Conceição Evaristo, Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, 2014.
Atualmente, o Vilanismo é composto por Carinhoso, Daniel Ramos, Denis Moreira, Diego Crux, Guto Oca, Rafa Black, Ramo, Renan Teles, Robson Marques e Rodrigo Zaim.
O Vilanismo é uma irmandade de artistas negros formada no final de 2021 com o propósito de desafiar o sistema ocidental das artes visuais, tensionando raça, gênero e classe em suas produções artísticas.
O termo “vilão” carrega múltiplos significados, entre eles o de maldade ou de alguém desprovido de riquezas, historicamente associados à figura do homem negro. É a partir dessa carga simbólica que se constitui o Vilanismo. Entre os elementos que compõem seu arcabouço conceitual estão a figura do malandro e do MC, ao lado de referências como a periferia, o mutirão, os movimentos de luta negra e outras figuras negras das artes visuais. Essas referências colaboram na construção estética e política da irmandade, tensionando os modos como as subjetividades masculinas negras foram sistematicamente negadas, desumanizadas e reduzidas à condição de coisas. Essa imagem foi moldada por um projeto humanista que, embora tenha proclamado ideais de igualdade e progresso, contribuiu ativamente para a exclusão e a violência.
Para a 36ª Bienal de São Paulo, o Vilanismo expande e ressignifica a ideia de espaço de trabalho, direito à terra e de conspiração ao apresentar a instalação Os meninos não sei que juras fraternas fizeram (2025) – título emprestado do conto “A gente combinamos de não morrer”, escrito por Conceição Evaristo.1 A proposta convida o público a mergulhar em uma subjetividade marcada pela expressividade artística e intelectual, na qual o ateliê se materializa nos mobiliários, nas produções e nos diálogos, estimulando a imaginação e nos levando a experienciar o universo do Vilanismo. Na instalação, os “vilões”2 – como se autodenominam – articulam sistemas, saberes, ações e lutas simbólicas por meio da produção artística. A irmandade, assim, revela e reconfigura novas possibilidades de masculinidades negras e de humanização, trazendo à tona intelectualidade, fragilidade, diferenças, falhas e a possibilidade de um amor historicamente negado.