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6 set 2025–11 jan 2026
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Sharon Hayes

Sharon Hayes

Deliasofia Zacarias
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios

 

O documentário Comizi d’amore [Comícios de amor] (1964), de Pier Paolo Pasolini, desdobra um mosaico de verdades psicológicas capturadas por meio de perguntas diretas e sem rodeios feitas nas ruas da Itália. O filme expõe a complexidade das atitudes do público em relação à sexualidade e a tensão incômoda entre tradição e modernidade. Ao abordar o desconforto em torno de temas íntimos porém públicos, revela ansiedades e conflitos morais profundamente arraigados no cotidiano.

Mais de cinquenta anos depois, Sharon Hayes retoma e expande o estilo interrogativo e as composições de cena de Pasolini e entrevista indivíduos e grupos para sua série de vídeos Ricerche [Investigações] (2019-2024). Nessa obra, a artista propõe uma reflexão instigante sobre o poder da conversa pública, utilizando diálogos espontâneos e não roteirizados para explorar as interseções entre experiência pessoal, discurso político e normas sociais. Por meio desses encontros, Hayes desvela a complexa rede de verdades não ditas que moldam relações humanas e identidades.

Hayes entrelaça camadas complexas de intimidade, política e identidade por meio de formas documentais e performativas. Em Ricerche, ela se envolve profundamente com a linguagem, usando-a como ferramenta para criar uma estética da tensão entre palavra e silêncio, entre esferas públicas e privadas, entre vivência individual e história coletiva.

Há um ritmo subjacente em seu trabalho, uma cadência que desafia e expande a percepção do espectador sobre tempo, significado e experiência, elevando o mundano ao terreno do profundo. Ao longo da série em quatro partes, Hayes redesenha as fronteiras do documentário e da performance, oferecendo um olhar cru sobre a humanidade.

Em uma era na qual entrevistas de rua são frequentes nas plataformas digitais, o processo meticuloso de arquivamento e as conversas francas de Hayes questionam os limites do amor, da intimidade e das políticas em torno da sexualidade, convidando o público a confrontar as contradições de seus próprios desejos e estruturas sociais. Ricerche nos permite testemunhar a complexidade da experiência humana, em que cada palavra e silêncio carregam o peso do individual e do coletivo, do privado e do público. Em sua ambiguidade poética, Hayes nos convida a refletir sobre como falamos, amamos e lembramos, deixando no ar uma pergunta persistente: como navegamos os espaços entre nós?

Deliasofia Zacarias
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios
Uma televisão exibindo vídeo, com cadeiras e bancos de diferentes modelos posicionadas a frente. No vídeo, crianças dão uma entrevista. Ao fundo, paredes laranjas e vermelhas.
Vista de Ricerche: one, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Uma televisão exibindo vídeo, com cadeiras de diferentes modelos posicionadas a frente. No vídeo, adolescentes reunidos.
Vista de Ricerche: three, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Duas televisões exibindo uma entrevista com um grupo de pessoas idosas, com cadeiras de diferentes modelos posicionadas a frente. Ao fundo, uma grande cortina vermelha instalada em forma de onda.
Vista de Ricerche: four, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Duas televisões dentro de uma sala exibindo vídeos de mulheres jovens em uniformes esportivos dando uma entrevista. A sala é composta por paredes feitas de longas tiras de papel branco.
Vista de Ricerche: two, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma televisão exibindo vídeo, com cadeiras de diferentes modelos posicionadas a frente. No vídeo, adolescentes reunidos. Ao fundo, grandes cortinas de cor turquesa instaladas em forma de onda.
Vista de Ricerche: three, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma televisão exibindo vídeo, com cadeiras e bancos de diferentes modelos posicionadas a frente. No vídeo, crianças dão uma entrevista. Ao fundo, paredes laranjas e vermelhas.
Vista de Ricerche: one, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma televisão exibindo vídeo, com cadeiras de diferentes modelos posicionadas a frente. No vídeo, adolescentes reunidos. Ao fundo, grandes cortinas de cor turquesa instaladas em forma de onda.
Vista de Ricerche: three, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma televisão exibindo vídeo, com cadeiras e bancos de diferentes modelos posicionadas a frente. No vídeo, adolescentes dão uma entrevista. Ao fundo, uma parede laranja e uma cortina verde-musgo.
Vista de Ricerche: one, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Duas televisões exibindo uma entrevista com um grupo de pessoas idosas, com cadeiras de diferentes modelos posicionadas a frente. Ao fundo, uma grande cortina vermelha instalada em forma de onda.
Vista de Ricerche: four, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Duas televisões dentro de uma sala exibindo vídeos de mulheres jovens em uniformes esportivos dando uma entrevista. A sala é composta por paredes feitas de longas tiras de papel branco.
Vista de Ricerche: two, de Sharon Hayes durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma televisão exibindo vídeo, com cadeiras e bancos de diferentes modelos posicionadas a frente. No vídeo, adolescentes dão uma entrevista. Ao fundo, uma parede laranja e uma cortina verde-musgo
Vista de Ricerche: one, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma televisão exibindo vídeo, com cadeiras e bancos de diferentes modelos posicionadas a frente. No vídeo, crianças dão uma entrevista. Ao fundo, paredes laranjas e vermelhas.
Vista de Ricerche: one, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma televisão exibindo vídeo, com cadeiras de diferentes modelos posicionadas a frente. No vídeo, uma menina de cabelos longos e óculos da entrevista. Ao fundo, grandes cortinas de cor turquesa instaladas em forma de onda.
Vista de Ricerche: three, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Duas televisões dentro de uma sala exibindo vídeos de mulheres jovens em uniformes esportivos dando uma entrevista. A sala é composta por paredes feitas de longas tiras de papel branco.
Vista de Ricerche: two, de Sharon Hayes, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

Sharon Hayes (1970, Baltimore. Vive na Filadélfia) utiliza vídeo, performance, som e escultura pública para expor interseções entre história, discurso e resistência social, desconstruindo narrativas históricas e reativando caminhos para compreensões alternativas do presente. Sua prática investiga as gramáticas linguísticas, afetivas e sonoras que moldam processos de dissidência. Realizou exposições no New Museum e Whitney Museum of American Art (Nova York), Contemporary Art Gallery (Vancouver), e San Francisco Museum of Modern Art, e participou da 55ª Bienal de Veneza.