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6 set 2025–11 jan 2026
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María Magdalena Campos-Pons

María Magdalena Campos-Pons

Marissa Del Toro
Traduzido do inglês por Mariana Nacif Mendes e Nicolas Brandão

 

Dizer o indizível, dar um testemunho e contemplar a verdade estão no centro da trajetória de quarenta anos de María Magdalena Campos-Pons como artista multidisciplinar. Sua prática abrange uma variedade de mídias interligadas, desde instalações, performances e trabalhos fotográficos até pinturas, esculturas e vídeos que abordam questões raciais, históricas, sociopolíticas, de memória, gênero, religião e espiritualidade. Grande parte de seu trabalho é criada a partir de uma narrativa autobiográfica baseada em suas histórias familiares e sua origem como artista cubana descendente de imigrantes hispânicos, chineses e de escravizados nigerianos trazidos para a ilha no século 19. Campos-Pons utiliza sua intersecionalidade como fonte de poder e posição para representar em seu trabalho distintas narrativas, experiências e realidades. Sua identidade e obra artística situam-se em um espaço intangível e intermediário que a artista visualiza através do corpo como sujeito e gesto. O corpo na obra de Campos-Pons é frequentemente encenado, fragmentado, acumulado ou performado para canalizar uma memória coletiva e individual da existência e da resistência.

Em muitas peças, o uso do autorretrato por Campos-Pons transmite o conhecimento espiritual, interno, por ela incorporado das raízes de sua família e da ancestralidade das práticas da santeria. Desenvolvida na Cuba do século 19, a santeria, também conhecida como Regla de Ocha ou lucumí, é uma religião sincrética derivada da religião tradicional da África Ocidental, iorubá, e do catolicismo. No ensaio da curadora e estudiosa Carmen Hermo, “María Magdalena Campos-Pons: Behold”, ela observa como Campos-Pons explora “a ênfase da santeria no conhecimento incorporado em práticas como procissões rituais, fitoterapia, canções e cantos, e na crença fundamental do iorubá de que a existência abrange dois reinos: o físico e tangível e o espiritual”. A ênfase no conhecimento incorporado é essencial para a prática de Campos-Pons, na qual ela aborda o legado histórico do colonialismo, o tráfico transatlântico de escravizados, o sofrimento humano e a culpa do sobrevivente, recorrendo à memória coletiva e individual como método de cura e purificação espiritual. O uso das memórias como linguagem artística honra as pessoas, os lugares e os atos de resistência das Américas.

Frequentemente, símbolos recorrentes, como olhos, borboletas e romãs, junto com representações de água, fauna, árvores e plantas, funcionam como metáforas e temas ligados à espiritualidade da cura, mas também, de forma simples, como lembrança, resistência, confiança e beleza. Por meio de seu trabalho, Campos-Pons proporciona aos espectadores uma conexão emocional para a contemplação, a força otimista, o poder de sobrevivência e o acesso a uma energia que normalmente não é acolhida pela nossa sociedade contemporânea. Campos-Pons é uma artista que canaliza a energia do corpo negro, das experiências e das realidades como uma forma de comunicação visual, com informações do passado e do presente, mas, acima de tudo, como uma homenagem aos tempos futuros e às possibilidades da existência humana.

Marissa Del Toro
Traduzido do inglês por Mariana Nacif Mendes e Nicolas Brandão
Escultura vermelha em formato de helicônia no meio de duas paredes redondas de tecido com helicônias impressas no tecido translúcido.
Vista de Macuto, de María Magdalena Campos-Pons, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Escultura vermelha em formato de helicônia no meio de duas paredes redondas de tecido com helicônias impressas no tecido translúcido.
Vista de Macuto, de María Magdalena Campos-Pons, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Escultura vermelha em formato de helicônia no meio de duas paredes redondas de tecido com helicônias impressas no tecido translúcido.
Vista de Macuto, de María Magdalena Campos-Pons, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Escultura vermelha em formato de helicônia no meio de duas paredes redondas de tecido com helicônias impressas no tecido translúcido.
Vista de Macuto, de María Magdalena Campos-Pons, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Escultura vermelha em formato de helicônia no meio de duas paredes redondas de tecido com helicônias impressas no tecido translúcido.
Vista de Macuto, de María Magdalena Campos-Pons, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de seis pinturas de tamanho igual em frente a parede azul. As pinturas são coloridas e mostram mulheres que se transformam em plantas.
Vista de obras de María Magdalena Campos-Pons durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de duas pinturas de tamanho igual em frente a parede azul. As pinturas são coloridas e mostram mulheres que se transformam em plantas.
Vista de obras de María Magdalena Campos-Pons durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de duas pinturas de tamanho igual em frente a parede azul. As pinturas são coloridas e mostram mulheres que se transformam em plantas.
Vista de obras de María Magdalena Campos-Pons durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de duas pinturas de tamanho igual em frente a parede azul. As pinturas são coloridas e mostram mulheres que se transformam em plantas.
Vista de obras de María Magdalena Campos-Pons durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de seis pinturas de tamanho igual em frente a parede azul. As pinturas são coloridas e mostram mulheres que se transformam em plantas.
Vista de obras de María Magdalena Campos-Pons durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de duas pessoas fazendo uma prece.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Iza Guedes / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de duas pessoas fazendo uma prece.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de um vídeo escrito
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de um vídeo escrito
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de uma pessoa usando um vestido branco até o chão e chapéu cobertos de ampolas de água azul escuro.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de uma pessoa usando um vestido branco até o chão e chapéu cobertos de ampolas de água azul escuro.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de uma pessoa usando um vestido branco até o chão e chapéu cobertos de ampolas de água azul escuro.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de uma pessoa usando um vestido branco até o chão e chapéu cobertos de ampolas de água azul escuro.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de uma pessoa usando um vestido branco até o chão e chapéu cobertos de ampolas de água azul escuro.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Iza Guedes / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de uma pessoa usando um vestido branco até o chão e chapéu cobertos de ampolas de água azul escuro.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Iza Guedes / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de uma pessoa usando um vestido branco até o chão e chapéu cobertos de ampolas de água azul escuro.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de uma pessoa usando um vestido branco até o chão e chapéu cobertos de ampolas de água azul escuro e músicos.
Vista da performance Invocação, de María Magdalena Campos-Pons com Kamaal Malak, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

María Magdalena Campos-Pons (Matanzas, 1959. Vive em Nashville) cria obras que abordam temas como história, memória, gênero e religião, investigando o papel que desempenham na formação da identidade. Sua prática reúne fotografia, pintura, escultura, cinema, vídeo e performance. Campos-Pons participou de exposições e bienais internacionais, além de ter sido tema de exposições individuais em museus ao redor do mundo, incluindo o Brooklyn Museum e o J. Paul Getty Museum (Los Angeles) que apresentou sua individual multimídia Behold. Em 2023, foi contemplada com a MacArthur Fellowship. Atualmente, é titular da Cátedra Cornelius Vanderbilt e professora de Belas Artes na Vanderbilt University, onde fundou o programa Engine for Art, Democracy & Justice.

Esta participação é apoiada por ifa – Institut für Auslandsbeziehungen.

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