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6 set 2025–11 jan 2026
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Ernest Cole

Ernest Cole

André Pitol

 

Muitas são as notícias na mídia em que celulares, guarda-chuvas e furadeiras foram confundidos com armas de fogo; situações nas quais vítimas inocentes, sobretudo homens de cor, foram assassinadas pela polícia, em uma desculpa com a qual mais a vida e humanidade de um homem de cor (em sua brutal maioria) foi perdida diante de uma sociedade dividida por um pacto ao mesmo tempo invisível, mas também de cor, que segue em uma marcha coletiva, como se nada tivesse acontecido. Para o fotógrafo Ernest Cole (1940-1990), essa situação é mais próxima do que parece: uma câmera na mão teria sido (e foi) o suficiente para colocar sua vida em risco e, caso “confundido”, tivesse sua humanidade capturada por um pacto entre uma minoria branca tão explícito que se oficializou enquanto regime de separação social e política por mais de quatro décadas.

Registrando a violência do apartheid na África do Sul durante as décadas de 1950 e 1960, a obra de Cole nos lembra quão próximas são as tecnologias bélicas e fotográficas, por exemplo, nas ações de atirar em alguém e tirar uma fotografia, assim como na engenharia explosiva de impacto para ativar um obturador ou um gatilho. Foi esse sistema de segregação política e imagética que forçou a fuga de Cole para os Estados Unidos, em 1966, deslocamento no qual conseguiu levar os negativos fotográficos. Permanentemente banido de seu lar e residindo em Nova York, Cole organizou seus escritos e relatos fotográficos em primeira pessoa, dividindo-os em catorze capítulos que carregavam títulos como “As minas”, “Viagens de pesadelo”, “Apenas para brancos”, “Educação pela servidão”, “Herdeiros da pobreza”, “O consolo da religião” e “Classe média africana”. Lá publicou um dos primeiros trabalhos a expor as injustiças do apartheid para o resto do mundo: House of Bondage [Casa da servidão] (1967).

Inicialmente criado como um fotolivro, foi através do toque das mãos ao folhear as páginas e do olhar atento a uma imagem naquele objeto impresso que House of Bondage se espalhou por diferentes públicos, que poderiam seguir a estrutura narrativa do livro ou pular para algum capítulo específico, como os já citados. Mas, à medida que a fotografia de Cole passou a circular em exposições, seu testemunho fotográfico chegou ao público também renovado: no lugar do toque no livro, agora existia a necessidade de o corpo se mover para perto da fotografia pendurada na parede, transferindo a sensibilidade das mãos para os olhos, atentos ao espaço expositivo; e, no lugar da narrativa em capítulos, a história contada pela seleção e organização de alguns dos momentos capturados pelo fotógrafo.

André Pitol
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Parede laranja com várias fotografias em preto e branco
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, na itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu de Arte Contemporânea de Goiás, em Goiânia © Paulo Rezende / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, na itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu de Arte Contemporânea de Goiás, em Goiânia © Paulo Rezende / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de obras de Mao Ishikawa durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional da República © Diego Bresani / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de obras de Ernest Cole durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional da República © Diego Bresani / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de obras de Ernest Cole durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional da República © Diego Bresani / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de obras de Mao Ishikawa durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional da República © Diego Bresani / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de obras de Sérgio Soarez e Mao Ishikawa durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional da República © Diego Bresani / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional da República © Diego Bresani / Fundação Bienal de São Paulo
Vista da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional da República © Diego Bresani / Fundação Bienal de São Paulo
Duas fotografias emolduradas em preto e branco estão penduradas em uma parede azul. A foto da esquerda mostra uma escadaria com pessoas, com placas indicando
Detalhe de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Diversas fotografias emolduradas em preto e branco estão expostas em uma parede azul. Uma foto mostra uma pessoa sentada em um banco com a inscrição
Detalhe de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Uma parede azul da galeria exibe uma disposição irregular de fotografias emolduradas em preto e branco. As imagens retratam pessoas em diversos cenários, e figuras desfocadas de visitantes se movem em primeiro plano.
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Duas fotografias emolduradas em preto e branco estão penduradas em uma parede azul-clara. A foto da esquerda mostra uma pessoa deitada de costas, com a cabeça inclinada para trás e a boca aberta. A foto da direita mostra várias pessoas sentadas, uma delas em primeiro plano olhando para um objeto em cima de uma mala.
Detalhe de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Diversas fotografias emolduradas em preto e branco estão expostas em uma parede azul. A foto central mostra uma pessoa atrás de arame farpado contra uma parede de tijolos. À sua esquerda, uma foto retrata a plataforma de uma estação de trem com pessoas, e à sua direita, uma pessoa sentada em uma sala.
Detalhe de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Dez fotografias emolduradas em preto e branco estão expostas em uma parede azul-clara. As imagens mostram diversas figuras humanas e cenas, incluindo um homem de terno, pessoas em uma plataforma de trem e indivíduos em ambientes internos e externos.
Detalhe de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Oscar Niemeyer © Vinícius Perbichi / Fundação Bienal de São Paulo
Uma vibrante parede azul exibe uma disposição horizontal de fotografias emolduradas. As imagens são predominantemente em preto e branco e retratam diversos grupos de pessoas.
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile © Daniel Barahona. Cortesia: Centro Cultural La Moneda
Diversas fotografias emolduradas em preto e branco estão expostas em uma parede azul vibrante. A imagem central mostra um homem de cabelo curto, sorrindo enquanto toca guitarra elétrica. Outras fotografias são parcialmente visíveis ao redor.
Detalhe de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile © Daniel Barahona. Cortesia: Centro Cultural La Moneda
Oito fotografias emolduradas em preto e branco estão dispostas em uma parede azul vibrante. As imagens capturam diversas cenas de pessoas, incluindo atividades de rua, músicos se apresentando, indivíduos descansando em um espaço comum e closes de tarefas cotidianas.
Detalhe de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile © Daniel Barahona. Cortesia: Centro Cultural La Moneda
Uma vibrante parede azul exibe uma disposição horizontal de fotografias emolduradas. As imagens são predominantemente em preto e branco e retratam diversos grupos de pessoas.
Vista de House of Bondage, de Ernest Cole, durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile © Daniel Barahona. Cortesia: Centro Cultural La Moneda

Ernest Cole (Eersterust, 1940 – Nova York, 1990) foi fotógrafo e autor de um extenso registro das condições de vida sob o apartheid. Atuando de forma clandestina na década de 1960, produziu imagens que compõem o livro House of Bondage, publicado no exterior e banido em seu país. Exilou-se em 1966, e fotografou para instituições como a Ford Foundation e a revista Life. Sua obra foi redescoberta nas últimas décadas, com exposições em instituições como The Photographers’ Gallery (Londres) e Foam (Amsterdã), e hoje integra acervos como os do Museum of Modern Art (Nova York), Art Institute of Chicago e Tate Modern (Londres).

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