Laure Prouvost testa de forma constante o potencial da imaginação na percepção da realidade e questiona convenções. A artista já criou obras com apoio de inteligência artificial para gerar vídeos que nunca serão vistos duas vezes, e trabalhou até com o CERN, o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado na Suíça e França.
Essa busca por elementos artificiais também se contrapõe ao uso de elementos naturais – aqui, o desabrochar das flores – para entender uma camada da realidade imperceptível à primeira vista. Ela atribui traços e sensações humanas a robôs, incorpora materiais orgânicos como plantas, e cria instalações que fogem a padrões convencionais. Ela entende que a vida também se dá num nível subatômico, e que nada pode ser dispensado quando se pensa na vida – do mais minúsculo à dimensão cósmica e planetária.
No centro do Pavilhão, Laure Prouvost apresenta flow flower: bloom! (2025), uma instalação monumental em forma de lustre suspenso, que conecta diferentes andares do edifício. De sua estrutura metálica descem fios, tecidos rasgados em tons rosados e beges, plantas trepadeiras cultivadas em um vaso central suspenso que se expandem em crescimento livre, e fragmentos de objetos urbanos, como botões, pneus e tubos de escapamento moldados em argila. As plantas escolhidas, trepadeiras de crescimento rápido, muitas vezes vistas como daninhas, exibem flores em tons de azul, lilás, roxo e rosa, compondo contrastes cromáticos com os materiais urbanos e industriais.
Entre esses elementos, volumes de vidro em forma de seios se iluminam em pulsações suaves, simulando uma respiração contínua. Em meio ao verde vivo das plantas e a secura de galhos retorcidos, surgem também fios de fitas cassete, pequenos elementos em vidro que evocam abelhas ou mosquitos e bolsas perfuradas suspensas, de onde as sementes escapam lentamente, acumulando-se no chão.
No piso inferior, o público encontra esses vestígios, sementes espalhadas, folhas caídas. O ambiente é atravessado por uma paisagem sonora difundida por alto-falantes dispostos no espaço, que entrelaçam ruídos sutis do crescimento vegetal com poemas de Conceição Evaristo, sugerindo histórias de movimento e migração.
De longe, a obra se anuncia pelo som e pelos rastros no chão. Ela se move pelo espaço de maneira fantasmagórica. Conforme o visitante se aproxima e percorre os diferentes níveis do edifício, novos aspectos se revelam: o emaranhado de plantas e detritos, os volumes luminosos suspensos, o reflexo no piso. A instalação nunca se apresenta de forma única ou conclusiva, mas se reinventa a cada aproximação, aberta às diferentes formas de presença no espaço.