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6 set 2025–11 jan 2026
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Performance final – Povo Xavante da aldeia Wederã com Raven Chacon, Iggor Cavalera e Laima Leyton

11.01 – 11.01.26
dom, 15h – 17h30

Após quatro meses de exposição, a 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática encerra sua edição com uma performance inédita conduzido pela aldeia Wederã Xavante,do Território Indígena Pimentel Barbosa, sob a coordenação do cacique Cipassé Xavante e Mara Barreto Sinhosewawe Xavante, com a participação de Raven Chacon ao lado de Iggor Cavalera e Laima Leyton. Criada especialmente para o Pavilhão da Bienal, a ação acontece das 15h às 17h30 e sintetiza um dos eixos centrais desta edição: a escuta dos saberes ancestrais e o reconhecimento da humanidade como prática coletiva, espiritual e política.

A performance de encerramento tem início com um ritual espiritual de cura e limpeza da cidade de São Paulo. Em movimento contínuo, os integrantes da aldeia Wederã Xavante ocupam o vão central do Pavilhão com cantos, danças, ornamentos e instrumentos tradicionais. A ação conta com a participação dos artistas Raven Chacon, Iggor Cavalera e Laima Leyton, que se somam ao gesto conduzido pelo povo Xavante.

De acordo com o cacique Cipassé Xavante, a apresentação com o grupo Dasirene Xavante representa o Dasiwawere, o ritual de cura da Aldeia Wederã. “Escolhemos trazer essa dança para a Bienal porque acreditamos que o mundo está espiritualmente doente, e esse é um momento de despertar. Para o povo Xavante, o ritual é uma forma poderosa de cura e conscientização. É uma grande honra encerrar a 36ª Bienal de São Paulo com essa cerimônia, ao lado do nosso amigo Iggor Cavalera e dos parentes indígenas americanos. Isso fortalece a valorização da nossa cultura”, analisa.

A presença de Raven Chacon, artista nascido na Nação Navajo Diné e primeiro compositor indígena norte-americano a receber o prêmio Pulitzer de música, estabelece um diálogo direto com a obra que apresenta na 36ª Bienal ao lado de Cavallera e Leyton, Itoma’a dure itoma’a [Círculos/ciclos dentro de círculos/ciclos] (2025), uma composição sonora realizada a partir de gravações feitas na comunidade Etenhiritipa, sob organização do Cacique Cipassé Xavante, com a participação dos tocadores de Flauta Sagrada Didupu Josimar Ruruwe Xavante, Roberto Tewewari Xavante e o canto dos jovens Xavante do grupo Sadaros.

Essa convergência ressoa também na trajetória de Iggor Cavalera, cuja relação com povos indígenas atravessa décadas de pesquisa sonora e colaboração. Desde o álbum Roots (1996) do Sepultura, no qual cantos Xavante romperam as estéticas dominantes do heavy metal e projetaram internacionalmente as lutas e culturas dos povos originários, Cavalera tem articulado música, território e espiritualidade como formas de resistência. A parceria com Laima Leyton, artista e musicista cuja prática transita entre performance, experimentação sonora e ativismo, amplia esse campo de investigação.

Após o rito inicial, a performance se desdobra em uma conversa aberta com o público, conduzida pela própria comunidade Xavante, abordando temas como mudanças climáticas, preservação ambiental e o papel fundamental dos povos indígenas na proteção dos territórios e da saúde do planeta.

Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, comenta que encerrar esta etapa da 36ª Bienal com a performance é também inaugurar um novo momento do projeto. “A Bienal de São Paulo não se encerra no Pavilhão, ela segue em movimento. A partir de agora, essa escuta e esses aprendizados se desdobram no programa de mostras itinerantes, que levará a exposição e seus debates para outros territórios, no Brasil e no mundo.”

 

Serviço
Ritual-performance da aldeia Wederã Xavante com Raven Chacon, Iggor Cavalera e Laima Leyton
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
11 jan 2026
dom, 15h
Vão central do Pavilhão
Pavilhão Ciccillo Matarazzo
Parque Ibirapuera, portão 3
São Paulo, SP
entrada gratuita
sujeito a lotação

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