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6 set 2025–11 jan 2026
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Chaïbia Talal

Chaïbia Talal

Morad Montazami
Traduzido do inglês por Mariana Nacif Mendes e Nicolas Brandão

 

Chaïbia Talal (1929-2004) foi uma pintora marroquina nascida em Chtouka, um pequeno vilarejo próximo a El Jadida, no Marrocos. Ela se casou aos treze anos, e logo teve um filho, mas ficou viúva aos quinze. Sua própria história conta que seus sonhos a salvaram quando, aos 25 anos de idade, alguns estranhos apareceram para ela e lhe ofereceram canetas e folhas para desenhar. Imediatamente inspirada, ela assumiu sua vocação como pintora e acabou sendo a primeira artista marroquina a fazer carreira internacional, impulsionada especialmente por um encontro com o curador francês Pierre Gaudibert, em 1965. Artista autodidata, suas pinturas são cruas e imprevisíveis, coloridas e neoexpressionistas, com alguns ecos de Asger Jorn e do movimento de pintura CoBrA. No início, seu trabalho não foi bem recebido no Marrocos, pois ela era vista como tributária da arte naïf e folclórica, em um cenário artístico dominado por homens (embora artistas da Escola de Arte de Casablanca, como Mohamed Melehi e Farid Belkahia, defendessem-na como uma artista respeitável). Em 1966, depois de mais de uma década pintando, a carreira de Chaïbia realmente decolou quando ela foi apresentada em uma exposição no Instituto Goethe, em Casablanca, obtendo reconhecimento internacional. No mesmo ano, ela mostrou seu trabalho na Galerie Solstice e no Salon des Surindépendants no Musée d’Art Moderne de Paris; e, nas duas décadas seguintes, na Dinamarca, Alemanha, Espanha e Holanda. Em sua paisagem onírica de cores vivas e figuras animadas, que parecem estar ora saindo do quadro, ora se dissolvendo, mulheres, crianças e casais, bem como tecelões, adoradores e enlutados, coexistem em rituais agitados e em estranha harmonia. Totalmente incorporada pela artista, cujas roupas e pinturas corporais simbolizam sua intimidade com o espiritual, sua arte também fala sobre sinais e crenças populares e esotéricas. Ao contrário do que alguns preconceituosamente podiam pensar, Chaïbia não estava isolada do restante do cenário artístico marroquino, pois participava regularmente de exposições coletivas e nacionais; foi especialmente convidada a criar murais em grande escala para o Festival Cultural Moussem de Asilah e fez parte do grupo de artistas convidados a colaborar com os pacientes do hospital psiquiátrico de Berrechid (tudo isso no início da década de 1980). Antes de falecer de um ataque cardíaco em 2004, Chaïbia Talal recebeu a medalha de ouro da Sociedade da Academia Francesa de Educação e Incentivo.

Morad Montazami
Traduzido do inglês por Mariana Nacif Mendes e Nicolas Brandão
Quadros coloridos em parede vermelha
Vista de obras de Chaïbia Talal durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Quadros coloridos em parede vermelha
Vista de obras de Chaïbia Talal durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Pintura colorida, com diversas formas compridas e arredondadas em tons de vermelho, branco, rosa, azul, laranja, amarelo, marrom, roxo e verde, com linhas em preto contornando algumas formas e duas figuras lado a lado, com faces estilizadas. No canto inferior direito, a assinatura da artista com a inscrição CHAÏBIA em tinta preta.
Vista de Femme et enfant, de Chaïbia Talal, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

Chaïbia Talal (Chtouka, 1929–Casablanca, 2004) foi uma artista autodidata cuja trajetória rompeu normas sociais e artísticas. Aos treze anos, foi forçada a se casar com um homem muito mais velho. Pouco depois, teve um filho e perdeu o marido. Trabalhando como empregada doméstica, conseguiu garantir ao filho uma educação formal, embora ela mesma tenha permanecido analfabeta. Começou a pintar nos anos 1960 após um sonho em que lhe eram oferecidos pincéis e tinta. Sua obra, associada à arte bruta e ao imaginário feminino, evoca memórias da infância no campo. Inicialmente rejeitada no circuito artístico marroquino, conquistou projeção internacional com exposições no Musée d’Art Moderne de Paris e na Bienal de Veneza (1980).