Wolfgang Tillmans explora outras formas de apresentação das imagens. A maneira de expor suas fotografias é tão importante quanto a matéria retratada, estabelecendo constelações que interferem no sentido umas das outras. Conhecido também por suas contribuições para a cultura pop – como a capa do álbum Blond, de Frank Ocean – suas fotos estão inscritas num imaginário universal do que é ser jovem.
Nesta Bienal, Wolfgang apresenta uma videoinstalação inédita, criada especialmente para esta edição. Dentro de uma sala escura, duas paredes perpendiculares de cinco metros de largura por cerca de quatro metros e meio de altura se transformam em grandes superfícies de projeção. As imagens, apresentadas de forma isolada ou em combinações de pares, trios ou fusões, aproximam registros do cotidiano urbano e da natureza: a lama que gruda em uma bota, folhas caídas sobre o chão seco, um trem suspenso sobre um córrego estreito, pastas coloridas em um armário, a copa de uma árvore, uma cachoeira caudalosa, um fruto no galho de uma planta. Cada detalhe, ao se encontrar, suceder ou fundir com o próximo, abre conexões inesperadas.
Essas imagens são atravessadas por uma paisagem sonora igualmente diversa: o sopro do vento e canto dos grilos misturam-se a ruídos de motor, à passagem distante de um avião e ao ronco humano. Sobre eles, sobrepõem-se camadas de música eletrônica e trechos de vozes que evocam cantos corais em inglês. O som não acompanha as imagens de forma literal, mas cria tensões e ressonâncias, como quando surge uma lua distante no horizonte alaranjado enquanto o canto dos pássaros se entrelaça a batidas eletrônicas que lembram uma rave ao vivo, ou então a sonoridade se desvia, instaurando contrastes inesperados.
A instalação constrói, assim, uma arquitetura de imagens e sons em que o espaço físico e o espaço projetado se confundem. Aberta e processual, a obra convida à atenção e à presença, estimulando a refletir sobre as formas como produzimos e compartilhamos imagens e sons no mundo de hoje.
Você também pode encontrar fotos de Wolfgang espalhadas pelo Pavilhão, geralmente em cantos. Essas fotos poderiam estar na instalação em vídeo que apresenta, mas nesse caso estão em relação com as outras obras ao seu redor. Também são fotos que envolvem rios, corpos d’água, mares, oceanos. Rios secos, que cortam cidades, palco de encontros, de carícias, de celebrações. Ele nos lembra que a humanidade foi criada a partir da nossa relação com as águas e que elas nos permitiram o desenvolvimento de civilizações. São atores coadjuvantes em nossa história.