A Fundação Bienal de São Paulo e a Oficina Francisco Brennand anunciam a abertura da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo em Recife, marcando mais uma etapa do programa de mostras itinerantes. Na Oficina Francisco Brennand, a capital pernambucana recebe a exposição Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática de 8 de agosto a 18 de outubro. A curadoria da itinerância é dos cocuradores adjuntos da 36ª Bienal André Pitol e Leonardo Matsuhei. A exposição é assinada pela Petrobras.
Realizadas de forma programática desde 2011, as itinerâncias tornaram-se uma extensão fundamental da Bienal de São Paulo, fazendo com que obras e debates apresentados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo se reconfigurem em diálogo com contextos locais diversos, ativando novas leituras e relações com públicos fora do eixo expositivo principal.
Esta é a segunda vez que o programa de mostras itinerantes da Bienal de São Paulo chega a Recife. A primeira foi em 2011, quando a 29ª Bienal de São Paulo ocupou três instituições em Pernambuco: o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), a Fundação Joaquim Nabuco e o Museu do Estado de Pernambuco. Quinze anos depois, o programa retorna ao estado e ocupa a Oficina Francisco Brennand, um complexo monumental erguido pelo ceramista e escultor pernambucano Francisco Brennand a partir de 1971 nas ruínas de uma antiga fábrica de telhas e tijolos no bairro da Várzea, às margens do rio Capibaribe, cercado por remanescentes de Mata Atlântica.
A realização da itinerância em Recife adquire um significado particularmente relevante quando se considera o movimento manguebit como uma das bases conceituais desta edição. Articulado em torno do manifesto “Caranguejos com cérebro”, de Fred Zero Quatro e Renato L., o manguebit compreende a força do estuário, espaço de encontro entre águas doces e salgadas, como metáfora para um território de negociação entre mundos distintos, onde diferenças coexistem e produzem novas formas de vida e linguagem. No contexto da 36ª Bienal, tanto o movimento quanto a própria capital pernambucana e seu estuário formado pelos rios Capibaribe e Beberibe aparecem não apenas como referência geográfica, mas como paradigma conceitual.
A itinerância de Recife reúne obras de 14 participantes: Akinbode Akinbiyi, Alberto Pitta, Forensic Architecture/Forensis, Helena Uambembe, Julianknxx, Metta Pracrutti, Ming Smith, Nádia Taquary, Rebeca Carapiá, Shuvinai Ashoona, Suchitra Mattai, Vilanismo, Wolfgang Tillmans e Zózimo Bulbul.
Para André Pitol, a itinerância completa um movimento que começou na concepção da própria exposição. “Mostrar trabalhos de artistas como Helena Uambembe e Wolfgang Tillmans em Recife é, na verdade, levar de volta a complexidade cultural que foi crucial para imaginar o projeto curatorial e o desenvolvimento de obras comissionadas para a exposição”.
Já para Leonardo Matsuhei, o estuário é a metáfora que organiza a exposição: um território de negociação entre mundos distintos, onde as diferenças não se apagam, mas produzem novas formas de vida, cultura e linguagem. “Trazer essa exposição para Recife amplia, ainda mais, essa dimensão híbrida de existir no mundo”, afirma.
“O programa de mostras itinerantes é uma das expressões mais concretas do compromisso da Fundação Bienal com a democratização do acesso à arte contemporânea. A decisão de levar a 36ª Bienal de São Paulo à Oficina Francisco Brennand foi motivada pela potência do reencontro da força cultural de Recife com a Bienal”, afirma Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo.
“Receber a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo na Oficina Francisco Brennand é um marco para o museu-ateliê e para a cultura pernambucana. Essa colaboração inaugura o ciclo de celebrações do centenário de Francisco Brennand reafirmando a vocação da Oficina como um território de encontros, onde arte, natureza e pensamento se conectam para produzir novas leituras sobre o mundo. Mais do que acolher uma das mais importantes exposições de arte da América Latina, estamos fortalecendo um espaço de diálogo entre diferentes saberes e perspectivas, preservando o legado de Francisco justamente por mantê-lo vivo, em permanente conversa com o nosso tempo”, pontua Marcos Baptista, presidente da Oficina Francisco Brennand.
Além da circulação das obras, o programa de mostras itinerantes se estrutura a partir de um eixo educativo transversal, com formações voltadas às equipes locais, encontros online e presenciais, acompanhamento pedagógico e ações para diferentes públicos, como visitas mediadas, palestras, laboratórios para professores e atividades educativas para estudantes.
Serviço
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
curador geral: Bonaventure Soh Bejeng Ndikung
cocuradores: Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza
cocuradora at large: Keyna Eleison
consultora de comunicação e estratégia: Henriette Gallus
cocuradores adjuntos: André Pitol, Leonardo Matsuhei
Itinerância Recife – Oficina Francisco Brennand
curadoria: André Pitol e Leonardo Matsuhei
arquitetura: Tiago Guimarães
8 ago – 18 out 2026
ter – dom, 9h – 17h
Oficina Francisco Brennand
Rua Diogo de Vasconcelos, S/N – Várzea
Recife, PE
ingressos
inteira R$ 50, meia-entrada R$ 25
para moradores de Pernambuco
inteira R$ 40, meia-entrada R$ 20
gratuidade às terças-feiras e no dia da abertura
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