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6 set 2025–11 jan 2026
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Emeka Ogboh

Emeka Ogboh

Texto fornecido pelo artista
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios

 

The Way Earthly Things Are Going II (Mother Earth’s Lament) [O rumo das coisas terrenas II (Lamento da Mãe Terra)] (2025) é uma instalação sonora e objetual concebida para a 36a Bienal de São Paulo. Alinhada ao tema curatorial do evento, que propõe a humanidade como prática ética e ativa, a obra reflete sobre o profundo e muitas vezes violento entrelaçamento entre progresso humano e colapso ecológico. Partindo do desmatamento como eixo, a instalação combina a força emotiva da rapsódia popular, estruturas sonoras contemporâneas alimentadas por dados e um ambiente multissensorial, criando uma experiência imersiva que reflete sobre a interdependência entre humano e meio ambiente.

Em ressonância com o “Fragmento I” do conceito curatorial da Bienal, que nos convoca a escutar o mundo e dialogar com a natureza como forma de praticar a humanidade, a obra reativa nossas capacidades auditivas, visuais e olfativas diante da devastação ambiental. A instalação se alimenta de pesquisas ecológicas, narrativas orais e cantos tradicionais de luto e reverência à natureza. Esses elementos são recompostos numa obra contemporânea em forma de coro que dá voz ao sofrimento da Terra e à fragilidade dos ecossistemas que continuamos a erodir.

A letra da obra estrutura-se na tradição do lamento folk: simples, direta e emocionalmente ressonante. Essa abordagem lírica amplia a acessibilidade e a profundidade do trabalho, convidando a uma conexão íntima por meio de imagens poéticas, repetição e canto responsorial. Os versos descrevem a dor da Terra em linguagem vívida, enquanto o refrão ancora o panorama emocional no luto coletivo. A ponte acentua a urgência, apontando para catástrofes ambientais causadas pelo ser humano, enquanto a conclusão se dissolve em silêncio, um último suspiro que deixa para trás uma ausência perturbadora. Essa estrutura se adapta naturalmente ao formato multicanal a cappella da instalação: conforme as vozes do coro emergem individualmente de alto-falantes esculpidos em tocos de árvore, harmonias sobrepostas enriquecem a simplicidade do folk, criando um lamento espacial que ecoa no tempo.

Os cantos populares, veículos de memória cultural, guardam em si o conhecimento ancestral e a sabedoria vivida de comunidades que cultivaram a coexistência com a terra. Em The Way Earthly Things Are Going II, essas canções são reinterpretadas por um coro contemporâneo de mulheres e incorporadas a vestígios escultóricos do mundo natural – tocos de árvores que outrora ressoavam com vida. Mediante esse gesto, a instalação une sabedoria ancestral a urgência ecológica contemporânea, transformando cada toco num corpo ressonante que chora seu próprio desaparecimento. As canções do cancioneiro popular perduram não pela grandiosidade, mas pela honestidade. Falam diretamente ao coração, transcendendo barreiras culturais ou linguísticas. Em The Way Earthly Things Are Going II, a forma do folk torna-se veículo para um lamento planetário e, talvez, para um chamado à atenção antes que o silêncio se instale.

Texto fornecido pelo artista
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios
Troncos de árvore cortados, com caixas de som instaladas, sobre chão com pedaços de carvão em luz vermelha
Vista de The Way Earthly Things Are Going II (Mother Earth’s Lament), de Emeka Ogboh, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Troncos de árvore cortados, com caixas de som instaladas, sobre chão com pedaços de carvão em luz vermelha
Vista de The Way Earthly Things Are Going II (Mother Earth’s Lament), de Emeka Ogboh, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Troncos de árvore cortados, com caixas de som instaladas, sobre chão com pedaços de carvão em luz vermelha
Vista de The Way Earthly Things Are Going II (Mother Earth’s Lament), de Emeka Ogboh, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Troncos de árvore cortados, com caixas de som instaladas, sobre chão com pedaços de carvão em luz vermelha
Vista de The Way Earthly Things Are Going II (Mother Earth’s Lament), de Emeka Ogboh, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Troncos de árvore cortados, com caixas de som instaladas, sobre chão com pedaços de carvão em luz vermelha
Vista de The Way Earthly Things Are Going II (Mother Earth’s Lament), de Emeka Ogboh, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Troncos de árvore cortados, com caixas de som instaladas, sobre chão com pedaços de carvão em luz vermelha
Vista de The Way Earthly Things Are Going II (Mother Earth’s Lament), de Emeka Ogboh, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Troncos de árvore cortados sobre chão com pedaços de carvão em luz vermelha
Vista de The Way Earthly Things Are Going II (Mother Earth’s Lament), de Emeka Ogboh, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

Emeka Ogboh (Enugu, 1977. Vive em Berlim) relaciona-se com os lugares por meio de todos os sentidos humanos – visão, audição, paladar, olfato e tato. Suas instalações artísticas e criações culinárias incorporam elementos sensoriais para explorar como memórias e histórias privadas, públicas e coletivas são traduzidas, transformadas e codificadas em diferentes experiências sensoriais. Sua prática também oferece uma base para refletir sobre questões críticas como migração, globalização e pós-colonialismo. Participou de exposições de destaque, entre elas a documenta 14 e a 56ª Mostra Internacional de Arte – La Biennale di Venezia.

Esta participação tem apoio do Institut für Auslandsbeziehungen – IFA.

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