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6 set 2025–11 jan 2026
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Ming Smith

Ming Smith

André Pitol

 

Pode uma fotografia ser audível? Há na imagem fotográfica propriedades capazes de repercutir ondas sonoras? Toda fotografia tem uma trilha sonora? Se pensarmos na obra da fotógrafa Ming Smith, não teremos dúvida de que é possível e, além disso, aconselhável. A longeva produção dedicada à fotografia de rua, principalmente com imagens em preto e branco, faz de Smith um exemplo dos mais especiais do porquê o ato de pegar uma câmera fotográfica em busca do registro das coisas do mundo, dos sons do mundo, é acompanhado de um sentimento de imensurabilidade e, nesse sentido, também de justiça.

A relação de Ming com a música é múltipla. Evidentes são as imagens em que a fotógrafa nos apresenta a sua proximidade com a cena musical estadunidense, com personagens como Grace Jones, David Murray e James Brown, além de incontáveis concertos de blues e conjuntos de improvisação, incluindo também viagens para Berlim e Cairo. Mas, além de tema, a música é também condutora do próprio processo poético e se materializa na pouca luz de muitas das imagens, assim como no seu desfocado, no sincopado presente na nitidez da cena ou na falta dela em fotografias como aquelas que giram em torno da cena do jazz. Também nos efeitos causados pela trepidação e pelo movimento da fotógrafa em sua observação urbana, o que no fundo faz com que a fotografia e a música se façam presentes como manifestações da transparência e da invisibilidade.

Em Invisible Man [Homem invisível] (1988-1991), o interesse de Ming está na relação que esse título possui com o livro homônimo de Ralph Ellison, especialmente nos elementos que caracterizam a sua personagem, ou seja, a substância, a carne e osso, as fibras e a mente que, de hipervisíveis, invertem a sua presença em invisibilidade. Na série, os elementos sonoros e visuais descritos – o sincopado, o desfocado, a trepidação, a baixa exposição – alcançam o campo do literário, em que cenas da ordem do comunitário, do encontro noturno, da perambulação solitária compõem – se como canções de um álbum duplo, com suas faixas principais, assim como seus remixes e versões. No todo, a experiência afro-americana e negro-diaspórica em Ming Smith se dá, pois, pelo ritmo, pela batida e pelas vibrações da câmera fotográfica em cena, no culto, no show ou no cotidiano da rua.

André Pitol
Parede rosa com várias fotografias expostas
Vista de obras de Ming Smith durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede rosa com várias fotografias expostas
Vista de obras de Ming Smith durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede rosa com várias fotografias expostas
Vista de obras de Ming Smith durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede rosa com várias fotografias expostas
Vista de obras de Ming Smith durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de obras de Ming Smith na itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu de Arte Contemporânea de Goiás, em Goiânia © Paulo Rezende / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de obras de Ming Smith na itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu de Arte Contemporânea de Goiás, em Goiânia © Paulo Rezende / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de obras de Ming Smith durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu de Arte do Rio © Fabio Souza / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de uma parede rosa com várias fotos organizadas nela, que mostram várias cenas, a maioria em preto e branco e algumas poucas coloridas. Uma dessas coloridas mostra um pássaro contra um céu azul e a sombra de uma pessoa de costas olhando para o pássaro.
Vista de obras de Ming Smith durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Sesc Santos © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma parede rosa exibe diversas fotografias emolduradas em preto e branco, dispostas em três grupos distintos. Uma grande foto horizontal está centralizada, ladeada por dois agrupamentos verticais de imagens menores.
Vista de obras de Ming Smith durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo na Pinacoteca do Ceará © Marília Camelo / Pinacoteca do Ceará
Uma sala de exposições apresenta uma longa parede rosa coberta com inúmeras fotografias emolduradas em preto e branco. À direita, duas grandes esculturas translúcidas, repletas de esferas douradas, pendem do teto, com divisórias de tecido azul e vermelho ao fundo. O piso é de concreto polido.
Vista da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo na Pinacoteca do Ceará © Marília Camelo / Pinacoteca do Ceará
Uma sala de galeria apresenta uma parede rosa com diversas fotografias emolduradas, predominantemente em preto e branco, com uma única imagem colorida. Em frente, uma parede branca está coberta por colunas de texto, e uma porta escura é visível entre as duas paredes.
Vista de obras de Ming Smith durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo na Pinacoteca do Ceará © Marília Camelo / Pinacoteca do Ceará
Uma parede rosa exibe uma exposição de fotografias emolduradas em preto e branco e uma tela colorida central. A tela mostra um homem de camisa azul olhando para um pássaro em um céu azul. As fotografias, dispostas em grupos à esquerda e à direita da tela, retratam diversas cenas e pessoas.
Vista de obras de Ming Smith durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo na Pinacoteca do Ceará © Marília Camelo / Pinacoteca do Ceará
Três fotografias emolduradas em preto e branco estão dispostas horizontalmente em uma parede vermelha vibrante. A foto da esquerda mostra duas crianças perto de uma barreira com a inscrição
Vista de obras de Ming Smith durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Três fotografias emolduradas em preto e branco estão penduradas em uma parede vermelha vibrante. A foto mais à direita mostra duas crianças em uma calçada com uma barreira da polícia indicando
Vista de obras de Ming Smith durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Onze fotografias emolduradas em preto e branco estão dispostas horizontalmente em uma parede vermelha vibrante. As imagens são pequenas e não individualmente discerníveis, sobre um piso de cor clara.
Vista de obras de Ming Smith durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Onze fotografias emolduradas em preto e branco estão dispostas em várias fileiras em uma parede rosa da galeria. As imagens mostram diversas cenas, em sua maioria com pessoas.
Vista de obras de Mao Ishikawa durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Quatro fotografias emolduradas em preto e branco estão expostas em uma parede rosa. A da esquerda mostra duas pessoas com uma substância branca no rosto e as mãos levantadas. A foto do meio retrata pessoas ao redor de motocicletas, enquanto as duas da direita mostram grupos de pessoas, incluindo crianças, em diferentes contextos.
Vista de obras de Mao Ishikawa durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Quatro fotografias emolduradas em preto e branco estão dispostas horizontalmente em uma parede rosa vibrante. As imagens retratam diversas cenas, incluindo uma pessoa com um penteado afro, crianças brincando ao ar livre e uma criança na praia.
Vista de obras de Mao Ishikawa durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Cinco fotografias emolduradas em preto e branco estão expostas em uma parede rosa vibrante. As imagens retratam diversas cenas espontâneas de pessoas em ambientes internos, incluindo retratos e encontros em grupo.
Vista de obras de Mao Ishikawa durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Cinco fotografias emolduradas em preto e branco estão expostas em uma parede rosa vibrante. A fileira superior mostra duas pessoas, um grupo descansando e uma pessoa sentada usando um chapéu estampado. A fileira inferior mostra um grupo de pessoas sorrindo e outro grupo sentado à mesa.
Vista de obras de Mao Ishikawa durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo

Ming Smith (Detroit. Vive em Nova York) fotografa desde a infância, criando imagens que exploram movimento, luz, ritmo e sombra. Após se formar na Howard University, nos anos 1970, integrou a comunidade de artistas negros do Harlem. Foi a primeira fotógrafa negra a ter uma obra adquirida pelo MoMA, em Nova York. Conhecida por sua fotografia de rua em preto e branco e retratos de figuras centrais da cultura negra, adota processos meticulosos que incluem técnicas na câmera e na pós-produção, como baixas velocidades do obturador, colagens e pintura manual sobre impressões. Sua obra integra acervos do Museum of Modern Art (MoMA) e do Brooklyn Museum (Nova York), do African American Museum (Filadélfia) e do Detroit Institute of Arts (Detroit).

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