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6 set 2025–11 jan 2026
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Raukura Turei

Raukura Turei

Nathan Pōhio
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios

 

A artista e arquiteta Raukura Turei iniciou sua trajetória expositiva em 2016, ganhando destaque com a mostra The Earth Looks Upon Us: Ko Papatūānuku te matua o te tangata [A Terra nos contempla], com curadoria de Tina Barton, na Adam Art Gallery Te Pātaka Toi, Wellington, em 2018. Para essa exposição, Turei criou Te poho o Hine-Ruhi (2018), usando argila, tinta acrílica e água sobre impressão digital. Obra monumental de 10 × 4 m, não só revelava seu profundo engajamento com o whenua (pigmento terrestre), como também afirmava a escala grandiosa como elemento fundamental de sua prática.

Te Ara Uwha, o caminho do sagrado feminino, representa quatro divindades femininas Māori por meio de pinturas em whenua. A partir do Te Ao Māori, o mundo e a cosmovisão Māori, a artista evoca o significado, o mana (prestígio) e o poder das deusas para materializar suas obras. Central nessa cosmologia está a separação entre Papatūānuku, a Mãe Terra e suprema divindade matriarcal, e seu amante Ranginui, a divindade celestial patriarcal. Dessa separação emergiu Te Ao Mārama, o mundo da luz, narrativa de criação compartilhada por diversas culturas oceânicas como origem da existência humana.

Como escreve Turei: “Os Māori têm um provérbio: ‘ko au te whenua, ko te whenua ko au’ [‘Eu sou a terra e a terra sou eu’]. Nossa genealogia remonta a Papatūānuku, a Mãe Terra, e Ranginui, o Pai Céu, cujos incontáveis filhos personificam cada elemento do mundo natural, e cuja essência está impressa em nosso ser, em nosso DNA”. Kurawaka, a região púbica de Papatūānuku e onde a primeira mulher foi criada, é uma terra vermelha sagrada chamada kōkōwai. Na instalação da artista, quatro divindades são representadas por pinturas em grande escala apoiadas por finos pou (postes verticais). Essas obras encarnam: Papatūānuku/Kurawaka; Hineahuone, a primeira mulher formada da terra vermelha de Kurawaka; Hinetītama, filha de Hineahuone, que por fim se transforma em Hine-nui-te-pō, deusa da morte e guardiã do submundo.

Vistas ou imaginadas de cima, as obras revelam o padrão Pouhine, desenho têxtil que representa a inversão do Poutama, uma forma tradicionalmente masculina. O Pouhine, estrutura que evoca um receptáculo, homenageia o whare tangata, o útero. Essa configuração traça a linhagem da luz às trevas, do reino dos vivos ao domínio espiritual, onde Hine-nui-te-pō acolhe seus filhos e os guia até Hawaiki, terra ancestral e espiritual dos Māori e povos oceânicos que compartilham esta whakapapa [genealogia].

Nathan Pōhio
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios
Pinturas em placas de madeira texturizadas
Vista de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pinturas em placas de madeira texturizadas
Vista de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pinturas em placas de madeira texturizadas
Vista de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pinturas em placas de madeira texturizadas
Vista de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Vídeo com uma pessoa botando as mãos sobre o rosto.
Vista de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pinturas em placas de madeira texturizadas
Detalhe de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Vídeo com uma pessoa botando as mãos sobre o rosto.
Vista de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma televisão de tela plana, fixada em uma parede azul, exibe a imagem de uma pessoa do peito para cima, coberta por uma substância escura e granulada. Os olhos da pessoa estão fechados, e o fundo é escuro e texturizado.
Vista de ŪKAIPŌ, de Raukura Turei, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Três painéis verticais exibem diferentes texturas: os painéis da esquerda e do meio apresentam padrões densos, semelhantes a escamas, em tons de marrom escuro e branco-alaranjado, respectivamente. O painel da direita exibe uma pintura abstrata e suave com formas curvas em tons quentes de laranja, marrom e roxo escuro.
Detalhe de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Um espaço de exposição interno apresenta uma série de grandes painéis independentes dispostos em linha. Os painéis em primeiro plano exibem padrões orgânicos e sinuosos em tons escuros e texturizados.
Detalhe de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Um espaço de exposição interno apresenta uma série de grandes painéis independentes dispostos em linha. Os painéis em primeiro plano exibem padrões orgânicos e sinuosos em tons de marrom e laranja, enquanto os mais ao fundo são mais escuros e texturizados.
Vista de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Um espaço de exposição interno apresenta uma série de grandes painéis independentes dispostos em linha. Os painéis em primeiro plano exibem padrões orgânicos e sinuosos em tons de marrom e laranja, enquanto os mais ao fundo são mais escuros e texturizados.
Vista de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Uma instalação de arte em uma galeria apresenta grandes painéis independentes. Dois painéis externos, um de cada lado, exibem padrões ondulantes em tons de marrom, laranja e preto. Vários painéis texturizados mais escuros formam um caminho central, por onde duas pessoas caminham.
Vista de Te Ara Uwha – mai i Kurawaka, de Raukura Turei, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo

Raukura Turei (1987, Aotearoa. Vive em Aotearoa) é artista multidisciplinar e arquiteta registrada. Sua prática utiliza pigmentos naturais, como argila azul e areia preta rica em ferro, coletados de territórios de importância cultural para seu povo. Explorando narrativas ancestrais e divindades femininas Māori, sua pintura torna-se um meio de conexão com sistemas de conhecimento indígenas. Turei realizou exposições individuais e coletivas em diversas instituições, incluindo o The Dowse Art Museum (Wellington), Objectspace (Auckland) e o Centre of Contemporary Art Toi Moroki (Christchurch).

Esta participação tem apoio de Creative New Zealand.

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