Ìrókò, um amarelo ouro vibrante.

Ao redor da árvore, estão as esculturas em bronze de mulheres-pássaros que representam as Ìyámis, que são Grandes Mães Ancestrais ligadas à mitologia do Ìrókò.

As esculturas têm tamanhos semelhantes aos humanos e são escuras.

Em um ponto há uma dupla de mulheres-pássaro, voltadas uma para a outra. Uma delas é mais alta, tem o corpo feminino coberto de penas, os pés iguais aos de uma ave e os braços em forma de asa. Da cabeça saem formas volumosas e pontudas que se direcionam para baixo em arcos. Ela tem o rosto para baixo, como se olhasse para a segunda mulher-pássaro, que é mais baixa e parece mais jovem. 

A jovem também tem os pés iguais a de uma ave, penas em algumas partes do corpo ainda em metamorfose, e asas que saem dos ombros. Os cabelos são trançados desde a parte de cima da cabeça e caem sobre as costas. Ela tem o rosto voltado para baixo e segura nas mãos um objeto dourado em forma de cabaça, em um gesto de oferenda para a mulher-pássaro que está em sua frente. 

Outra mulher-pássaro esculpida em bronze tem o corpo de mulher, pés de ave, longas asas soltas ao lado do corpo e uma grande cabeça de pássaro com bico dourado. As penas se concentram nas asas, ombros e cabeça. Na sua frente, no chão, hã uma grande cabaça dourada.

A mulher-pássaro seguinte tem o corpo feminino quase totalmente coberto de penas, os pés de ave e a cabeça de pássaro. O joelho direito está dobrado e o pé apoiado na perna esquerda, formando um quatro. Com os braços humanos, ela abraça e segura junto ao corpo uma grande cabaça dourada. 

A última escultura em bronze mostra a mulher-pássaro agachada em cima de uma grande cabaça dourada, segurando com os pés de ave em forma de garra. As penas aparecem nas asas, ombros e cabeça. O tronco está levemente inclinado para a frente e a cabeça se direciona para o chão, destacando o bico dourado e curvado para baixo.

A instalação convida a ouvir a sabedoria da natureza e a força da vida que o mito de Ìrókò transmite, prestando atenção tanto às suas vozes quanto aos seus silêncios.

Sertão Negro
Registro da ativação Sertão em nós: Reverberações do programa de residência artística do Sertão Negro durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

 

Sertão Negro é o nome de um ateliê e escola de artes.

Dalton Paula, artista visual, e Ceiça Ferreira, professora e pesquisadora de cinema, pensaram em como fazer esse ateliê-escola.

Eles fundaram o Sertão Negro em 2021, em um espaço de um quilombo na cidade de Goiânia.

Quilombo é o lugar onde pessoas negras que fugiam da escravidão se reuniam para viver em liberdade. 

Hoje em dia são os descendentes destas pessoas que vivem nas comunidades quilombolas.

Aqui, no andar térreo da Bienal, foi criado um local especial para ser o ateliê-escola Sertão Negro.

O local tem forma de um círculo cortado ao meio.

Este semicírculo é feito com paredes de taipa, ou seja, feitas de barro.

Em um dos lados do ateliê tem tela para projeção e bancos, como se fosse um cinema na praça.

As pessoas podem se acomodar e participar da programação de ativações.

São muitas ativações durante toda a duração da 36ª Bienal. 

As ativações sempre articulam tradições culturais afro-brasileiras e práticas de arte contemporânea.

Uma delas é o Cineclube com a Mostra Cinemas Negros no Feminino. 

Os filmes da Mostra foram feitos por mulheres negras em diferentes partes do Brasil.

Outras ativações são rodas de conversa, de capoeira, discotecagem e oficinas.

Participe da programação.

São atividades para sentir e aprender que convidam as pessoas a conhecer as ideias e sentimentos do Sertão Negro.

Do outro lado, há uma vitrine na parede com diferentes objetos do território Kalunga e obras de diversos artistas do Sertão Negro, em técnicas mistas e variadas. 

Há cadernos de artistas, trabalhos em cerâmica, gravuras, fotografias, desenhos e aquarelas, de vários tamanhos e cores.

Tem também pequenas esculturas, imagens de santos, peneiras, garrafas e porta-jóias.

À esquerda da vitrine, instrumentos musicais artesanais completam o ambiente.

Sallisa Rosa
Installation view of Muitos nomes, by Sallisa Rosa, during the 36th Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

 

Sallisa Rosa é uma artista visual que nasceu em Goiânia e mora em Amsterdam. 

Ela cria suas obras com fotos, vídeos, performances, que são apresentações ao vivo, e instalações, que são grandes montagens no espaço. 

O trabalho dela fala sobre como nós, seres humanos, nos conectamos com a terra.

Ela usa o barro como elemento principal.

Para Sallisa Rosa, o barro cria uma ligação direta com o solo e o território.

Para criar seus objetos ou instalações, a artista recolhe o barro de diversos territórios. 

Fazer a coleta do barro é a ação central de seu trabalho.

Os objetos que Sallisa Rosa produz trazem mistério e memória.

A terra, de onde vem o barro, pode guardar memórias. 

Memórias de como foi usada e também de como foi maltratada.

O barro pode guardar memórias antigas porque é uma parte da história que ficou guardada no chão. 

Os galhos também guardam memórias e mostram como a árvore vive.

Eles mostram se a árvore teve pouca ou muita água.

Mostram também se o solo mudou e como é o ar.

Os galhos também mostram como a árvore se relaciona com outros seres.

A obra de Sallisa Rosa na 36ª Bienal é uma instalação que se chama Muitos nomes.

A instalação é composta por formas circulares construídas com galhos de diferentes árvores.

São estruturas formadas por paredes arredondadas e escuras que desenham curvas.

Nas paredes, misturadas aos galhos, surgem delicadas espirais.

As paredes são mais altas em alguns lugares e mais baixas em outros.

Elas formam espaços ocos dentro do espaço circular.

Outras espirais de barro aparecem espalhadas no chão, nos espaços ocos e centrais.

É possível caminhar entre os espaços fazendo diferentes caminhos.

São muitas entradas e saídas nestes caminhos curvos.

Em seu trabalho, Sallisa Rosa reune grupos de pessoas.

As pessoas trabalham, pensam, comem, plantam e sentem juntas.

O jeito de fazer mostra os encontros e o conhecimento de um grupo.

Mostra como esse grupo vive e trabalha.

A memória do material é guardada pelos gestos de quem o toca e transforma.

Malika Agueznay

Malika Agueznay é uma artista muito importante no Marrocos.

Ela foi a primeira mulher a fazer arte abstrata em seu país.

Arte abstrata é a arte com formas e cores que não imitam a realidade.

Malika participou do movimento de arte moderna no Marrocos. 

Na escola de arte de Casablanca, Malika Agueznay conheceu artistas e professores que pensavam em um novo jeito de fazer arte no Marrocos.

Juntos, eles usaram a arte para falar sobre temas importantes como a política e a sociedade.

Os artistas criaram usando cores fortes, formas, linhas e desenhos geométricos, como círculos, quadrados e triângulos.

Malika aprendeu muito com esse grupo e começou a fazer sua própria arte, usando diferentes materiais e técnicas. 

Ela continuou essa pesquisa por toda a sua vida.

Em 1978, Malika Agueznay conheceu uma nova técnica chamada gravura. 

Malika é a primeira mulher a fazer gravura no Marrocos.

Gravura é um jeito de fazer arte em que o artista desenha ou esculpe uma imagem em uma superfície, como madeira, metal ou pedra. 

Depois, ele passa tinta nessa superfície e a pressiona contra o papel. Assim, a imagem aparece no papel, como um carimbo. 

Com essa técnica, o artista pode fazer várias cópias da mesma imagem.

Depois que conheceu a gravura, a arte de Malika ficou mais livre. 

Malika se mudou ainda jovem para Nova Iorque, para melhorar ainda mais seu trabalho. 

Em Nova Iorque, ela trabalhou no ateliê de vários artistas famosos. 

Na Escola de Casablanca, Malika Agueznay também criou mesas de trabalho usando azulejos de cerâmica. Nos azulejos ela desenhou algas marinhas e símbolos circulares.  

Em suas obras a artista usa muito as formas que se parecem com algas marinhas.

Aqui na 36ª Bienal, uma grande obra colorida de Malika Agueznay ocupa toda a rampa que sobe do térreo para o primeiro andar.

Sobre o fundo bege-amarelado, estão pintadas formas coloridas e arredondadas.

As formas se espalham em tons de azul, laranja e vermelho. Algumas se parecem com aves em pleno voo. Outras lembram as algas.

Entre as formas aparecem outras duas maiores, parecidas com flores cheias de pétalas. Se parecem também com algas vermelhas.

Na obra que está na rampa, a repetição das formas dá um ritmo visual forte e tudo parece estar em movimento e ter muita energia.

Malika tem uma filha chamada Amina que também é artista e está expondo aqui na Bienal.

Amina conta que quando ela era criança a mãe a levava para a Escola de Casablanca. Ela brincava no ateliê. 

E quando lembra do ambiente da escola de arte, Amina pensa na palavra halqa.

Halqa é uma palavra do Marrocos.

Na halqa as pessoas se juntam ao redor de um contador de histórias, de um artista, e compartilham seus relatos.

Essa tradição lembra uma família ou uma comunidade.

Amina e Malika compartilham muitos momentos juntas em torno de uma mesa de azulejo que a artista criou na Escola de Casablanca.

Malika Agueznay levou uma dessas mesas para casa. Ela e a filha passam muitas horas em volta da mesa comendo, conversando e desenhando. 

Juntas elas estão criando a halqa dela. 

E  tudo isso elas documentam em vídeo. 

Elas prestam homenagem ao ambiente único que compartilham.

Song Dong

Song Dong é um artista importante da arte contemporânea chinesa.

Ele cria obras que falam sobre sua expressão pessoal, as relações familiares e a vida na China, que muda rapidamente.

Ele trabalha com escultura, instalação, performance, fotografia e vídeo.

Os trabalhos dele são feitos com objetos do dia a dia e materiais que não duram, mostrando que tudo muda e passa. 

Ele cria reflexões sobre o tempo, a memória e a sociedade.

O artista também questiona o valor dos materiais em relação a temas pessoais e globais.  

Song Dong trabalhava com pintura, mas aos poucos mudou sua arte.

Deixou a pintura tradicional para criar obras experimentais e com novas propostas.

Para a 36ª Bienal, Song Dong criou uma instalação chamada Emprestar a luz.

A obra é uma sala arredondada com as paredes, o teto e o chão forrados de espelho.

Muitos lustres de diferentes tamanhos, cores e formas estão pendurados no teto. Uns ficam mais no alto e outros descem até perto do chão.

É preciso desviar para não esbarrar nos lustres.

Nas paredes também têm muitos lustres.

São muitas lâmpadas acesas. 

Para todos os lados que você olhar, você verá os lustres, as luzes e os reflexos nos espelhos. 

A instalação empresta para a arte um objeto comum, para refletirmos sobre como nossa vida é passageira.

Os espelhos mostram a nossa presença e a presença de outros visitantes, o que nos faz pensar como podemos nos conectar com outras pessoas.

Song Dong fez a obra inspirado nos labirintos de parques de diversão, que usam espelhos para ampliar o espaço.

Brincando com luz, reflexos e ilusões, a obra envolve o público em um universo infinito, onde nossas imagens e pensamentos se misturam em uma luz prateada e brilhante.

Se você olhar para o lado, há a figura de um barco de perfil.

Se você olhar para o espelho em que o barco está refletido, verá ele inteiro.

Oscar Murillo

Oscar Murillo é um artista visual que nasceu na Colômbia e vive em Londres.

Ele trabalha com muitas formas diferentes, como pintura,  vídeo, som, instalação e projetos em grupo.

Em cada série de obras, ele pesquisa ideias sobre viver em comunidade e compartilhar a cultura.

Seu trabalho mostra a importância das coisas materiais junto com reflexões profundas sobre a sociedade de hoje.

O trabalho dele apresentado aqui na 36ª Bienal se chama Uma canção para um jardim que chora.

O trabalho foi feito especialmente para a Bienal e fica do lado de fora, dos dois lados do prédio, no Parque do Ibirapuera.

São andaimes altos e curvos com telas no meio. 

Junto das telas tem materiais artísticos para as pessoas criem uma espécie de pintura em grande escala. 

O público pinta sobre as telas, criando várias camadas de tinta.

Esse pode ser um espaço de reflexão, diferente da energia agitada da cidade.

As telas mostram a mistura entre natureza e cidade contemporânea.

Elas também trazem a ideia de uma escuridão escondida em superfícies que parecem calmas.

Essa é uma questão comum no trabalho de Oscar Murillo.

Aqui, ele conversa com a história de Claude Monet e suas pinturas de Nenúfares, feitas quando Monet tinha catarata e estava perdendo a visão.

No parque, essas telas feitas em grupo viram uma homenagem ao lugar: uma canção para um jardim que chora.

Antes da instalação, Murillo chamou amigos, familiares e público para ajudar a criar a primeira camada das pinturas.

As sessões de desenho aconteceram em várias partes do mundo.

As sessões de pintura também aconteceram aqui no Pavilhão da Bienal e na Avenida Paulista.

As telas viajaram até São Paulo, cruzando o Oceano Atlântico e passando pela África, América Latina e Caribe.

Esse caminho celebra o trabalho coletivo e o gesto de pintar, que o artista chama de “mapeamento social”.

As marcas feitas nas telas mostram a passagem do tempo, o movimento das pessoas e os lugares que nos ligam.

As estruturas das obras mostram a força do coletivo em espaços compartilhados.

Elas usam gestos, repetições e muitos traços para envolver tanto quem participa quanto quem observa.

E a energia coletiva também aparece na na instalação Beleza hipnotizante, que está dentro do Pavilhão.

A instalação mostra várias paisagens do mar pintadas com tinta a óleo em cima de caixas de papelão.

Ainda dá para ver partes da vida antiga das caixas, que eram embalagens.

As telas feitas de caixas são de tamanho médio, horizontais e verticais.

As pinturas têm cores vibrantes, com muitos tons de azul, verdes, amarelos e vermelhos. 

Oscar Murillo pintou por cima dessas caixas com gestos soltos.

As telas ficam apoiadas em varas de madeira que estão presas a cadeiras plásticas descartáveis.

Essa mistura cria um contraste.

Ana Raylander Mártis dos Anjos

Ana Raylander Mártis dos Anjos faz sua arte a partir de projetos de pesquisa que duram muito tempo.

Em seu trabalho, a artista busca conectar a história de muitas pessoas com a sua própria história.

A obra de Ana Raylander na 36ª Bienal é uma instalação que se chama A casa de Bené.

Para fazer a obra, a artista pesquisou sobre ela mesma e sobre sua própria família.

Ana Raylander criou uma instalação usando objetos que restaram da casa de pau a pique de seu bisavô que se chamava Benedito Cândido.

A casa já foi demolida, mas os objetos guardam sua memória.

Com essa obra, a artista mostra como o bisavô influenciou sua formação política e sua forma de pensar e criar.

A instalação é muito grande e se extende pelos três andares do Pavilhão da Bienal.

São nove colunas verticais de madeira que sobem do primeiro até o terceiro pavimento, parecendo que elas atravessam as lajes de um andar para o outro.

As colunas são finas e quadradas e estão cobertas por esculturas feitas de tecidos amarrados, fibras naturais, tricôs de lã, camisas de algodão e tiras de couro. Essas coberturas tem tons de bege, marrom, preto, amarelos e vermelhos. Tudo muito parecido com terra e com fios naturais.

As colunas representam os nove filhos de Benedito Cândido, o vovô Bené.

Juntas, as colunas formam um eixo parecido com um totem, que pode ser visto de vários pontos da Bienal.

Totem é uma escultura que costuma representar as histórias, crenças, espiritualidades e identidades de um grupo.

Na instalação, há elementos como cestos de latão, esculturas e objetos herdados da casa do bisavô. 

Entre esses objetos que servem para lembrar a história da família está um desenho da planta da casa de Bené, feito por Efigênia, avó da artista.

Isso mostra como Ana Raylander quer recontar e reconstruir histórias pessoais.

A obra pesquisa a família como uma instituição que dura muito tempo.

Mostra como a família influencia nossa memória e também as formas como vivemos.

Os objetos que foram herdados da casa do vovô Bené estão em cima de hastes de metal. São um pedaço de cipó, um isqueiro em forma de bala de revólver, um cesto de bambu, uma cabaça, varas de pau-mulato e uma pequena caixa de madeira

No chão, perto das colunas, há cestos arredondados feitos de fibra natural. Dentro deles estão esculturas têxteis, que são vários fios torcidos, enrolados e tramados.

Alguns desses fios saltam para fora e se espalham serpenteando pelo espaço, de um andar para outro. Eles conectam toda a obra.

O conjunto de cestos lembra a cidade de Bela Vista de Minas, em Minas Gerais. Lá, a mineração acontece junto com tradições antigas, como a cestaria.

Há também cestos que contêm carvão, pedra, terra, minério, tabaco e outros materiais orgânicos que fazem parte da ecologia e da história daquele território e da família de Bela Vista de Minas. 

Todos os elementos da obra se ligam entre si para contar histórias sobre família, território, nação e pertencimento.

Emeka Ogboh

Emeka Ogboh nasceu em Enugu, na Nigéria, e vive em Berlim.

O artista relaciona-se com os lugares por meio de todos os sentidos humanos: visão, audição, paladar, olfato e tato.

Suas instalações artísticas e criações culinárias incorporam elementos sensoriais.

Ele explora como memórias e histórias são traduzidas e transformadas em diferentes experiências sensoriais.

Sua prática também faz refletir sobre questões críticas como migração, globalização e pós-colonialismo.

Aqui na 36ª Bienal, a obra de Emeka Ogboh é uma instalação que se chama O rumo das coisas terrenas II (Lamento da Mãe Terra).

A instalação fica dentro de uma sala bastante escura.

Em um círculo estão vários troncos de árvore cortados e espalhados. Eles têm alturas diferentes, mas todos são baixos.

Os troncos têm forma arredondada em larguras diversas.

Dentro de cada um dos troncos está embutido um alto-falante, de onde saem cantos.

Esse canto é de um coral e lembra um lamento à destruição da natureza.

As vozes que saem dos troncos cantam o mesmo lamento, mas em tons e momentos diferentes, formando uma composição sonora forte e profunda.

As vozes do coral denunciam as cicatrizes deixadas pelas pessoas na natureza.

O chão da instalação é de areia preta, cascas de árvores secas e outras cascas queimadas como carvão, lembrando o desmatamento e a destruição do meio ambiente.

A instalação é olfativa. Ela exala um cheiro de mata queimada. 

As sombras dos troncos das árvores nas paredes lembram fantasmas. 

A iluminação com feixes de luz traz a sensação de névoa de fumaça. 

Essa névoa e os sons em conjunto dão a impressão de estar em um lugar suspenso e um pouco sombrio, que traz lembranças e memórias. 

O ambiente multissensorial da instalação convida os visitantes a testemunhar e sentir o peso da destruição.

A obra está alinhada ao tema curatorial da Bienal, que nos convoca a escutar o mundo e dialogar com a natureza, como forma de praticar a humanidade.

Minia Biabiany

Minia Biabiany é artista visual e cineasta que nasceu em Guadalupe. Ela também é pesquisadora em educação. 

Ela mostra que a forma como vemos nosso corpo está ligada a como vemos o espaço, a terra e a história.

Ela trabalha com instalações e vídeos.

Nas obras ela traz gestos da tecelagem para contar histórias poéticas e políticas.

Essas histórias falam sobre conhecer a si mesmo e sobre cura.

Sua obra busca criar novas formas de falar e contar histórias, diferentes das histórias coloniais mais comuns.

Ela olha especialmente para o contexto de Guadalupe, que é um território francês que fica no Caribe.

Também fala sobre como a assimilação francesa em Guadalupe mudou as relações entre as pessoas, a terra e as plantas.

Assimilação é uma política colonial da França que obrigava povos de outros lugares a seguir a cultura francesa e deixar suas tradições.

No trabalho de Minia Biabiany aparecem questões de meio ambiente, de corpos e de linguagem.

Ela cria ambientes poéticos em que o público pode entrar e se envolver.

Esses ambientes ajudam as pessoas a ler e sentir as diferentes partes das histórias coloniais e o que elas deixaram no presente.

Ela questiona como nos relacionamos com os espaços, tanto na mente quanto no corpo.

Também usa métodos antigos de aprendizado e de cura como ferramentas.

Ela busca vestígios do passado colonial de plantações e de assimilação que ainda afetam Guadalupe.

Usa plantas como guias para perceber silêncios, saberes perdidos e partes de histórias esquecidas.

Ao caminhar por suas instalações, o público é convidado a criar histórias pessoais e coletivas.

Biabiany cria “coreografias para os olhos”, que pedem atenção e um novo ritmo para olhar e sentir.

A instalação que Minia Biabiany criou aqui na 36a Bienal se chama zyé an kann, na língua crioula de Guadalupe.

Em português, isso significa “olho da cana”.

Olho da cana é cada um dos nós que marcam o caule da cana-de-açúcar.

Nesses nós podem nascer novos brotos.

A instalação fala da monocultura, que tira tudo do solo.

Essa prática começou na época colonial.

Monocultura é o cultivo de uma única planta, como cana-de-açúcar, algodão ou banana.

Isso faz o solo perder força e se destruir.

A instalação é um retângulo, aberto em dois lados, para entrar e sair.

As paredes do retângulo são azuis em baixo e vermelhas em cima, com uma faixa estreita e branca entre as duas.

No chão tem três recipientes circulares de madeira, com água e tinta preta que refletem o teto.

No teto há 400 olhos de cerâmica feitos de argila. 

A artista chama isso de “pontuações”: pequenas peças de cerâmica penduradas.

Em cada olho de cerâmica pendurado há uma folha seca de cana-de-açúcar, sem caule. 

As folhas também ficam penduradas e descem sobre nossas cabeças.

Parece que o solo está em cima de nós.

A artista brinca com os olhares. 

Ela lembra dos homens e mulheres escravizados que foram forçados a cultivar canaviais.

Ela lembra das memórias transmitidas por essas pessoas escravizadas.   

Minia Biabiany trabalha há muitos anos sua ligação com as mulheres de sua família.

Essas peças da instalação representam objetos, pessoas, sentimentos e histórias de mulheres que vieram antes dela.

Os círculos de água escura são como portais.

Eles permitem ver de outros jeitos e também mostram nossa imagem junto com o espaço ao redor.

A instalação tem uma paisagem sonora que foi feita pelo designer sonoro Thierry Girard, o Thyeks.

O som tem três movimentos, como um ciclo natural.

O primeiro movimento é o chamado inicial, com sons mais profundos e lentos.

O segundo movimento é a migração, que traz a transformação, o movimento fluido.

E o terceiro movimento é a dispersão, que se propaga no espaço, com ecos imprevisíveis.

O canavial não é só um lugar de confinamento e exploração.

Também tem momentos em que as pessoas escolhem não se mostrar.

Aparecem figuras que desafiam o olhar.

Essas imagens lembram fugas, resistências e esconderijos.

Os olhos sem corpo e as vozes que ouvimos simbolizam a escolha de manter segredo no espaço rural negro.

Laure Prouvost

Laure Prouvost começou trabalhando com cinema estrutural, que é um tipo de cinema que foca na forma, no som e na percepção, mais do que na história.

Com o tempo, ela criou um estilo próprio chamado cinema expandido, que mistura vídeo, som, luz e objetos para promover uma experiência que envolve todos os sentidos do público.

Sua arte testa a imaginação e faz as pessoas pensarem sobre a realidade de forma diferente.

Faz as pessoas questionarem ideias e formas de ver o mundo que são muito usadas e aceitas.

Laure Prouvost sempre cria coisas novas, mudando as regras do jeito tradicional de usar o desenho, a escultura e os vídeos.

Ela mistura materiais naturais, como plantas, com materiais industriais.

Cria instalações que envolvem os sentidos e despertam a imaginação das pessoas.

A artista explora como a forma que percebemos o mundo se relaciona com grandes forças invisíveis que influenciam a nossa vida.

Para a 36ª Bienal, Laure Prouvost criou uma nova instalação multimídia chamada flow flower: bloom!.

A instalação é parecida com um lustre delicado e com movimento.

A instalação foi inspirada em um poema de Conceição Evaristo, que convida as pessoas a explorar novos caminhos e formas de ver, pensar, sentir, se mover e existir, usando todos os sentidos.

A obra foi feita especialmente para o espaço central do Pavilhão e une diferentes níveis do prédio e da exposição.

A obra está pendurada no local mais alto do Pavilhão e dá para ver de todos os andares pelo vão central.

O centro da instalação é uma planta trepadeira, que cresce livremente e encontra seus próprios caminhos durante a exposição.

O som do crescimento da planta é amplificado no espaço.

Junto com a trepadeira tem plantas secas e sementes, que podem cair sobre os visitantes e serem levadas e espalhadas para fora da exposição.

Do alto, desce um tecido muito grande e delicado em tom rosado.

As pontas do tecido estão presas em fios de aço e se mexem.

Elas sobem e descem em um movimento que lembra as pétalas de uma flor se abrindo.

A instalação toda também se movimenta para cima e para baixo.

No parte de dentro do tecido está uma penca de objetos que são os famosos seios de vidro produzidos pela artista.

Estes seios são transparentes com um pequeno um círculo avermelhado na ponta.

A instalação nunca se apresenta de forma única, pode estar diferente a cada visita.

Tanka Fonta

Tanka Fonta nasceu em Camarões e vive em Berlim.

Ele é artista visual, poeta, escritor, compositor e filósofo.

O trabalho de Tanka Fonta explora como pensamos e sentimos, e como nossas histórias e mitos influenciam nossa vida. 

O artista diz que busca escutar sua intuição e que sua missão é se reconectar e lembrar a língua da empatia.

O artista cria um “alfabeto” que vai além das palavras, ligando o que podemos ver e o que não podemos ver. 

Suas obras usam uma linguagem que talvez não possamos entender totalmente, mas que nos toca profundamente. 

Ele consegue falar conosco por meio da empatia e da conexão.

Na obra musical que criou para a 36ª Bienal, Tanka Fonta fala sobre um diálogo místico, como se fosse uma conversa entre ele e a própria essência da natureza.

Para ele, a grama, as pétalas e as árvores oferecem cantos únicos, que trazem mensagens sobre a interconectividade de toda vida, a fluidez do tempo e as energias universais que ligam todos os seres.

Para Tanka Fonta, os sentidos não limitam nosso entendimento da realidade, eles se entrelaçam. 

A ideia de sinestesia é muito importante no trabalho de Tanka Fonta. Para ele, cores e sons se misturam e se conversam. 

Ele também é compositor, e isso aparece em suas pinturas. Suas partituras mostram o que se ouve de forma visual, e o que se vê pode ser sentido de forma sonora.

O artista mostra um mundo com muitas realidades que se misturam. Juntas, essas realidades formam o que chamamos de “real”.

O eletromagnetismo ajuda a pensar nas relações entre seres. Ele é a parte da física que estuda como cargas e campos elétricos e magnéticos interagem. 

O que sentimos diante das cores – como calor, frio, alegria ou raiva – mostra como percebemos o mundo. 

Nosso cérebro interpreta sinais elétricos, e é assim que chamamos algo de “mundo”.

Na 36ª Bienal Tanka Fonta criou um projeto multidimensional chamado Filosofias do ser, da percepção e da expressividade do ser.

A obra tem três estações com fones de ouvido. 

O visitante pode ouvir três peças musicais, cada uma com sete partes, tocadas pela Orquestra do Theatro São Pedro. 

A música mistura vários instrumentos como violino, violoncelo, tuba, tambor, conga, djembe, violão, berimbau, alaúde africano e zanza. 

Também há vozes, cantos em grupo e solos. A música cria uma paisagem sonora que às vezes é cerimonial e às vezes meditativa.

Entre as músicas, há gravações de poesias, que funcionam como pequenas pausas e ajudam a contar a história da obra.

Em diálogo com a obra sonora, há um grande mural pintado com tinta acrílica na coluna central do Pavilhão da Bienal.

Esse mural lembra um estuário em forma de âncora.

Ele é dividido em seis partes ou seis constelações. Cada uma com temas diferentes, que podem ser vistas nos três andares do Pavilhão.

No mural estão pintadas formas abstratas, símbolos ligados entre si, espirais, círculos, linhas e cores fortes.

Na linguagem de Tanka Fonta, as pinturas falam sobre a criação, filosofia e a relação entre pessoas e natureza. 

A parte de baixo, que fica no primeiro pavimento, tem o fundo mais escuro, com as cores e formas sobre o fundo colorido mais no centro.

As colunas, nos segundo e terceiro pavimentos, estão envolvidas pelo mural com tons de vermelho e laranja que se misturam com tons de azul e branco.

Essa pintura mesclada cria uma atmosfera dinâmica que lembra o universo e a energia em movimento. 

O mural não é só uma imagem, mas funciona como mapa visual da música que se ouve na obra de Tanka Fonta.

O artista também escreveu um roteiro de performance, que é como um diálogo imaginário entre pessoas e plantas. Esse roteiro é lido ou encenado durante a Bienal, ampliando a instalação e convidando o público a pensar em novas formas de se relacionar com a natureza.

Moffat Takadiwa

Moffat Takadiwa trabalha com resíduos pós-consumo.

Ele usa teclados de computadores, tampas de garrafa, escovas de dente, tubos de escova de dente, tampas, botões e transforma em esculturas e obras de parede. 

As esculturas e as obras são cheias de camadas e se parecem com tapeçarias. 

O trabalho de Takadiwa é colorido e faz críticas ao consumismo e à desigualdade.

O artista também liga seu trabalho às tradições culturais da África, especialmente do Zimbabwe.

Ele faz bordados muito coloridos e detalhados nesses objetos.

Takadiwa é um artista importante do Zimbabwe.

Ele faz parte da geração de artistas que surgiu depois da independência do país.

Seu trabalho mostra a cultura Korekore do povo do artista no Zimbabwe.

Ele também fala sobre pós-colonialismo e meio ambiente.

Takadiwa criou o Mbare Art Space, um lugar para artistas em Harare.

Lá, ele ajuda a orientar muitos artistas.

Esse é o primeiro centro artístico do mundo que usa materiais reciclados para fazer arte.

Takadiwa fez um projeto especial para a 36ª Bienal de São Paulo.

Ele usou a ideia da arca de Noé para falar sobre a destruição do mundo e a necessidade de reconstrução.

A arca de Noé foi um abrigo para salvar os animais e ajudar a povoar o mundo novamente depois da destruição.

A obra de Takadiwa se chama Portal para mundos submersos.

A obra é uma instalação formada por diversas partes bem grandes.

Estas partes foram produzidas com pedaços de plástico e metal, unidos com linhas e bordados, formando grandes tecidos ou mantas.

Esses tecidos são esticados e com eles foi montado um abrigo que se parece com uma tenda. 

A tenda ocupa uma área de mais de 10 metros e chega a 4 metros e meio de altura.

É possível entrar e caminhar dentro da tenda.  

A tenda é uma espécie de portal que envolve o público como uma nave e leva para um futuro novo.

Takadiwa quer mostrar a ideia de atravessar, de passar para outro lugar.

O som da mbira, um instrumento musical com lâminas de metal, inspira essa passagem.

A mbira é usada em muitos países da África.

Ela traz energia para curar a terra que foi destruída.

Os pedaços de objetos descartados na obra simbolizam essa destruição.

A obra nos faz pensar sobre como o capitalismo, o racismo e a destruição do meio ambiente estão ligados. 

Ela também nos faz refletir sobre os problemas que causam desigualdade nos países da África. 

A instalação nos mostra como o lixo pode virar arte. 

A obra também fala dos desafios de hoje para lidar com a crise do clima. 

Ela sugere que a gente use a filosofia Ubuntu para construir um futuro com mais cuidado e sustentabilidade.

Ubuntu é um jeito de pensar e agir, vindo de línguas africanas, que valoriza a divisão de recursos, a união das pessoas, a ajuda mútua e a dependência entre todos.

Marlene Almeida

Marlene Almeida é artista e filósofa.

Nasceu em Bananeiras, na Paraíba, e estudou filosofia na Universidade Federal da Paraíba.

Ela é artista há mais de 50 anos.

Seu trabalho é inspirado pelas paisagens da Paraíba e de outros lugares.

Desde os anos 1970, Marlene Almeida pesquisa materiais como pigmentos naturais.

A terra é a base do seu trabalho, da sua poesia e das suas lutas sociais e ecológicas.

Ela mantém seu compromisso com um mundo mais justo.

Trabalha com pintura, escultura e instalações.

A artista une arte e vida a partir da força e do sentido do que é telúrico.

Telúrico é aquilo que tem origem ou força na Terra e na natureza.

Para Marlene, a arte começa nos locais que visita para pesquisar. 

Ela encontra cores, texturas e cheiros diferentes em cada tipo de solo.

Seu trabalho é cuidadoso e envolve várias áreas de conhecimento.

Ela faz expedições artísticas e científicas em muitos lugares do Brasil e do mundo.

Nessas viagens, Marlene Almeida aprende com as pessoas e com a natureza.

Ela pega pequenas amostras de terra.

Depois, ela organiza, prepara e usa essas amostras de terra para criar suas obras de arte.

No ateliê de Marlene, que também é um laboratório, ela guarda pedaços de rochas e argilas em frascos.

Esses frascos são como um grande arquivo que guarda a memória do chão de onde vieram.

Marlene mistura ciência, alquimia e poesia.

Ela transforma restos de falésias, vales, morros, estradas e cavernas em matéria-prima para sua arte.

A obra de Marlene Almeida que está aqui na 36ª Bienal se chama Terra Viva e é uma instalação.

A instalação está dividida em duas partes.

Uma delas mostra a parte de pesquisa como um pequeno laboratório.

Nesse espaço, estão muitas amostras de terras brasileiras, algumas em estado bruto e outras preparadas.

Também há resinas de plantas, minerais, rochas, equipamentos, materiais de testes, mostruários com cores, mapas e cadernos de anotações.

A outra parte da instalação traz grandes pinturas feitas em faixas de tecido de algodão cru que estão penduradas no teto.

As faixas estão unidas na parte de cima, perto do teto, e se abrem até chegar no chão.

As pinturas foram feitas com uma tinta natural especial.

A tinta é fosca e foi feita com os materiais que Marlene Almeida recolhe em suas expedições.

As formas das faixas de tecido lembram estradas, caminhos e trilhas percorridos na pesquisa de campo.

Também lembram as linhas geográficas e as camadas da terra dos lugares visitados.

No chão há pedaços de rochas naturais. 

As cores da instalação vêm das terras brasileiras, de uma grande cartela de cores do Brasil.

Adjani Okpu-Egbe

Adjani Okpu-Egbe é um artista e pesquisador que nasceu em Camarões, na África, e mora em Londres.

Sua arte é variada e envolvente. Ela mostra muito da vida do artista.

Ele usa cores fortes e vibrantes, símbolos e diferentes materiais para criar suas obras.

Suas pinturas têm figuras chamadas por ele de “manimals”, mistura das palavras homem e animal em inglês.

Essas figuras e símbolos ajudam a pensar sobre a vida e a convivência entre culturas.

Na 36ª Bienal de São Paulo, o artista apresenta três obras que são muito importantes em sua carreira.

As obras de Adjani Okpu-Egbe têm um estilo que  foi chamado de “shelving” pelo curador da Mostra. 

Shelving é uma palavra em inglês que significa colocar em prateleiras, 

Nesse estilo, o artista usa objetos cheios de histórias junto com suas pinturas. Ele coloca os objetos em prateleiras nas laterais das obras.

Ele usa portas de madeira como suporte das pinturas. 

Essas portas funcionam como uma metáfora: elas representam o que escolhemos guardar, dividir ou esquecer em nossas vidas.

Uma das obras se chama Fortitude.

Ela é formada por duas portas fechadas que tem ao centro a imagem de um manimal.

Esse ser tem a parte de baixo do corpo formada por um animal de quatro patas, branco e com um grande chifre. O manimal está de lado e olhando para a esquerda. 

Em cima dele, como se estivesse montado em um cavalo, está o tronco de uma figura mais parecida com uma pessoa. 

Essa figura tem pele marrom e cabelo preto e está com uma espécie de cobra vermelha enrolada no peito. Ela olha para o lado direito.

O fundo da obra é verde e na parte de cima há um peixe branco que parece voar perto do céu azul.

Dos dois lados, tem prateleiras com livros escritos por mulheres negras, como Conceição Evaristo, importante educadora e escritora afro-brasileira.

Com esse gesto, o artista valoriza escritoras diferentes daquelas que foram mostrados pelo patriarcado, pelo colonialismo e pela cultura branca dominante.

Outra obra de Adjani Okpu-Egbe, que se chama Premonição de Ngarbuh, é uma resposta do artista ao massacre violento que aconteceu no ano de 2020, em Ngarbuh, Camarões.

As mulheres e crianças são as principais vítimas de violência do governo de Camarões. 

A obra também foi feita em duas portas fechadas.

Ela mostra figuras que parecem fantasmas. 

Crianças negras brincam de pular corda ao lado de animais estranhos sobre o chão quadriculado em azul, branco e preto.

Atrás, uma parede em tom azul forte e vibrante.

Dos dois lados, nas prateleiras, o artista colocou objetos como um relógio, um aparelho de som e vasos repletos de limões amarelos.

Para o artista, os objetos das prateleira falam sobre perda e resistência. 

Com essa obra, ele denuncia a violência contra o povo camaronês e mostra como o processo de descolonização falhou no país, onde há guerra desde 2016.

A terceira obra de Adjani Okpu-Egbe se chama Uma conglomeração alegórica de origens e inevitabilidades.

Nela, o artista imagina futuros negros.

Sobre as duas portas, ao centro, está um homem de paletó. O paletó é feito de plástico bolha pintado de preto. 

Um tecido cobre o rosto do homem e há uma abertura no local dos olhos, onde estão quatro pequenas esculturas de aves negras com bicos vermelhos.

Atrás e ao lado desse homem, se espalham outras figuras humanas. Duas delas têm rosto de animal. Há também um peixe vermelho flutuando sobre uma montanha verde e o céu azul.

Nas prateleiras há vasos, bonecos de madeira, pote de vidro, relógio, lampião, tranças e limões em galhos.  

O artista cria nessa obra uma tapeçaria de lembranças pessoais misturadas com os símbolos.

Esses elementos refletem sobre o que ele chama de “consciência negra em futuros negros”, ou seja, como a identidade negra pode se projetar para o futuro.

Márcia Falcão

Márcia Falcão é uma artista visual do Rio de Janeiro.

Em suas pinturas, ela usa gestos fortes e tinta grossa.

A artista mostra a relação entre o corpo feminino e a própria pintura. 

Ela usa cores como marrom, vermelho e outros tons terrosos.

Ela pretende mostrar os corpos de forma intensa.

Márcia se inspira no subúrbio do Rio de Janeiro, onde ela cresceu. 

Suas obras falam sobre a violência que muitas mulheres sofrem, especialmente as mulheres negras e das periferias. 

As obras também mostram momentos de prazer. 

Suas pinturas criam uma mistura de sentimentos entre dor e alegria.

Os temas que ela escolhe são muito importantes e urgentes. 

As pinturas da artista aqui na 36ª Bienal são muito grandes.

São cinco telas com três metros de altura por dois metros e meio de largura.

Uma das pinturas se chama Capoeira.

As cores são tons de marrom, de bege e branco.

As pinceladas de tinta são soltas e largas.  

No centro, tem figuras humanas que parecem estar se movimentando. 

Essas figuras estão entrelaçadas e suas formas são bem soltas e leves. 

Quase não dá para perceber a diferença entre uma pessoa e outra.

Parece que uma pessoa está agachada e outra está inclinada para trás.

São vários braços e pernas abertos e soltos, no ar e no chão. 

A sensação é que as pessoas estão girando juntas e abraçadas.

O fundo da pintura é escuro e as pessoas são mais claras e ficam em destaque.

As pessoas parecem ter muito equilíbrio e força.

A pintura transmite a intensidade da capoeira.

E causa a sensação de movimento e de energia.

Helena Uambembe

Helena Uambembe é uma artista que nasceu em Pomfret, na África do Sul.

Ela vive e trabalha em Berlim, na Alemanha.

Os pais dela são angolanos que fugiram da guerra civil.

O pai era um soldado no 32º Batalhão da Força de Defesa da África do Sul.

A história do 32º Batalhão e de Pomfret é importante no trabalho da artista.

Ela também fala sobre sua herança angolana.

Em seu trabalho, ela conta histórias sobre os lugares.

Ela usa símbolos e documentos antigos para contar as histórias.

A obra de Helena Uambembe foi feita especialmente para a 36ª Bienal e se chama Long Long Long Ago.

Trata-se de uma instalação em vídeo baseada em histórias míticas que a própria artista escreveu.

Ela escreveu as histórias a partir de um conceito que se chama Deriva Continental.

Deriva continental é quando os continentes se movem para os lados e devagar sobre a Terra.

Isso aconteceu durante muito tempo na história da Terra.

Esse conceito mostra que Angola e Brasil podem ter sido ligados no passado.

Angola e Brasil também são ligados por causa do tráfico de pessoas escravizadas, do colonialismo e da luta pela independência.

As histórias de Helena são inspiradas em mitos da Grécia e da África e também em contos populares da África.

As histórias tentam mostrar causas míticas para os movimentos dos continentes.

Esses movimentos podem ter criado o mundo moderno que conhecemos.

As histórias falam sobre semelhanças entre montanhas de Angola e do Brasil.

Falam especialmente do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, e do Morro do Moco, em Huambo.

Na entrada da sala de projeção, do lado de fora, há um mural pintado.

Esse mural é uma parte importante do trabalho de Uambembe. Ela usa cores fortes e cores apagadas na pintura.

Do lado de dentro, na sala de projeção, há almofadas no chão onde as pessoas se deitam para ver as imagens projetadas no teto.

No vídeo, sombra e luz se misturam com a voz da artista. Tudo é preto e branco.

No trabalho dela, tem imagens de presenças que parecem fantasmas. 

Ela repete e relembra imagens antigas para criar o trabalho.

Uma história que ela conta se chama “O irmão gigante teimoso” e fala de dois irmãos que são gigantes. 

São enormes e pesados. 

Ambos são especiais, mas vivem competindo, o que sempre acaba em brigas. 

São iguais em força e o peso de seus passos é tão intenso que é sentido na terra, criando colinas, crateras e montanhas.

Um dia, tiveram um desentendimento tão grave que lutaram por muito tempo. 

Como nenhum dos dois cedia, acabaram por separar as terras, transformando a paisagem, a natureza e até mesmo o próprio conceito de tempo.

Outra história se chama “O lamento do Atlântico”.

Conta que a separação das terras foi sentida por todas as criaturas — grandes e pequenas, mágicas e humanas. 

Esta história fala sobre uma mulher mágica que desejava profundamente ter um filho. 

Quando finalmente seu desejo foi atendido, ela foi separada de sua criança por causa dos gigantes teimosos. 

A mulher chorou durante milhares de anos, enchendo com suas lágrimas o vazio deixado pela separação das terras. 

Enquanto chorava, seu coração se amargurou, até que amaldiçoou o oceano que havia se formado com suas próprias lágrimas.

As histórias de Helena Uambembe falam sobre um equilíbrio que foi perdido há muito tempo.

Esse equilíbrio está ligado a ciclos de dor causados por conflitos.

Esses conflitos juntam forças parecidas e perigosas.

As marcas dessas lutas ficam para quem vem depois.

Quem mais sofre nessas lutas é quem menos é visto, ouvido ou reconhecido.

Juliana dos Santos

Juliana dos Santos nasceu e vive em São Paulo. Ela é artista visual.

Ela trabalha com instalação, vídeo, pintura, performance e fotografia.

A artista explora o azul que retira de uma flor chamada Clitoria ternatea.

Essa experiência mostra sentimentos e ideias.

A pesquisa de Juliana mistura arte, história e educação.

Ela quer entender como artistas negros mostram suas histórias.

Quer entender também por que enfrentam dificuldades para serem representados.

Ela diz que essa cor azul da flor é uma forma de sentir e compartilhar.

É algo que todo mundo pode sentir. 

Ela percebe que quanto mais fala sobre o azul, menos ele é só do trabalho dela.

Juliana conta que o azul apareceu no trabalho dela como um jeito de falar sobre coisas diferentes da realidade violenta de ser uma pessoa negra.

Para ela, o azul é uma forma de encontro e de compartilhar sentimentos.

E a cor azul tem muitos significados e histórias diferentes nas memórias.

A obra de Juliana é um espaço formado por oito paineis que estão pendurados no teto.

Os paineis são pintados com tinta aquarela e pétalas da flor Clitoria ternatea.

A flor mostra como a tinta aguada se move em caminhos pelos paineis.

Esses caminhos parecem desenhos feitos pela água. 

Eles se juntam em partes pequenas e grandes.

É como se alguém tivesse assoprado e conduzido esses caminhos.

A obra é um espaço onde parece que as pessoas entram em uma colcha de retalhos. 

Ela une duas técnicas de costura de tecido, o quilt e o patchwork.

Faz com que essas ideias conversem. 

Isso acontece porque mistura padrões diferentes.

Um padrão é mais livre, como o das formas orgânicas, e outro mais organizado, como o das formas geométricas.

O convite é para observar os diferentes tons de azul da flor Clitoria e como eles mudam com o tempo.

Essas mudanças são comparadas com as cores artificiais, feitas pelo homem, que não mudam. 

Assim, a ideia é criar um espaço para perceber os diferentes ritmos e transformações que acontecem durante a 36ª Bienal.

Lidia Lisbôa

Lidia Lisbôa nasceu em Terra Roxa, no Paraná, e vive em São Paulo.

Sua prática abrange escultura, crochê, performances e desenhos.

As pesquisas da artista tratam de biografias, paisagem, corpo e memória, por meio de materiais que registram seu gesto.

Ela entende a costura de uma forma ampliada. A artista faz da costura uma escolha, uma estratégia de sobrevivência, de recuperação de si mesma e de construção de memórias.

O nascimento e a transformação são temas recorrentes em seus trabalhos, com títulos de obras tais como útero e casulo.

Na 36ª Bienal, a instalação com obras da série Tetas que deram de mamar ao mundo, homenageia as mulheres.

A instalação é formada por quatro obras que pendem do teto.

As peças são grandes e volumosas e foram feitas em crochê, formando redes com nós próximos que podem ser vistos.

Três delas tem uma forma muito semelhante a um peito com o mamilo direcionado para baixo. Lembram peitos fartos e aconchegantes.

Uma obra tem tons claros de bege e rosa.

A segunda tem camadas de vermelho intenso, rosa e vinho escuro, com outras faixas em verde e preto. 

A terceira traz faixas vibrantes de vermelho laranja e amarelo e, de toda elas, saem um fio na parte que seria o mamilo, representando o leite que escorre.

Há também uma forma suspensa em tom ocre e laranja queimado, em formato quase retangular, suspensa pelas quatro pontas, formando uma espécie de berço que acolhe como uma rede.

Ao tecer histórias em vez de narrá-las, Lidia Lisbôa ecoa anseios, medos e desejos comuns, que muitas vezes são ocultos ou disfarçados pela sociedade.

Leonel Vásquez

Leonel Vásquez é um artista colombiano que trabalha com artes visuais e artes sonoras.

Ele usa o som para criar experiências que podemos sentir.

O som atravessa espaços e está em suas esculturas e instalações.

Leonel quer ampliar o jeito de ouvir.

Ele quer que ouvir seja algo mais.

Para ele, ouvir pode ser uma ação política e estética.

Também pode ajudar a unir pessoas em lugares com problemas sociais e ambientais.

Ele se interessa pelo ato de ouvir e de unir pessoas como forma de resistência.

Também pensa nas memórias feitas com sons em lugares de conflito armado.

Ele estuda como o som e o silêncio funcionam juntos.

O artista gosta dos sons que vêm da água e dos lugares aquáticos.

Ele usa o som para ajudar as pessoas a se reconectarem com a natureza.

A obra que está na 36ª Bienal se chama Templo da Água: Rio Tietê e é uma instalação.

A instalação fica em uma sala fechada e escura.

A obra está montada em uma base de madeira clara e em forma de círculo. 

O primeiro “Templo da Água” criado por Vásquez foi feito junto com o rio Bogotá, na Colômbia.

Quando o Templo veio para São Paulo, com o rio Tietê, ganhou novos significados.

O rio Tietê foi muito importante para a formação da cidade de São Paulo.

No começo, o rio ajudou a definir como as pessoas viviam.

Mas, com a cidade crescendo, São Paulo se afastou dos rios.

Os rios foram canalizados, sujos e afastados da paisagem e do dia a dia.

Um rio canalizado é um rio que foi coberto ou colocado dentro de canais de concreto para controlar seu caminho.

Mesmo assim, ainda podemos ver sinais da presença dos rios.

No Parque Ibirapuera, onde fica o Pavilhão da Bienal, tem o córrego do Sapateiro.

Esse córrego nasce no parque e vai até o rio Tietê.

Ele nos lembra que há muitas águas invisíveis que ainda sustentam a cidade.

A instalação Templo da Água: Rio Tietê é um lugar tranquilo e serve para pensar.

A instalação tem formato circular e isso ajuda as pessoas a se sentirem juntas.

Elas podem sentir o som e se reconectar com o rio, com os outros e consigo mesmas.

Longas flautas de cobre estão penduradas no teto. Elas têm bulbos de vidro transparente ligados a elas.

Um sistema de movimento faz as flautas mergulharem em tigelas de vidro.

As tigelas de vidro tem formato de sino invertido e tem água dentro.

A água enche e esvazia os bulbos e cria pressão de ar.

A pressão faz as flautas tocarem um som.

Esse som lembra a tecnologia dos vasos silbadores, que são vasos que fazem barulho com água.

Essa tecnologia foi criada por povos andinos, como os Quimbaya, na Colômbia.

As águas limpas do começo do rio Tietê foram usadas na obra.

Essas águas recebem ar para ficar oxigenadas o tempo todo.

As flautas emitem sons que passam pela água.

Isso cria um som que lembra o ciclo da vida.

Perto da obra, há bancos para as pessoas sentarem e apreciarem.

Os bancos convidam os visitantes a se envolverem com o som do rio.

Ouvir esse som ajuda a curar a pessoa e o meio ambiente.

Depois da 36ª Bienal de São Paulo, essas águas vão voltar para o rio Tietê.

Antonio Társis

Antonio Társis é um artista brasileiro que vive em Londres.

Ele trabalha com várias áreas da arte. 

Suas instalações misturam som, estruturas e materiais para mostrar como o consumo humano afeta os recursos da natureza.

Nas obras de Antonio Társis, ouvimos sons como a água quente borbulhando, o apito do vapor e o barulho do carvão batendo em atabaques.

Atabaques são tambores artesanais de sua comunidade, no bairro do Cabula, em Salvador.

Esses sons criam cenários que mostram como a ação humana causa extração, consumo e destruição.

Antonio Társis é um artista autodidata, ou seja, ele aprendeu por conta própria.

Ele é conhecido por usar caixas de fósforo recicladas e outros materiais que encontra.

Esses materiais aparecem em suas colagens e em outras obras.

Desde os primeiros trabalhos, ele usa caixas de fósforo e lixo eletrônico.

Eles carregam memórias de trabalho e mostram o peso da experiência humana.

Uma caixa de fósforos cheia pode virar um instrumento.

Quando chacoalhada, o som dos palitos se mistura aos outros sons criados pelo artista.

Ele também usa materiais como metal, papel, cimento e fogo.

Todos juntos formam um coro forte e experimental.

O artista chama essas criações sonoras de “caos coletivo”.

Elas começam, crescem até um ponto alto e depois chegam à catástrofe.

Mesmo assim, no centro delas ainda existe a persistência da vida.

Essa força aparece como uma música quase silenciosa, onde sons pequenos e quase invisíveis mostram que a vida continua, apesar do abandono causado pelo colonialismo e pela política.

O artista reflete sobre como o trabalho é organizado no mundo e como isso afeta diferentes comunidades. Ele questiona principalmente o impacto deixado pela mineração.

A obra de Antonio Társis que está na 36ª Bienal se chama catástrofe orquestra #1 (Ato I) e é uma instalação.

A instalação é composta por 11 painéis quadrados e retangulares enormes que se parecem com paredes. Eles estão pendurados no teto, por grossos fios vermelhos.

Os painéis são feitos de caixas de fósforo abertas, recortadas e coladas junto com pequenos pedaços de outros materiais e papéis coloridos, formando uma espécie de mosaico de milhões de pecinhas e cores.

Os painéis tem algumas áreas vazias por onde passa a luz que entra pela janela. 

No teto também estão penduradas cordas com pedras pretas de carvão, que descem até o chão. Essas cordas se movimentam e com o impacto as pedras de carvão podem se quebrar.

Quando chegam ao chão, as cordas de carvão formam montinhos sobre pedaços de madeira clara ou ao lado de panelas de barro. 

Algumas cordas caem perto de alto-falantes que têm pedras de carvão no centro que trepidam com o som que sai dali. 

Os sons dos alto-falantes são uma paisagem sonora composta por ruídos e vozes humanas.

Outras cordas fazem o carvão bater nos tambores e tocar.

Durante a Bienal, os fragmentos do carvão que se parte e outros detritos da colagem dos painéis vão se misturar e, aos poucos, transformar a obra.

O próprio artista disse que a instalação é uma tentativa de criar um espaço onde se misturam coisas diferentes: os materiais, a destruição, o barulho, a frieza das grandes tecnologias e a humanidade.

Ele nos mostra o impacto danoso que causamos juntos no mundo.

Mao Ishikawa

Mao Ishikawa nasceu em Ōgimi e vive em Tomigusuku, no Japão.

Mao Ishikawa é fotógrafa e ativista. 

Ela é conhecida por registrar a vida em Okinawa, no Japão, e por criticar a presença militar dos Estados Unidos na região.

A ilha de Okinawa foi ocupada pelos militares dos Estados Unidos durante 25 anos.

As fotos de Mao Ishikawa mostram garotas que trabalham em bares, artistas, soldados e pessoas de comunidades marginalizadas. 

Seu olhar é íntimo e direto, revelando as realidades sociais dessas pessoas.

A artista se destaca por se aproximar das pessoas que fotografa.

Ela vive ou trabalha perto delas para capturar como elas vivem e como são seus ambientes.

Assim, suas fotos mostram a essência da vida e das experiências dessas pessoas.

Mao Ishikawa não faz fotos para acusar ou mostrar de forma exótica os problemas das forças militares.

Ela mostra as relações de afeto e solidariedade entre pessoas que vivem juntas.

Nas fotos, aparecem soldados de baixa patente, na maioria negros e longe de seu país, e mulheres de Okinawa em trabalhos menos valorizados.

Essas pessoas vivem em um território que historicamente recebe menos atenção do governo japonês.

Ela também fez fotos fora de Okinawa, quando viajou para a Filadélfia, nos Estados Unidos, e passou cerca de dois meses convivendo com Myron Carr, seu amigo e ex-soldado.

Com um olhar muito sensível, ela mostra de onde vêm os homens com quem convivia em Okinawa.

Longe do ambiente militar, suas fotos registram encontros entre amigos e família, crianças brincando, conversas no sofá e caminhadas pelas ruas da cidade.

Na 36ª Bienal estão expostas quase 40 fotografias de Mao Ishikawa, todas em preto e branco.

A obra Sem título, da série Flor vermelha – As Mulheres de Okinawa, mede 38 centímetros de altura por 48 de largura e mostra duas jovens mulheres em uma sala.

As duas mulheres estão no chão, que é coberto por um tapete fino e escuro com algumas dobras. 

A mulher que está do lado esquerdo da fotografia está deitada no chão, com os braços para cima e os cotovelos dobrados ao lado da cabeça. Ela apoia os pés na parede de madeira que fica ao fundo e tem os joelhos dobrados. Ela veste uma calça comprida e camisa estampada. Os cabelos estão soltos e se espalham no chão, mas não dá para ver seu rosto.

A segunda mulher, que está do lado direito da fotografia, está sentada com as costas encostadas na parede de madeira ao fundo. Ela está com os olhos fechados e a boca levemente aberta. Seus cabelos são longos, lisos e escuros e estão caídos sobre os ombros. Os braços estão esticados e as mãos repousam nas coxas. As pernas estão retas para frente e ela está descalça. Ela veste uma calça que vai até o joelho e um top estampado, com a barriga aparecendo.

Quase ao centro da foto e em primeiro plano, perto das pernas da jovem da direita, estão duas garrafas de bebida, cinzeiros, copos e alguns papéis.

Do lado esquerdo da foto, há uma porta aberta que parece levar para uma área externa, por onde entra luz.

Outra fotografia de Mao Ishikawa, que se chama Sem título, da série Vida em Filadélfia, também mede 38 centímetros de altura por 48 de largura.

Essa foto mostra quatro crianças negras fazendo pose em cima e ao lado de duas motos que estão estacionadas de lado.

Em primeiro plano, à esquerda, uma garota sorri olhando para a câmera. Seus olhos são escuros e brilhantes e os cabelos estão presos com uma trança que passa no alto da cabeça. Ela tem o corpo inclinado para a frente e o braço direito levantado com o cotovelo dobrado, levando o pulso até a boca. Ela veste short e blusinha curta com estampa clara.

Um pouco mais atrás, outra menina um pouco maior, com o corpo mais de lado, ergue o braço com o cotovelo dobrado. Os olhos e os cabelos são escuros. Ela sorri amplamente e mostra os dentes grandes e brancos. Ela também usa short e blusinha curta.

Depois dela, mais atrás, um garoto está sentado no banco da moto, mas olha para o lado em direção à câmera. Ele estica o braço esquerdo e mostra a palma da mão. A mão direita está fechada sobre o peito. O menino tem o cabelo escuro bem curto e sorri. Veste short e camiseta de listra.

Do lado direito e superior da foto, sobre a segunda moto, outro garoto. Ele está sentado no banco, com uma perna esticada no tanque da moto e a outra para baixo. Ele apoia a mão esquerda atrás do corpo, com o braço esticado, e inclina o corpo para trás. Mais sério, o menino também olha para a câmera.

Mao Ishikawa disse, certa vez, em uma entrevista: “Você pode pensar que sou uma pessoa ousada, mas também sou muito sensível. Eu amo os seres humanos. Essa é minha principal motivação, e isso me dá coragem para me aproximar deles.”

Maxwell Alexandre

Maxwell Alexandre nasceu em uma família evangélica, no Rio de Janeiro.

Ele nasceu na Rocinha, que é uma das favelas mais populosas da América Latina.

Maxwell Alexandre foi skatista profissional de rua por muitos anos e também serviu no exército.

Mais tarde, estudou design na PUC-Rio. Foi nesse período que ele teve contato com a arte.

Logo depois, ele entrou no mundo artístico e se tornou um dos jovens artistas mais importantes da arte contemporânea no Brasil.

O trabalho de Maxwell Alexandre muitas vezes quebra as regras tradicionais da pintura ocidental.

Um exemplo disso é o uso do papel pardo como material principal de suas obras. 

Esse papel costuma ser visto como simples ou sem valor, mas o artista o transforma e valoriza com sua pintura.

Essa escolha tem também um sentido político.

No Brasil, a palavra “pardo” pode ter muitos significados.

Maxwell Alexandre usa o papel pardo para provocar reflexão sobre essas diferentes interpretações.

Em suas pinturas, Maxwell Alexandre mostra pessoas negras que podem ser reais ou imaginárias.

Elas aparecem com marcas de poder, como roupas e postura corporal, mas ele aponta que esses corpos também sofrem com a perseguição do Estado e a violência policial.

Na série Novo poder, Maxwell Alexandre ensaiou uma ocupação negra majoritária dentro do espaço branco de museus e galerias.

Esses lugares, por muito tempo, excluíram a presença negra.

O artista também se inspira na poesia do rap brasileiro para criar suas obras.

Maxwell Alexandre leva sua arte para lugares fora dos museus e galerias.

Ele mostra suas obras em espaços da própria comunidade, como a Rocinha, e em outros locais onde a arte contemporânea geralmente não chega.

Um exemplo é a instalação Encruzilhada, que foi mostrada primeiro no Paço Imperial, no Rio de Janeiro. Depois, foi apresentada no Morro do Santo Amaro, também no Rio.

No Morro do Santo Amaro, a obra ganhou novo sentido e energia, porque passou a se relacionar diretamente com a comunidade dali.

A 36ª Bienal de São Paulo apresenta a obra de Maxwell Alexandre chamada Galeria 2, da série Cubo branco.

A obra é uma instalação onde paredes são construídas de papel branco e formam uma galeria.  Na parte de dentro, sobre as paredes brancas, há folhas de papel pardo sem pinturas.

A instalação conversa com as formas e estruturas que por muito tempo governaram a narrativa da arte.

Outra obra de Maxwell Alexandre na Bienal se chama Sem título. Esta é uma obra conceitual, pois se trata de um papel pardo sem pintura com uma moldura dourada em volta, que fica no espaço climatizado.

Espaço climatizado é um local com temperatura controlada e normalmente reservado para obras históricas. 

Maxwell Alexandre cria novos espaços dentro da história da arte.

O trabalho de Maxwell Alexandre muda a ideia de belo, mostrando que ela também pode ser uma força radical.

Essa força desafia regras antigas e denuncia a violência histórica contra pessoas negras e excluídas na arte.

Isa Genzken

Isa Genzken nasceu em Bad Oldesloe, na Alemanha. Ela vive e trabalha em Berlim

Ela é uma artista que trabalha há mais de cinquenta anos.

Ela é conhecida por criar esculturas, instalações e filmes que mostram a vida atual. 

Desde o fim dos anos 1990, Isa usa objetos do dia a dia para falar sobre o consumo. 

Ela mistura esses objetos com materiais de decoração e com imagens da mídia e fotos pessoais. 

Isa chama esses objetos de “materiais do mundo real”. 

Entre eles estão brinquedos feitos em grande quantidade, produtos baratos, caixas de papelão e um tipo de plástico brilhante chamado Mylar. 

Com tudo isso, ela cria montagens, obras para pendurar na parede e cenários em diferentes tamanhos.

Ela usa  materiais descartados em muitas de suas obras.

Isa Genzken também se interessa pelo espaço social e pela interação com o público. 

Ela usa espelhos e superfícies que refletem, para que as pessoas se vejam dentro da obra. 

Suas esculturas e instalações convidam o público a se mover e mudar de posição em relação a elas.

As ações das pessoas viram parte da obra e ajudam a criar uma sensação de surpresa e liberdade. 

Isa Genzken faz cenas em tamanho real com manequins. 

Ela veste esses manequins com roupas dela usadas e outras roupas de trabalho e de proteção. 

Depois, coloca materiais de decoração e tinta spray. 

Alguns manequins têm os olhos cobertos com folhas brilhantes ou a boca tapada com fita colorida. 

Essas figuras são como autorretratos da artista.

Aqui na 36ª Bienal, Isa montou uma cena com nove manequins.

Ela coloca os manequins como atores, que parecem contar histórias.

Nessas histórias, ela mistura assuntos políticos, o corpo e a mídia. 

O grupo também pode ser uma família. Pode mostrar as relações humanas.

Dois manequins desta cena aqui na Bienal são maiores, como adultos.

Um deles tem corpo de homem, é preto e usa roupas pretas. 

O outro manequim que parece adulto é uma mulher jovem, branca, de calça amarela, os seios cobertos por dinheiro e um casaco nas costas.

Os outros sete manequins têm tamanho de criança e se parecem com crianças.

A maioria deles está com o corpo nu e com roupas coloridas colocadas em cima, mas sem vestir totalmente.

Alguns usam bonés.

Parece que o grupo de manequins observa o ambiente e os visitantes que passam.

A própria Isa Genzken diz que, com essa obra, ela quer animar as pessoas e mostrar um espelho para elas.

Michele Ciacciofera

Michele Ciacciofera nasceu em Nuoro, na Itália e vive em Paris.

Ele pesquisa as relações entre pessoas e o meio ambiente.

O artista mostra como essas relações aparecem em histórias, mitos e culturas diferentes.

Seu trabalho convida as pessoas a observarem e sentirem a obra a partir das suas próprias experiências.

Ele reconhece que cada indivíduo percebe e se conecta com o mundo de forma única.

Sua preocupação com a ecologia começou na época em que estudava ciência política. 

Por isso, em seu trabalho, ele também se interessa por técnicas tradicionais de construção, ligadas ao cuidado com a natureza.

Um exemplo importante é o Nurago, que é um tipo de construção de pedra muito antiga, feita na ilha da Sardenha, no sul da Itália, onde o artista nasceu.

Michele Ciacciofera estuda essas técnicas tradicionais com muito cuidado.

A partir delas, ele cria esculturas e instalações, muitas vezes em parceria com artistas locais.

A obra de Michele Ciacciofera apresentada 36ª Bienal se chama O ninho do eterno presente. 

Na instalação, o artista usa uma técnica chamada pau a pique, um jeito tradicional de construir casas.

O pau a pique foi muito usado no Brasil durante o período colonial.

Essa técnica utiliza materiais locais, como argila, madeira e cascalho.

O processo é feito à mão e mistura conhecimentos de povos indígenas, de comunidades negras da diáspora africana e de tradições europeias.

Diáspora africana é o movimento de milhões de pessoas africanas que foram escravizadas e tiradas de seus territórios à força e levadas para outras partes do mundo.

A instalação é sonora e foi pensada como um concerto eletrônico em várias camadas.

O som é muito importante na obra. 

O artista usa o canto de trinta tipos de pássaros e mistura com tecnologia digital.  Isso cria um diálogo entre o natural e o tecnológico. 

Os sons convidam o visitante a se sentir dentro da instalação, enquanto caminha entre as esculturas.

Na instalação há um grande ninho marrom escuro no chão, feito de pau a pique. 

Ele tem forma de círculo, é um pouco alto e tem uma cavidade no centro. Essa cavidade é forrada com uma espécie de palha e nela estão três grandes ovos brancos feitos com papel machê.

Junto ao ninho há quatro grandes esculturas de aves estilizadas, também feitas em papel machê. 

As esculturas estão sobre pilares de pau a pique em tom marrom escuro. Os pilares são redondos e altos.

Uma das esculturas é a cabeça de uma ave pintada em amarelo forte. Ela tem um bico grande e pontudo virado para baixo e olhos bem pequenos.

A segunda escultura é uma ave vista do peito para cima. Essa ave é azul vibrante, tem o bico pequeno apontado para frente e olhos vermelhos.

A terceira escultura é formada por três partes, uma em cima da outra, que formam o corpo e a cabeça da ave. A parte de baixo é mais achatada e é pintada de rosa claro e branco. A parte do meio é oval e comprida, e forma o corpo branco da ave. A de cima é redonda, cor de rosa claro, com um bico preto apontado para cima e olhos pequenos e azuis.

A última ave é baixa, tem o corpo verde ovalado, o pescoço e a cabeça cor de laranja, com o bico apontando para o chão. O rabo é marrom com a ponta laranja.

A instalação também se inspira no poema persa “A conferência dos pássaros”, em que aves atravessam vales místicos para buscar o autoconhecimento coletivo. 

A obra também se conecta com a descoberta de ninhos fossilizados de dinossauros em Minas Gerais. 

Ela cria uma ligação simbólica entre o passado pré-histórico, a espiritualidade e um futuro em que humanos, animais e paisagens compartilham um destino comum.

A instalação mostra a importância de como os elementos escultóricos estão colocados e se relacionam entre si. 

Ela lembra agrupamentos de pedras grandes e também reuniões de pessoas em encontros espirituais. 

Ao destacar o poder de se reunir, o artista sugere que construir uma casa – ou, neste caso, um ninho – é um gesto importante de humanidade.

Bertina Lopes

Bertina Lopes nasceu em Maputo, em Moçambique, e morreu em Roma em 2012.

Ela foi pintora, escultora e ativista.

Filha de mãe moçambicana e pai português, estudou em Lisboa, onde teve contato com o modernismo português.

Exilou-se em Roma em 1963, onde viveu até seu falecimento.

Sua obra é marcada pelo engajamento político, pelo diálogo entre culturas e pela afirmação de identidades africanas.

A artista foi pioneira do modernismo africano.

Bertina Lopes introduziu uma fusão de formas que refletiam sua realidade política como mulher negra em meio à guerra e ao exílio.

Sua obra é marcada pela subversão de estilos e gêneros, brincando com princípios do surrealismo, cubismo, abstração e pintura gestual, que são movimentos e estilos de arte.

A produção da artista sempre apresentou uma liberdade de estilo, desafiando definições.

Ela era profundamente ligada aos movimentos políticos moçambicanos.

Suas primeiras pinturas têm traços do surrealismo e mostram anseio pela independência do país.

Os trabalhos iniciais da artista apresentam uma figuração gestual que evoca o cotidiano sombrio dos moçambicanos, sob a dominação colonial.

A abstração da figura já aparecia em sua prática desde cedo.

A guerra civil que ocorreu após a independência de Moçambique, em 1975, reforçou as referências de Bertina Lopes à abstração modernista.

Seus trabalhos ganharam perspectivas dinâmicas e maior carga simbólica.

Exilada em Roma durante grande parte da vida, a artista manteve um compromisso enorme de explorar a identidade moçambicana sob regimes políticos opressivos.

Esse diálogo com o simbolismo e a identidade cultural africana, manifesta-se na presença de totens de comunidades africanas em sua obra.

Totem é uma escultura que costuma representar as histórias, crenças, espiritualidades e identidades de um grupo.

A artista coloca a contribuição de seu país no centro de sua produção.

Bertina Lopes sempre esteve um passo à frente dos movimentos modernistas.

Ela trabalhou com elementos do impressionismo e do cubismo, estilos que eram considerados europeus.

A obra de Bertina Lopes permanece enigmática.

As pinturas da artista que estão aqui na 36ª Bienal, não seguem a rigidez do formalismo.

São mais de 20 pinturas expostas aqui.

Sem título, uma grande tela que a artista produziu em 1977, mede um metro e quarenta de altura por dois metros de largura. 

Toda a tela é composta por formas abstratas em cores vibrantes: azul-claro, azul-escuro, vermelho, laranja, rosa e bordô.

As formas fazem curvas e se encaixam umas nas outras. As cores sólidas fazem fundo para diversos traços finos que preenchem e deixam marcas.

Do lado inferior esquerdo se destaca uma forma ovalada que se parece com um feijão na cor preta. No centro dele, aparecem vários círculos. O que está no centro de tudo é preto, depois vem um laranja, um bordô que tem tracinhos verticais pretos, outro rosa com tracinhos pretos, mais um rosa, um bordô e no final um laranja. Este conjunto de círculos dá a impressão de ser um olho atento. 

Em torno dessa forma que lembra um feijão, há outra forma orgânica em preto que está quase coberta de finos traços verticais em rosa. Dentro dela, do lado direito, há um círculo com vários círculos dentro, como um novo olho.

Do lado esquerdo, em cima, outra forma alaranjada se encaixa na forma coberta de traços rosa. Em torno dela, mais formas em azul-claro preenchida de traços verticais e curvos, na cor preta.

No canto inferior direito, uma forma quase retangular em laranja vem antes de outras parecidas em torno dela. Uma em laranja com traços pretos, outra bordô com traços rosa e, por fim, uma forma em azul-escuro.

Outras formas orgânicas, circulares, com e sem traços sobre elas, compõem o restante da obra.

Essa não é a primeira vez que Bertina Lopes é convidada a participar da Bienal.

Ela foi incluída na 7ª edição, em 1963, mas recusou-se a participar como artista de Portugal porque era o país colonizador.

Essa postura firme ecoa agora em sua atual participação, a maior exposição da artista já realizada no Brasil.

Maria Auxiliadora

Maria Auxiliadora nasceu em Campo Belo, Minas Gerais e mudou ainda criança para São Paulo.

Ela faleceu aos 39 anos em decorrência de um câncer.

Ela foi a quarta filha de uma família de agricultores, composta de dezoito irmãos.

Sua família residiu em diversas regiões da cidade, incluindo a Casa Verde, um conhecido bairro de sambistas.

Maria Auxiliadora começou a trabalhar muito jovem, por volta dos doze anos, e precisou parar de estudar.

Ela foi babá, copeira, cozinheira e também bordadeira, até conseguir se dedicar exclusivamente à pintura.

Como muitos outros artistas negros, Maria Auxiliadora não estudou formalmente arte, mesmo tendo crescido em uma família muito artística.

Em sua família havia escritores, pintores e músicos.

A mãe de Maria Auxiliadora era artista. Ela esculpia figuras em madeira e vendia na praça da República.

Dizem que foi a mãe de Maria Auxiliadora quem a incentivou a pintar. 

Seu envolvimento profissional com as artes durou pouco, já que ela faleceu cedo, mas ela produziu bastante e seus trabalhos circularam bastante. 

Maria Auxiliadora conheceu críticos e colecionadores que ajudaram a mostrar seu trabalho.

Apesar disso, sua obra era muitas vezes chamada de primitiva ou naif.

Naif foi definida como a arte realizada por amadores ou pessoas que aprendem por conta própria, e ficam fora do circuito oficial das artes. Essa definição tem uma grande carga de preconceito.

Chamar as obras de Maria Auxiliadora de Naif é uma forma simplista e elitista de olhar para a arte dela.

Esse rótulo não reconhece as qualidades técnicas e criativas do trabalho da artista.

Maria Auxiliadora frequentou o grupo liderado pelo poeta Solano Trindade em Embu das Artes.

Em 1971, conseguiu sua primeira exposição individual na biblioteca do consulado dos Estados Unidos, em São Paulo.

Maria Auxiliadora desenvolveu uma técnica própria de pintura.

Entre suas inovações estava a aplicação de preparado de gesso nas pinturas. Isso dava uma tridimensionalidade ao trabalho.

Sua técnica mostra detalhes cuidadosos, especialmente nos rostos, mãos e roupas.

Isso dá às obras um sentimento de intimidade e autenticidade.

As cores vivas e fortes realçam a vitalidade dos personagens.

A composição sublinha os detalhes que humanizam e destacam cada pessoa retratada.

O cuidado com os detalhes e as cores mostra que Maria Auxiliadora tinha atenção especial à estética.

Isso fortalece a história que suas obras contam, valorizando a cultura e a vida de pessoas negras.

O tecido e a moda aparecem com frequência nas obras da artista, especialmente o bordado, que é um traço marcante de seu trabalho.

Ela combina realismo com elementos de imaginação, principalmente nas obras que mostram temas das religiões afro-brasileiras.

Maria Auxiliadora criou uma poética da intimidade negra.

Suas pinturas têm predomínio de uma linguagem centrada na intimidade.

Suas pinturas mostram cenas do dia a dia, da família, da religião, do trabalho e de festas da sua comunidade, sempre com alegria e cuidado.

Suas obras expressam um sentimento de pertencimento capaz de simbolizar uma existência coletiva.

Na 36ª Bienal, há um conjunto de sete obras.

Uma delas, que se chama Hora do Almoço, é uma pintura feita com tinta óleo sobre tela.

A tela mede 65 centímetros de altura por 81 centímetros de largura e mostra uma animada refeição na cozinha.

Na parte direita da obra, do centro para baixo, está uma grande mesa de pés rosados e coberta com uma toalha de fundo bege com flores brancas. Sobre a mesa, várias travessas e tigelas com comida, garrafas de bebida, talheres, pratos e copos.

Ao redor da mesa estão sentadas três mulheres negras, com tons de pele diferentes. Elas têm os cabelos pretos e volumosos e usam roupas azuis, vermelhas e brancas. Elas se olham e parecem falar com animação.

Há também um jovem negro que usa camisa bege e come um espetinho. Outro rapaz de blusa e calça ocre estica o braço para pegar o copo que a jovem de vestido vermelho do lado direito, está oferecendo a ele. 

Além deles há um homem negro usando roupa verde e outro homem que veste roupa azul. Com a mão direita ele segura um alimento e com a esquerda segura a mão de uma menina pequena que está atrás dele.

Do lado esquerdo da mesa, há uma mesinha menor, onde estão sentadas quatro meninas.

Do centro da obra para cima, temos os armários cor de rosa da cozinha, com um fogão azul ao centro e a geladeira à esquerda. Muitas frutas e saladas estão sobre os armários, organizadas em fruteiras e tigelas.

Em frente à geladeira aberta e repleta de alimentos e bebidas, uma jovem se inclina para pegar algo. Ela é negra, usa um vestido ocre com um avental azul. Seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo, enfeitado com uma fita branca.

Acima dos armários, há uma parede azul vibrante com uma pequena janela redonda à direita e uma janela maior do lado esquerdo, enfeitada com um vaso de flores e uma cortina rosada com estampa branca.

Uma prateleira na parede azul está decorada com uma toalhinha da mesma estampa da cortina e sustenta um filtro de barro. 

O piso da cozinha é azul escuro com traços amarelos e marrons que formam losangos.

A pintura vibrante e cheia de detalhes mostra uma cena cotidiana de forma íntima e poética.

Kamala Ibrahim Ishag

Kamala Ibrahim Ishag nasceu em Omdurman, no Sudão, um país da África. 

Ela vive em Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, desde que começou a guerra no Sudão.

Ela foi uma das primeiras mulheres a se formar pela Faculdade de Belas Artes de Cartum, no ano de 1963.

A artista aprofundou seus conhecimentos em litografia e ilustração. 

Litografia é uma técnica de impressão, onde se faz o desenho em uma pedra, chapa de plástico ou metal. Após fazer o desenho, é passada uma tinta na chapa, coloca-se um papel em cima, e a ilustração é impressa no papel.

Ela é uma das artistas modernistas mais influentes do Sudão

Sua obra está enraizada na identidade cultural sudanesa.

As criações da artista são pessoais, ligadas à espiritualidade e tem uma linguagem única.

Ela explora sentimentos, memórias ancestrais e a relação entre o que pode ser visto e o que está escondido ou invisível.

As obras também são inspiradas em práticas espirituais e devocionais, como as cerimônias Zar, que abordam sobretudo a condição da mulher na sociedade. 

O ritual Zar é uma prática espiritual usada para cura. Nesse ritual, mulheres entram em transe usando música, canto e dança.

Na 36ª Bienal, temos cinco obras de Kamala Ibrahim Ishag.

Entre elas, destaca-se uma pintura feita em óleo sobre tela que se chama Jantar. A tela é retangular e bem grande, mede quase dois metros de altura por mais de três metros de largura.

Esse trabalho mostra que a artista se interessa por rituais domésticos e espaços comunitários.

A obra mostra cenas de intimidade entre mulheres sentadas em volta de mesas. 

Ela destaca que comer não é apenas uma ação do corpo. Pode também ser uma experiência da mente e das emoções, vivida em conjunto.

Sobre o fundo marrom da tela, estão desenhadas seis formas orgânicas em tom bege claro, sendo três na parte de cima da tela e três na parte de baixo da tela. 

Em cada uma destas seis formas orgânicas em tom de bege há no centro uma mesa redonda repleta de copos, pratos e alimentos. Todos esses elementos estão pintados em tons bem suaves de amarelo, azul, ocre e lilás.

Os alimentos ficam no centro da mesa e os objetos estão colocados organizadamente em volta, seguindo a forma circular da mesa.

Em cada uma das mesas há mais de 12 mulheres em volta, também organizadamente colocadas em forma de círculo.

Um fio duplo e branco passa em torno das formas orgânicas que contém as mesas e ligam uma na outra, trazendo a sensação de conexão.

Outra obra que está na exposição é também uma pintura em óleo sobre tela que se chama Anjos da Guarda. 

A artista mostra os protetores espirituais de uma forma diferente. 

Eles não aparecem como anjos do céu, mas como presenças leves e invisíveis que se misturam ao mundo da Terra.

Essas presenças estão ligadas a objetos comuns da casa, como cadeiras e mesas.

A tela, retangular e bem grande, mede quase dois metros de altura por mais de três metros de largura.

A pintura mostra duas cenas, uma de cada lado da tela.

Do lado esquerdo, uma cadeira com pernas torneadas está no centro da cena e há dois guardiões azuis de cada lado dela. Na parte de cima, tem um rosto azul de cabeça para baixo pendendo do teto. 

As formas da cadeira e dos guardiões são um tanto abstratas, com contornos curvos e irregulares, criando imagens quase irreais.

Isso mostra que o poder deles está na influência e na força invisíveis que exercem.

As paredes do ambiente em que eles aparecem são brancas, com traços sombreados em amarelo e azul e há vasos com plantas verdes em alguns pontos.

A cena do lado direito da tela tem uma mesa oval marrom no centro. Há dois guardiões azuis, um de cada lado da mesa, e dois rostos de cabeça para baixo aparecem na parte de cima.

As paredes também são brancas com sombreados amarelos e azuis. Em cima da mesa há um vaso com plantas verdes.

O chão não é delimitado, o que dá a sensação de que tudo está flutuando.   

A obra é inspirada em contos populares contados pelas mulheres da família da artista.

Ela mostra que essas mulheres têm uma dupla responsabilidade e também um dom: cuidar e proteger, carregando esse papel com força e sabedoria.

A obra Pessoas também é uma tela pintada em óleo e é bem grande. Ela mede quase dois metros de altura por quase 2 metros e meio de largura.

Na obra Pessoas, as figuras humanas não parecem reais. Elas parecem abstratas e simbólicas.

Elas não têm rostos ou expressões detalhadas, apenas contornos e posturas.

As figuras estão dentro de uma forma redonda cercada de árvores.

A obra mostra que a artista quer representar a alma do grupo e não de cada pessoa individualmente.

Na obra Rostos, Kamala fala sobre identidade de um jeito íntimo e diferente.

A obra é feita em tons de cinza e mostra várias máscaras ou vasos, que parecem rostos.

Esses rostos carregam histórias, espíritos e emoções, mostrando as dificuldades e pressões que mulheres enfrentam em sociedades dominadas por homens.

Por fim, a obra Duas figuras em duas esferas explora temas como dualidade e isolamento.

Ela mostra duas figuras separadas, mas que estão conectadas.

A obra convida as pessoas a refletirem sobre elas mesmas.

As linhas suaves e as cores misturadas dão a sensação de tempo parado, como se essas figuras estivessem sempre em meditação.

A seleção de obras de Kamala Ibrahim Ishag aqui na 36ª Bienal mostra a sensibilidade da artista para temas espirituais da vida humana.

Ela desafia histórias contadas de forma linear e destaca o poder das mulheres e a conexão entre vivos, mortos e o mundo natural. 

Alberto Pitta

Alberto Pitta é artista há mais de 40 anos.

Ele trabalha principalmente com estamparia em tecidos e serigrafia.

A estamparia e a serigrafia são técnicas de impressão de imagem.

Nos últimos anos, ele também está trabalhando com pinturas e esculturas.

A arte dele mostra os saberes e práticas das culturas afro-brasileiras, as formas de viver que vêm da herança africana no Brasil.

O tecido é o material principal da obra de Alberto Pitta.

Ele usa o tecido como uma forma de unir arte, história e experiência coletiva.

Para o artista isso é uma forma de educação.

A ligação dele com o tecido e com a educação vem da sua família.

Alberto Pitta é filho de Mãe Santinha de Oyá, fundadora do terreiro Ilê Axé Oyá, em Salvador.

Mãe Santinha de Oyá foi líder espiritual do candomblé, educadora e bordadeira.

Alberto Pitta cresceu dentro do candomblé.

Para ele as práticas do candomblé também são práticas artísticas.

Desde os anos 1980, ele atua no Carnaval negro da Bahia, criando uma linguagem visual própria.

O artista fez estampas e roupas para blocos como Ilê Aiyê, Olodum, Filhos de Gandhy, Oba Laiyê e o Afoxé Filhos do Congo.

Em 1998, ele fundou o Cortejo Afro.

Ele usa também muitas cores, camadas e formas.

As estampas parecem ter movimento e contam histórias coletivas e simbólicas.

Nos últimos anos Alberto Pitta ampliou a sua pesquisa e reforçou a importância do tecido em sua arte.

Ele também faz estampas usando o branco sobre branco.

A obra de Alberto Pitta já foi mostrada em diversas instituições de arte no mundo.

A arte dele cria conexões entre o Brasil e a África.

Seus tecidos guardam memórias e rituais.

O trabalho dele liga diferentes culturas.

As estampas têm símbolos, formas e desenhos que lembram a cultura africana e a cultura afro-diaspórica.

Cultura afro-diaspórica é a cultura criada por pessoas de origem africana que foram levadas à força para outros países. 

Essa cultura junta tradições africanas com costumes dos lugares onde essas pessoas passaram a viver.

O trabalho de Alberto Pitta é sempre coletivo.

O tecido e a comunidade se encontram no ateliê do artista e nos blocos afro de Salvador.

E na 36a Bienal também!

Aqui temos uma obra do Alberto Pitta que representa o ateliê do artista.

A obra se chama O ateliê do artista na Bahia.

É um grande espaço aberto que mostra a produção do artista.

Tem um manequim que está vestido com calça e camisa brancas.

O manequim tem no ombro um tecido estampado em azul e branco e está embaixo de um guarda-sol de renda branca.

Atrás do manequim tem uma grade com um tecido e uma tela pendurados.

O tecido é estampado em azul e branco.

Ao lado do manequim há uma estante branca com muitos tecidos estampados dobrados e guardados. 

Em frente ao manequim há um carrinho de madeira, parecido com um caminhão.

O carrinho é marrom com muitas bolinhas brancas e tem na carroceria uma faixa de tecido marrom escuro e marrom claro com bolinhas.

O carrinho tem dois suportes altos que parecem tambores. Em cima dos suportes tem garrafas térmicas pretas e vermelhas.

Na ponta do carrinho tem uma haste que serve para empurrar o carrinho.

Em outra parte do ateliê estão muitos tecidos estampados pendurados em grades.

As estampas são coloridas, em tons de amarelo, verde, vermelho e azul. Algumas têm imagens de pessoas e outra tem um nome escrito.

As estampas de Alberto Pitta têm cores fortes e vibrantes.

Ao lado, em outra parede do ateliê, estão pendurados mais três tecidos. Esses tecidos foram feitos na técnica branco sobre branco.

O resultado do branco sobre branco é uma estampa com o desenho em um tom de branco diferente do tom de branco do fundo.

E no espaço há também uma escultura de um barco todo branco.

O barco tem o casco aberto que mostra as madeiras de sustentação uma atrás da outra . 

A parte de cima destas madeiras formam suportes, parecidos com bancos.

Nesses bancos, estão várias esculturas finas e compridas que se parecem com figuras de pessoas misturadas com animais.

Atrás dessas figuras, nas outras prateleiras, tem mais esculturas brancas. Algumas são arredondadas e outras mais achatadas, mas todas são altas.

No final do barco, tem um guarda-sol branco de renda.

Essa escultura é um trabalho que também mostra a técnica branco sobre branco. 

Aqui neste ateliê, as criações do Alberto Pitta mostram vida.

As obras mostram que a arte dele veste corpos, atravessa tempos e continua em movimento.

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