A Irmandade Vilanismo é um coletivo fundado em 2021, em São Paulo. É composto por dez artistas pretos: Carinhoso, Daniel Ramos, Denis Moreira, Diego Crux, Guto Oca, Rafa Black, Ramo, Renan Teles, Robson Marques e Rodrigo Zaim.
Atuando como quilombo contemporâneo, o grupo se configura tanto como rede de apoio à comunidade negra quanto como agente no circuito da arte contemporânea. Eles se apresentam como uma irmandade em contra-movimento, desestabilizando a imagem negativa do “vilão”, historicamente associado à figura do homem negro, para convertê-la em potência crítica, estética e política. Entre os elementos que compõem o arcabouço conceitual do grupo estão a figura do malandro e do MC, ao lado de referências como a periferia, o mutirão, os movimentos de luta negra e outras figuras negras das artes visuais.
Nesta itinerância da 36ª Bienal, Vilanismo apresenta a instalação Os meninos não sei que juras fraternas fizeram, com obras de todos os integrantes. O título é inspirado no conto A gente combinamos de não morrer, de Conceição Evaristo.
A instalação é estruturada como um ateliê expandido. São inúmeras pinturas, fotografias, esculturas, objetos, vídeos, mobiliários, livros, manuscritos, notícias e publicações, dentre outros elementos. O espaço é composto de uma mapoteca com múltiplos materiais, um vídeo que passa num televisor, cartazes e uma bandeira na parede.
Destaca-se o bandeirão coletivo em tecido preto, com 2 metros de altura por 3 de comprimento. Nele está impresso “Vilanismo”, em letras estilizadas brancas. Dentre as fotografias, coloridas e em preto e branco, há inúmeros registros de encontros dos integrantes, bem como de sua atuação em contextos artísticos, educativos e urbanos. Entre os livros, há exemplares de de Achille Mbembe, bell hooks e Denise Ferreira da Silva, dentre outros voltados à luta do povo preto.
O ambiente proposto é permeável e acolhe as diferentes obras e evoca o mutirão, o encontro e a conspiração comunitária. O ateliê se materializa nos mobiliários e nas produções aqui apresentadas, estimulando a imaginação e levando a pessoa visitante a experienciar o universo do Vilanismo. Isso reafirma a proposta do grupo enquanto uma prática insurgente, onde o próprio fazer artístico é também espaço de convivência, articulação política, invenção de futuros mais equitativos e não hierárquicos.