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6 set 2025–11 jan 2026
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Firelei Báez

Firelei Báez

Naiomy Guerrero
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios

 

Firelei Báez é uma aclamada artista visual cuja prática complexa e multifacetada aborda histórias diaspóricas, identidades intersecionais e memória cultural. Utilizando pintura, desenho e instalações em grande escala, Báez questiona narrativas históricas e representações visuais, com especial atenção para histórias marginalizadas relacionadas a experiências afro-caribenhas e afrodiaspóricas.

O trabalho da artista incorpora pesquisa de arquivo e iconografia, misturando documentos históricos, mapas, simbolismo mitológico e elementos do folclore afro-indígena e da cultura popular. Seus retratos juntam referências visuais de mitologias e rituais locais com imagens da ficção científica e do fantástico; neles, as identidades são fluidas, e as narrativas herdadas se apresentam em contínua transformação. Essa abordagem permite a Báez desconstruir o colonialismo, as dinâmicas migratórias e as construções identitárias raciais, desafiando narrativas convencionais por meio de intervenções visuais vibrantes e impactantes. Seu vocabulário artístico é fortemente marcado por tradições têxteis, ornamentos corporais e elementos da natureza, que ela transforma em símbolos potentes de resistência, hibridismo e resiliência cultural.

Uma dimensão importante da prática de Báez é o uso de esquemas cromáticos intensos e técnicas sofisticadas de sobreposição, que materializam visualmente a fluidez e as complexidades da identidade cultural. Suas pinturas dissolvem os limites entre figuração e abstração, evocando diversas camadas de significado que exigem um olhar ativo do espectador. Essa estratégia estética possibilita não apenas a revisão de narrativas históricas dominantes, mas principalmente o florescimento de perspectivas marginalizadas. Ao situar as narrativas afrodiaspóricas em contextos globais mais amplos, Báez realiza um duplo movimento: resgata histórias silenciadas e, ao mesmo tempo, reconfigura ativamente o entendimento contemporâneo sobre hibridismo cultural e memória coletiva.

Naiomy Guerrero
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios
Dois quadros sobre uma parede azul. O quadro da esquerda possui uma grande escultura de metálica retratando um peixe e adereços redondos sobre um mapa. O quadro da direita retrata formas que remetem a folhas de árvores e figuras humanas estilizadas.
Vista de Balangandan (Planisphere 1587), de Firelei Báez, e Two Figures in Two Balls, de Kamala Ibrahim Ishag, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Foto de obra quadrada sobre parede azul, na pintura há um mapa múndi aberto em círculo com elementos nas pontas e uma pintura de um grande balangandã sobre o mapa.
Detalhe de Balangandan (Planisphere 1587), de Firelei Báez, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Dois quadros sobre uma parede azul. O quadro da esquerda possui uma grande escultura de metálica retratando um peixe e adereços redondos sobre um mapa. O quadro da direita retrata formas que remetem a folhas de árvores e figuras humanas estilizadas.
Vista de Balangandan (Planisphere 1587), de Firelei Báez, e Two Figures in Two Balls, de Kamala Ibrahim Ishag, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

Firelei Báez (1981, Santiago de los Caballeros. Vive em Nova York) é artista visual conhecida por obras em papel, tela, esculturas e instalações de grande escala. Sua prática investiga histórias não contadas e vozes silenciadas, utilizando retrato, paisagem e design para questionar o cânone ocidental. Referenciando culturas visuais diversas, representa corpos de maneiras que desafiam estruturas de raça e classe. Participou da 10ª Bienal de Berlim e da 59ª Bienal de Veneza. Suas obras integram coleções públicas como Dallas Museum of Art, Guggenheim Abu Dhabi, Solomon R. Guggenheim Museum, The Studio Museum e Whitney Museum of American Art (Nova York), e Tate (Londres).