Ativação – Gê Viana – Quando o som beijar o mar: as encruzilhadas do Atlântico, reggae e fé – Conversa com Carlos Benedito, Célia Sampaio e Thiago de Paula Souza e discotecagem com Nahraujo
No dia 6 de dezembro acontecerá a ativação da obra A colheita de Dan, chamada Quando o som beijar o mar: as encruzilhadas do Atlântico, reggae e fé, que consiste numa conversa entre Carlos Benedito, Célia Sampaio, Gê Viana e Thiago de Paula Souza, e uma discotecagem por Nahraujo. O evento acontece das 17h às 19h no espaço do Sertão Negro, no térreo.
Célia Sampaio, Carlos Benedito e Thiago de Paula Souza participam da ativação da obra A colheita de Dan, de Gê Viana. A ação se desenvolve a partir das pesquisas dos três maranhenses –Sampaio, Benedito e Viana – que se cruzam nos sentidos ritualísticos da música e da fé, conduzindo-nos a diferentes temporalidades. Na década de 1970, a história do reggae cruza as encruzilhadas do Atlântico, saindo da Jamaica e chegando ao Maranhão, onde ganha uma identidade quase única nas comunidades quilombolas e nos bairros periféricos da capital. Carlos Benedito apresenta sua pesquisa sobre o reggae na Ilha do Amor como identidade negra; Célia Sampaio aborda as histórias dos paredões de reggae na cultura popular e sua vivência nos primeiros clubes; e Gê Viana compartilha os processos de criação da obra a partir de leituras e observações da filosofia afro-maranhense, que fundamenta os terreiros da chamada mina antiga no Maranhão, base que estrutura as entranhas de seu trabalho.
Célia Sampaio é cantora, compositora, multi-instrumentista e uma das figuras centrais do reggae maranhense. Iniciou sua trajetória nos anos 1980 com a banda Guethos, tornando-se conhecida como “Dama do Reggae”. Ao longo da carreira, lançou trabalhos solo premiados, colaborou com importantes nomes da música brasileira e manteve forte atuação em movimentos culturais afro-brasileiros. Entre seus projetos recentes estão shows dedicados ao feminino e à ancestralidade africana, além de lançamentos como o álbum Célia Sampaio (2022), sobre a “Jamaica Brasileira”, e um EP em homenagem a Iansã (2025).
Carlos Benedito é professor titular de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), onde também leciona nos programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e na pioneira Licenciatura em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, da qual é idealizador. Graduado e mestre pela Unicamp e doutor pela PUC-SP, coordena o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFMA (NEAB). Atuou em instituições como a ABPN, o Centro de Estudos do Caribe no Brasil e a CADARA, do Ministério da Educação. Sua pesquisa se dedica às populações afro-brasileiras, com ênfase em diversidade cultural, relações étnico-raciais e ações afirmativas. É autor de obras de referência, como Da terra das primaveras à Ilha do Amor, estudo pioneiro sobre o reggae no Brasil, e Ritmos da identidade. Além da produção acadêmica, participa da cena cultural maranhense como compositor e cantor.
Thiago de Paula Souza é curador e educador. Foi cocurador do 38ª Panorama da Arte Brasileira no MAM São Paulo (2024), da mostra Some May Work as Symbols: Art Made in Brazil, 1950s-70s, no Raven Row (Londres), do Nomadic Program da Vleeshal Center for Contemporary Art (Middelburg) entre 2022 e 2023, de While We Are Embattled, no Para Site (HongKong) e de Atos de revolta, no MAM Rio (2022). Entre 2020 e 2021, fez parte da equipe curatorial da 3ª edição do Frestas – Trienal de Artes (São Paulo). Foi consultor curatorial para a 58ª Carnegie International (2021–2022). Entre 2018 e 2019, curou a primeira exposição individual de Tony Cokes no BAK (Utrecht). Fez parte da equipe curatorial da 10ª Berlin Biennale (2018). Atualmente integra o Comitê Artístico da NESR Art Foundation, em Angola, e é doutorando no programa de artes da HDK Valand – University of Gothenburg.
Nahraujo é DJ, produtora musical e pesquisadora musical com mestrado em História da África da Diáspora e dos Povos Indígenas pela UFRB. Integrante do coletivo Braçalismo e atualmente baseada em Itabuna, litoral sul da Bahia, Nahraujo já passou por festivais como o Favela Sounds e o Universo Paralello acompanhando a cantora Sued Nunes e assinou remixes de músicas das bandas Buena Onda Reggae Club e Samuca e a Selva. Além de produções musicais individuais e parcerias com artistas locais. Ela também assina o desenho de som das obras Radiola de promessa, parte da exposição Ancestral: Afro-Américas do MAB FAAP (2024), e Colheita de Dan em exibição na 36ª Bienal de São Paulo (2025), ambas da artista Gê Viana. Seu DJ set é construído a partir de sua ampla pesquisa, que tem enfoque em gêneros influenciados pela diáspora da música jamaicana, como o Techno, House, Jungle, Drum and Bass, UK Garage, Drill, DubWise e Rap/Hip Hop.
Gê Viana (Santa Luzia, 1986. Vive e trabalha em São Luís) é artista visual formada pela Universidade Federal do Maranhão. Atua entre o espaço doméstico e o urbano, utilizando colagem manual e digital, pintura e a técnica do lambe-lambe. Sua prática parte de imagens de arquivo e da memória oral de sua família, articulando narrativas do cotidiano afro-diaspórico maranhense e confrontando a cultura hegemônica. Participou da Bienal das Amazônias (Belém, 2023), do 38º Panorama da Arte Brasileira (Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2024), da mostra Histórias brasileiras (MASP, São Paulo, 2022) e da Borås Art Biennial (2024). Suas obras integram coleções como as da Pinacoteca de São Paulo e do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Serviço
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36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
6 dez 2025
sáb, 17h
obra do Sertão Negro, térreo
Pavilhão Ciccillo Matarazzo
Parque Ibirapuera, portão 3
São Paulo, SP
entrada gratuita