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6 set 2025–11 jan 2026
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Berenice Olmedo

Berenice Olmedo

Marissa Del Toro
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios

 

“Deficiência não se limita aos fenômenos do corpo; a deficiência é política”. É assim que Berenice Olmedo se posiciona, enquanto “corpo com capacidade”, quando questionada por Jane Ursula Harris no artigo “Berenice Olmedo: The Myth of Autonomy” [Berenice Olmedo: o mito da autonomia], publicado na revista Flash em 2022. Olmedo é uma artista, pesquisadora e contadora de histórias cuja prática questiona as estruturas de normatividade, capacitismo, classe e objetificação como imposições de poder e hierarquia. Seu trabalho foca na deficiência, nas diferenças e na alteridade como métodos para dar visibilidade aos marginalizados e confrontar o apagamento das existências crip. Através de publicações, esculturas, objetos cinéticos e instalações, ela explora a deficiência como antropogênese, as estruturas políticas e sociais de homogeneização e as desigualdades da biopolítica. Suas obras expõem com crueza os medos e aversões sociais às diferenças, investigando o uso da tecnologia como mediação do corpo.

Como voluntária no CRIT (Centro de Reabilitação e Inclusão Infantil Teletón), espaço dedicado a crianças com deficiências neuromusculares, a artista está em sintonia com as vivências, saberes e perspectivas de pessoas com deficiência. Utilizando materiais médicos, órteses e próteses, coletadas em oficinas ortopédicas ou adquiridas no mercado de pulgas do bairro de Iztapalapa, na Cidade do México, Olmedo transforma esses objetos utilitários em esculturas. Nesse processo, pratica a narrativa como ativismo, o que a acadêmica queer e mad racializada Shayda Kafai descreveu em Crip Kinship [Afinidade Crip] como histórias difíceis de digerir e gestos ativistas de recordação. Essa dimensão de memória e celebração é evidente no título de suas obras, especialmente na série Anthroprosthetic [Antroprótese] (2018), na qual os objetos e acessórios, como sapatilhas de balé, recebem o nome dos pacientes infantis que os usaram. Assim, Olmedo honra corpos crip e amplia noções de existência impossíveis de subsistir dentro de uma estrutura capitalista de produtividade ou utilidade.

Em entrevistas e textos, Olmedo afirma que “o humano é inteiramente protético” e provoca o público a refletir sobre como habitar e pensar uma existência não normativa. Para sua exposição Eccéite [Hecceidade] (2022), ela escreveu que essa existência dissidente, também conhecida como existência crip, “cria possibilidades que nos permitem pensar em nós [seres humanos] mais como seres viventes do que como humanos”. Se conseguirmos mudar nossa perspectiva para a de seres viventes em sintonia com existências crip, podemos vislumbrar modos radicais de existir que florescem e resistem para além das estruturas capitalistas de normatividade e capacitismo.

Marissa Del Toro
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios
Esculturas transparentes de formas orgânicas com detalhes em branco suspensas do teto, com escultura de metal no chão
Vista de Pnoê, de Berenice Olmedo, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Esculturas transparentes de formas orgânicas com detalhes em branco suspensas do teto, com escultura de metal no chão
Vista de Pnoê, de Berenice Olmedo, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Esculturas transparentes de formas orgânicas com detalhes em branco suspensas do teto, com escultura de metal no chão
Detalhe de Pnoê, de Berenice Olmedo, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Esculturas transparentes de formas orgânicas com detalhes em branco suspensas do teto, com escultura de metal no chão
Vista de Pnoê, de Berenice Olmedo, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

Berenice Olmedo (Oaxaca, 1987. Vive na Cidade do México) é conhecida por suas esculturas e objetos cinéticos que integram próteses, órteses e materiais oriundos do campo médico. Suas obras questionam a ideia de completude do corpo humano e abordam as dimensões políticas da deficiência, da doença e do cuidado. Ao reutilizar formas e dispositivos técnicos, propõe uma reflexão sobre os limites entre o corpo, a tecnologia e a normatividade. Suas obras foram apresentadas em instituições como Kunsthalle Basel, ICA Boston, Museo Tamayo e MUCA (Cidade do México), CAPC Bordeaux, MMK Frankfurt, Dortmunder Kunstverein, Boros Collection (Berlim), TEA Tenerife, Eres Foundation (Munique), Bemis Center (Omaha) e Krannert Art Museum (Chicago), entre outras.

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