Akinbode Akinbiyi retrata a vida nas cidades desde os anos 70 com uma câmera Rolleiflex. Já passou por Lagos, Cairo, Berlim, Dakar, Joanesburgo, Chicago e Bamako. Para esta Bienal, ele navegou por São Paulo, em especial o bairro do Bom Retiro, onde parte de suas obras também estarão expostas na Casa do Povo paralelamente à Bienal, além de República, Sé e Vila Madalena.
Ele é um artista itinerante, fotógrafo, constantemente vasculhando o ambiente imediato, constantemente à procura. Tudo e qualquer coisa é interessante, desde o lixo mais insignificante jogado fora até o alcance majestoso de uma árvore magnífica. As narrativas e as histórias são a principal preocupação, mas também as cadências silenciosas do não ouvido, do quase oculto.
Cada momento é precioso, agudo. Algo visto sob uma luz específica evolui, no momento seguinte, transforma-se em outra imagem. Assim, o ato de vagar é muito intuitivo, um sentimento profundo que emana do plexo solar, de algum lugar dentro dele.
Nesta Bienal, estamos diante de um conjunto de 24 grandes fotografias em preto e branco, impressas em tecido de dois por dois metros, suspensas de forma que possamos circular entre elas. Em cada uma das faces da malha têxtil temos uma imagem diferente, revelada conforme nos movimentamos pelo espaço expositivo.
Em um registro, um poste carrega um emaranhado de fios elétricos; em outro, a luz da tarde ilumina fachadas de um antigo edifício; há também cenas de ensaio de uma banda marcial, partidas de xadrez interrompidas e jovens treinando boxe a céu aberto.
O tecido em suspensão confere às imagens uma textura suave e o formato dupla-face estimula descobertas a cada passo. Ao atravessarmos o conjunto da obra, repetimos o gesto do artista: andar, observar e absorver parte do cotidiano da cidade, histórias que se revelam ao olhar do transeunte atento.