A era digital e os meios de comunicação são mecanismos da arte contemporânea que Josèfa Ntjam manipula e combina em suas esculturas, filmes, fotomontagens e sons, utilizando-os como ferramentas para refletir sobre a biologia, as narrativas tradicionais africanas e a própria construção da f icção científica.
Ntjam realiza pesquisas minuciosas sobre eventos históricos, conceitos filosóficos e funções da ciência, demonstrando um interesse em desenterrar narrativas ocultas e apagadas como um modo de reinterpretar o conhecimento estabelecido. Com trabalhos que transcendem a fronteira temporal e espacial, a artista cria realidades alternativas e futuros possíveis. Nesses espaços, ela dissolve as categorias e identidades fixas para dar lugar a novas formas de ser, estar e conhecer.
Os filmes de Ntjam, nos quais o público é convidado a explorar um ecossistema complexo de organismo, são tomados de plasticidade, cor e forma, e podem ser comparados a observações via telescópio ou microscópio. Trata-se de uma perspectiva que amplia o nosso discernimento da realidade, realçada por uma profusão de cores e formas orgânicas que coabitam o espaço e resultam em uma criação, expressando uma relação intensa com a natureza da natureza, que está em constante transformação e interconexão.
A música em sua prática exerce um papel fundamental para a narrativa que desafia a linearidade ocidental. Sob a influência do afrofuturismo de Sun Ra e do ritmo do jazz, o som gera uma sensação de ambiguidade e mistério ao público por representar sonoramente tanto um momento pós-apocalíptico quanto o início de uma nova era.