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Precious Okoyomon

Precious Okoyomon

1.

Entrevista com Yan Ciret publicada em Chroniques de la scène monde. Paris: Éditions La Passe du Vent, 2000.

Billy Fowo
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios

 

Como seriam os momentos de quietude e calmaria em meio ao burburinho de um evento como a Bienal de São Paulo? Que espaços de repouso coletivo poderíamos imaginar, e como eles transformariam a experiência do público enquanto seus corpos se movem pelos corredores repletos de obras?

Em diálogo com a proposta curatorial desta edição, Precious Okoyomon, artista dos Estados Unidos com ascendência nigeriana, apresenta Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me [Sol da consciência. Deus sopra através de mim – o amor me quebra] (2025), instalação que ressignifica parte do Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Com obras ousadas e monumentais, Okoyomon transita entre poesia, comida e instalação, combinando elementos sonoros com materiais orgânicos em constante transformação – pedras, plantas, árvores e musgos. Transitando sem esforço entre várias disciplinas, assume com naturalidade os papéis de artista visual, poeta, chef, cineasta e de quem compõe músicas, tendo a poesia e a palavra poética como fios condutores. Como revela em entrevistas, muitos de seus poemas germinaram antes dos objetos, tornando-se sementes de suas criações visuais.

Ao destacar a vulnerabilidade humana e nossas relações complexas e intrínsecas com o não humano, Okoyomon, nesta obra comissionada, dirige seu olhar metafórico para o Cerrado e seu ecossistema aparentemente caótico e frágil, traçando paralelos entre um dos maiores biomas do Brasil e a sociedade. Aqui o caos, frequentemente atribuído tanto à natureza quanto à humanidade, não remete a cacofonia ou desordem. Refere-se antes às relações simbióticas e imprevisíveis que emergem dos múltiplos encontros interdependentes entre seres animados e inanimados, formando igualmente a espinha dorsal do Cerrado e de nossas sociedades. Aquilo que Édouard Glissant denomina de Chaos-Monde1 em reflexão sobre os choques e encontros culturais.

Ecoando o provérbio em pidgin “Bodi no be fayawood” [O corpo não é lenha para queimar], a obra Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me enfatiza a necessidade de acolher o descanso e o refúgio como espaços produtivos, especialmente num mundo em constante transformação e ritmado pela lógica capitalista.

Billy Fowo
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo. © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena figura de fantasma na beira de um lago
Detalhe de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo
© Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo
© Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Vista aproximada de planta de haste comprida e folhagem fina
Detalhe de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequeno lago e árvores em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequeno lago com pedras e figuras de fantasma na beira
Detalhe de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo
© Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo
© Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pequena floresta em espaço com paredes de vidro e teto branco
Vista de Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me , de Precious Okoyomon, durante a 36ª Bienal de São Paulo
© Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

Precious Okoyomon (1993, Londres. Vive em Nova York) é artista conceitual e poeta. Sua prática investiga o mundo natural, as histórias de migração e racialização e os prazeres cotidianos, inspirando-se também em vivências com a comunidade queer e com a internet. Realizou exposições individuais no Museum Für Moderne Kunst (Frankfurt) e na Performance Space New York (Nova York), além de participar da 59ª e da 60ª Bienal de Veneza, da Bienal de Belgrado, da Okayama Art Summit e da Bienal da Tailândia. Apresentou seu trabalho em exposições no Institute of Contemporary Arts (Londres), Schinkel Pavillon (Berlim) e Fundação LUMA Arles. Integra coleções como a do Museum Für Moderne Kunst (Frankfurt) e LUMA Arles. Recebeu o Frieze Artist Award e o Chanel Next Art Prize.

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