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6 set 2025–11 jan 2026
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Salvador     BA

5 set – 29 nov 2026

Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira

Três estátuas de figuras femininas com atributos de pássaros, com uma grande árvore de miçangas amarelas ao fundo
Vista de Ìrókó: A árvore cósmica, de Nádia Taquary, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Painéis feitos de caixinhas de fósforo e cordas de carvão suspensos do teto.
Detalhe de catástrofe orquestra #1 (Ato I), de Antonio Társis, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Bandeirinhas de papel triangulares penduradas, intercaladas com outros símbolos, também de papel
Vista de After the Appeal Will Come the Next Delivery, de Christopher Cozier, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de sala escura com coelhos de pelúcia e plantas espalhadas sob luz vermelha, e vídeo em dois canais com macacos devorando um ser humano.
Vista de Unity for Nostalgia, de Korakrit Arunanondchai, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede vermelha com cinco grandes quadros.
Vista de obras de Márcia Falcão durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

A Fundação Bienal de São Paulo e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) apresentam a etapa de Salvador do programa de mostras itinerantes da 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, com abertura em 5 de setembro e visitação até 29 de novembro de 2026. A itinerância na capital baiana conta com o patrocínio da Motiva e da Petrobras.

A seleção para Salvador tem curadoria de Keyna Eleison e Thiago de Paula Souza, cocuradores da 36ª Bienal de São Paulo, e reúne obras de Alberto Pitta, Antonio Társis, Berenice Olmedo, Christopher Cozier, Korakrit Arunanondchai, Leo Asemota, Manauara Clandestina, Márcia Falcão, Marlene Almeida, Ming Smith, Myrlande Constant, Nádia Taquary, Sharon Hayes e Théodore Diouf.

A escolha do MUNCAB como sede dialoga diretamente com a proposta curatorial da 36ª edição. Parte significativa dos artistas presentes tem raízes na própria Salvador: Antonio Társis, nascido em Arraial do Retiro, apresenta catástrofe orquestra #1 (Ato I) (2024-2025), instalação que mobiliza tambores, carvão e caixas de fósforo numa crítica ao extrativismo colonial. Já Alberto Pitta ocupa a mostra com tecidos serigrafados que propõem uma visualidade gráfica composta por repertórios afro-diaspóricos, experiências cotidianas, festas e narrativas da cultura negra.

Nádia Taquary, nascida e sediada na cidade, apresenta Irókó: A árvore cósmica (2025), instalação de miçangas e algodão que tem como referência a primeira árvore sagrada na cosmologia iorubá, que representa o ciclo da vida, o senhor do tempo. “Esta itinerância foi feita com muito calor e muito desejo, pensando a humanidade como prática, numa poética que pudesse se dar em um território de tanta poesia viva. Há uma curiosidade que também é um ato de amor: Irókó, trabalho de Nádia Taquary, obra comissionada para a 36ª edição, volta agora para sua própria origem. A peça foi construída em Salvador, e trazê-la de volta é algo que não consegue ser expresso só em palavras”, afirma Keyna Eleison.

A mostra reúne ainda trabalhos de artistas internacionais como Myrlande Constant, cujas obras bordadas em contas e lantejoulas repensa a tradição dos drapo vodou (estandartes); Berenice Olmedo, com a instalação pneumática Pnoê (2025), que reúne dispositivos médicos obsoletos em torno de questões sobre corpo e vulnerabilidade; e Théodore Diouf, cujas pinturas e gravuras em papel dialogam com a abstração geométrica africana.

Ming Smith, primeira fotógrafa negra a ter obras adquiridas pelo MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), chega ao MUNCAB com mais de cinquenta fotografias que percorrem as décadas da diáspora negra, do Harlem à África. Da série Invisible Man, sobre o cotidiano nova-iorquino nas décadas de 1980 e 90, às imagens da série Jazz, com Pharoah Sanders, Sun Ra e Billy Higgins.

“O programa de mostras itinerantes nasceu com a convicção de que a Bienal de São Paulo não termina quando o Pavilhão fecha as portas, que é fundamental ampliar esse alcance e levar recortes da mostra principal a públicos que, de outra forma, não teriam acesso a ela”, afirma Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo. “Integrar o MUNCAB como parceiro desse projeto pela primeira vez é mais um passo nesse processo de expansão e democratização do acesso à arte”, conclui.

Para o MUNCAB, acolher a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo é colocar sua proposição curatorial em relação com um museu-território cuja própria existência interroga os modos como a história da arte construiu presenças, ausências, centralidades e silenciamentos. “Como território de pertencimento, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira não é apenas o lugar onde a exposição acontece, mas parte ativa das relações que ela produz, permitindo outras condições de aproximação e leitura das obras, produzindo novos sentidos em Salvador”, destaca Cintia Maria, diretora geral do MUNCAB.

A mostra da 36ª Bienal vem percorrendo o Brasil e o exterior ao longo de 2026, com recortes da exposição principal já apresentados em Goiânia, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Santos, Fortaleza, Recife e São José do Rio Preto, além das aberturas por vir em Salvador, Belém, Belo Horizonte e Vitória, bem como as paradas internacionais em Santiago, Berlim e Cidade do México.

Realizadas de forma programática desde 2011, as itinerâncias tornaram-se uma extensão fundamental da Bienal de São Paulo, permitindo que obras e debates apresentados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo se reconfigurem em diálogo com contextos locais diversos, ativando novas leituras e relações com públicos fora do eixo expositivo principal. A 36ª Bienal, realizada entre setembro de 2025 e janeiro de 2026 em São Paulo, reuniu 784.399 visitantes no Pavilhão Ciccillo Matarazzo.

É a terceira vez que Salvador recebe o programa, que passou pela cidade em 2011, durante a 29ª edição, e em 2024, com a 35ª, ambas no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), e a primeira vez que a mostra chega ao MUNCAB, museu dedicado à preservação e valorização da cultura e da história afro-brasileira.

Além da circulação das obras, o programa de mostras itinerantes se estrutura a partir de um eixo educativo transversal, com formações voltadas às equipes locais, encontros online e presenciais, acompanhamento pedagógico e ações para diferentes públicos, como visitas mediadas, palestras, laboratórios para professores e atividades educativas para estudantes.

 

Acessibilidade e inclusão

Para ampliar as possibilidades de acesso à 36ª Bienal de São Paulo, a Fundação Bienal de São Paulo expandiu o programa de audioguias voltados às itinerâncias. A mostra conta com conteúdos em áudio dedicados a Antonio Társis, Berenice Olmedo, Korakrit Arunanondchai e Manauara Clandestina, acompanhados de vídeos em Libras. Também estão disponíveis textos em Linguagem Simples sobre Alberto Pitta, Antonio Társis, Márcia Falcão, Marlene Almeida e Nádia Taquary, além de conteúdos explicativos sobre o título da 36ª Bienal, sua equipe conceitual, proposta curatorial, identidade visual e arquitetura. Na entrada, o público encontra ainda um guia de visitação em Linguagem Simples, com fonte ampliada e versão em Braille. O webapp Bienal Prática também pode ser acessado para os artistas indicados na sinalização.

Outra forma de aprofundar a visita é por meio do aplicativo Bloomberg Connects, que reúne informações adicionais sobre todos os participantes e sugestões de roteiros. Para acessar os conteúdos relacionados a cada obra, basta abrir o aplicativo e inserir o número indicado na placa ao lado dela.

 

Serviço
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
curador geral: Bonaventure Soh Bejeng Ndikung
cocuradores: Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza
cocuradora at large: Keyna Eleison
consultora de comunicação e estratégia: Henriette Gallus
cocuradores adjuntos: André Pitol, Leonardo Matsuhei

Itinerância Salvador – Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB)
curadoria: Thiago de Paula Souza e Keyna Eleison
arquitetura: Gisele de Paula
5 set – 29 nov 2026
ter – dom, 10h – 17h
último acesso: 16h30

ingressos
inteira: R$ 20
meia-entrada: R$ 10
retire seu ingresso online no site da Sympla

entrada gratuita às quartas-feiras e domingo

Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB)
Rua das Vassouras, 25
Salvador, BA