Conversa – João Cândido, Luciara Ribeiro e Vilanismo – Vilanismo celebra João Cândido
No dia 30 de novembro acontecerá a conversa Vilanismo celebra João Cândido, com João Cândido, Luciara Ribeiro e Vilanismo. O evento conta com a participação de Rafa Black, pelo Vilanismo, e acontece das 14h às 16h no espaço das Invocações, no segundo andar do Pavilhão.
Por meio de uma conversa intergeracional nas artes visuais entre o mestre João Candido e membros do Vilanismo, celebraremos o legado do artista relembrando marcos de sua carreira e discutiremos a importância da construção de espaços físicos para manutenção do seu acervo. A conversa será mediada por Luciara Ribeiro.
João Cândido da Silva nasceu em uma família de 18 irmãos gerados por dona Maria, bordadeira, dona-de-casa e artista plástica. Nascida em Sorocaba, interior de São Paulo, que, casada com um trabalhador braçal de estrada de ferro, migrou para a cidade mineira, onde teve os primeiros filhos, entre eles João Cândido. Diante das dificuldades e privações que atingiam a família, Maria e seus filhos decidem partir para a cidade de São Paulo em busca de uma vida melhor. Ao desembarcar na Estação da Luz no início da década de 1940, as crianças tiveram que dormir numa gafieira, pois os parentes que já moravam na cidade não apareceram para recepcionar a família. João Cândido diz que as primeiras impressões sobre São Paulo provocaram-lhe um certo temor. Até então, o jovem estava acostumado com uma paisagem rural, muito diferente dos bondes e dos edifícios enormes que compunham o cenário urbano que agora vislumbrara. Desde cedo, João Cândido demonstrava interesse pelas artes, enquanto sua mãe trabalhava em suas pinturas e esculturas, o jovem desenhava com carvão nas paredes da casa. Para impedir que o Cândido continuasse com a “sujeira”, Dona Maria passou a lhe disponibilizar alguns materiais de pintura como restos de tintas e pincéis velhos. A partir daí, João Cândido inicia suas primeiras experiências com as tintas óleo e acrílica aplicando-as sobre os suportes mais variados possíveis. Os temas preferidos de João são as festas e manifestações populares como: o boi, a capoeira, o futebol, o carnaval e a folia de reis. Embora a pintura seja sua mais recorrente forma de expressão, o artista também é escultor; trabalha com madeira, papel, arame recozido entre outros materiais. João Cândido da Silva é irmão da pintora primitivista Maria Auxiliadora (1935-1974), a mais conhecida integrante da família. Em 1977, o artista recebeu em sua casa na Zona Norte de São Paulo, o diretor do Museu de Arte de São Paulo, Pietro Maria Bardi. A visita tinha como objetivo acertar os detalhes para publicação do livro Maria Auxiliadora da Silva, com textos de Max Fourny, diretor do Museu de Arte Naïf de l’Ile na França e Emanuel von Lauenstein Massarani, adido cultural do Brasil na Suíça.
Luciara Ribeiro (1989, vive e trabalha em São Paulo, Brasil) é educadora, pesquisadora e curadora. Nascida em Xique-xique, Bahia, reside entre São Paulo e Goiânia. É mestre em História da Arte pela Universidade de Salamanca (USAL, Espanha, 2018) e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP, Brasil, 2019). É graduada em História da Arte pela UNIFESP (2014) e possui curso técnico em museologia pela Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETEC/SP, 2015). É colaboradora da Revista Contemporary And América Latina e da plataforma virtual Projeto Afro. É docente no Departamento de Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina e no Centro Universitário Fundação Armando Alvares Penteado. Coordena o setor de curadoria, educação e pesquisa do Sertão Negro Ateliê e Escola de Artes.
Vilanismo (fundado em 2021, São Paulo) é um coletivo de doze homens negros que atua na criação de espaços de resistência e afirmação no circuito artístico. Valorizam os conhecimentos ancestrais, experiências afro-indígenas e a construção coletiva, priorizando a autonomia e a criação de práticas sustentáveis. Em suas ações, rejeitam estereótipos e fetiches históricos impostos a corpos negros, subvertendo expectativas normativas e celebrando a abundância cultural. O grupo participou de eventos como o Baile do Vilanismo (Edifício Misericórdia, São Paulo) e a conversa-performance “Masculinidades Negras” (Instituto Moreira Salles, São Paulo). Atualmente, é composto por Diego Crux, Ramo, Renan Teles, Carinhoso, Guto Oca, Rodrigo Zaim, Rafa Black, Robson Marques, Denis Moreira e Daniel Ramos.
Esta participação tem apoio do The Order of New Arts.
Serviço
Conversa – João Cândido, Luciara Ribeiro e Vilanismo – Vilanismo celebra João Cândido
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
30 nov 2025
dom, 14h
espaço das Invocações, 2º andar
Pavilhão Ciccillo Matarazzo
Parque Ibirapuera, portão 3
São Paulo, SP
entrada gratuita