Espontaneidade, incompletude e não convencionalidade caracterizam a prática artística icônica de Isa Genzken, desenvolvida nas últimas cinco décadas. Trabalhando com diversas mídias e materiais ao longo de sua extensa prática, Genzken é conhecida por suas esculturas, instalações e f ilmes que exploram o realismo contemporâneo. Desde o final da década de 1990, Genzken tem trabalhado com objetos do cotidiano como insígnias do mundo do consumo, combinando-os com materiais decorativos industriais, bem como fragmentos de imagens da mídia popular e de fotografias pessoais. Ela cria montagens exclusivas, peças de parede e cenários tridimensionais em várias escalas a partir do que chama de “materiais do mundo real”, como brinquedos produzidos em massa, bens de consumo baratos, caixas de papelão ubíquas e Mylar brilhante.
Junto com os materiais detríticos presentes em muitas das obras de Genzken, o espaço social e a interação são componentes críticos adicionais de seu trabalho. Espelhos ou superfícies reflexivas permitem que os espectadores se vejam refletidos nas obras. Frequentemente, suas esculturas e instalações estimulam o espectador a se movimentar e se posicionar em relação a elas. Dessa forma, as ações do espectador tornam-se parte da obra e contribuem para a sensação de incerteza e espontaneidade com a qual Genzken brinca modestamente. A sensação de espaço vazio está ligada ao interesse constante da artista por formas arquitetônicas. Criada durante a fase de reconstrução da Alemanha Ocidental no pós-guerra, Genzken utiliza como método em suas obras as ruínas desconstruídas ou reconstruídas da paisagem urbana.
Nos últimos anos, Genzken criou cenas em tamanho real com manequins que ela veste com suas próprias roupas usadas, complementadas por roupas de trabalho e de proteção e, por fim, acentuadas com materiais decorativos e tinta spray. Vendadas por folhas refletivas ou silenciadas com fita adesiva colorida, as figuras se tornam autorretratos pungentes e indisfarçáveis da artista. Em sua série Schauspieler [Ator], da qual fazem parte as obras de 2015 apresentadas na Bienal, ela encena seus manequins como “atores” em várias configurações aparentemente baseadas em narrativas para sobrepor questões em camadas, relacionadas a sociopolítica, mídia e corpo. A história dos manequins está sempre mudando e, por um lado, é vinculada e relevante à região e ao período em que é exibida. Geralmente vistos em formações de trupe, às vezes como uma família, esses arranjos de figuras refletem, por outro lado, sobre as constelações básicas de relacionamentos humanos. Retraídas e vazias, elas transmitem uma sensação de incompletude e teatralidade desconcertante. No entanto, sozinhas no espaço, tornam-se parte da arquitetura, funcionando como uma cariátide, erigida como um suporte arquitetônico independente que observa as mudanças atuais do mundo no decorrer do tempo.