Otobong Nkanga é uma aclamada artista visual e performática cuja prática expansiva aborda questões ambientais, identitárias, históricas e as dimensões sociopolíticas da exploração global de recursos. Utilizando diversos meios – incluindo desenho, instalação, escultura, performance e, de modo notável, tapeçaria tecida –, Nkanga examina as relações intrincadas entre pessoas e paisagens, interrogando as dinâmicas complexas da extração, comércio, migração e memória. Sua abordagem multidisciplinar e reflexiva a consolida como voz essencial na arte contemporânea, ecoando profundamente em públicos diversos ao redor do mundo.
A trajetória de Nkanga reflete um escopo internacional enriquecido por experiências e trocas interculturais. Formada inicialmente na Obafemi Awolowo University, na Nigéria, e posteriormente na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, aprimorou sua visão artística com estudos de pós-graduação no DasArts, em Amsterdã. Sua jornada profissional incluiu residências em instituições prestigiadas como a Rijksakademie van beeldende kunsten, em Amsterdã, e o programa DAAD, em Berlim, experiências que contribuíram significativamente para sua abordagem globalmente consciente.
Suas tapeçarias, parte integral de sua prática, representam narrativas estratificadas, combinando poesia visual com críticas contundentes à exploração ecológica e social. Esses têxteis intricados não apenas demonstram sua habilidade técnica e sofisticação estética, mas também funcionam como metáforas visuais para os fios interconectados das experiências humanas e realidades ambientais. Nkanga insere corpos na paisagem, apresentando-os como parte do rastro de destruição deixado pela exploração ambiental. Suas tapeçarias retratam paisagens abstratas e formas orgânicas entrelaçadas com referências simbólicas, convidando o espectador a contemplar a interdependência de histórias, economias e ecologias globais.
Na 36a Bienal de São Paulo, Nkanga apresenta obras da série Unearthed [Desenterrado] (2021), que sintetiza sua investigação contínua sobre a relação da humanidade com os elementos naturais e o meio ambiente. Esses trabalhos oferecem uma reflexão crítica sobre as tensões ecológicas e geopolíticas contemporâneas, manifestando o compromisso da artista em destacar vulnerabilidades ambientais e as responsabilidades compartilhadas de preservação e sustentabilidade.