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6 set 2025–11 jan 2026
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Alberto Pitta

Alberto Pitta

Hanayrá Negreiros

 

Alberto Pitta desenvolve há mais de quatro décadas uma produção visual que transita entre os saberes e fazeres de culturas afro-brasileiras, a espiritualidade e a experimentação gráfica. O tecido, suporte primordial em sua obra, apresenta-se como uma plataforma de educação não hegemônica, criando conexões entre arte, história e experiência coletiva. Essa relação se inscreve em sua trajetória como um legado familiar. Filho de Mãe Santinha de Oyá – fundadora do Ilê Axé Oyá, no bairro de Pirajá, em Salvador, além de líder espiritual, educadora e bordadeira –, Pitta cresceu entre as práticas do candomblé, existencialmente artísticas.

Desde os anos 1980, sua atuação consolidou uma linguagem visual própria no Carnaval negro baiano, sublinhada pela criação de estampas e figurinos para blocos como Ilê Aiyê (Band’Aiyê), Olodum, Filhos de Gandhy, Oba Laiyê e o Afoxé Filhos do Congo. Em 1998, fundou o Cortejo Afro, expandindo sua pesquisa estética e reafirmando o têxtil como elemento central de sua prática artística. Um de seus traços mais característicos é o uso do branco sobre branco, embora o entrelaçamento de diversas cores e a sobreposição de camadas e padrões também se façam presentes em suas criações, produzindo ritmos visuais que evocam narrativas em uma esfera comunitária e simbólica.

Para além do Carnaval, sua produção borra os limites do design têxtil, fortalecido pelo método de estamparia por serigrafia, dialogando com o campo da arte contemporânea e desdobrando-se entre a pintura e as experimentações escultóricas. Com uma múltipla presença internacional, sua obra circula por diversas instituições de arte, estabelecendo conexões que ultrapassam fronteiras geográficas e conceituais. Seus tecidos, que transitam entre o rito e a arte da memória, fazem parte de um repertório visual que pode ser compreendido como afro-atlântico, no qual padrões, símbolos e gestos mantêm diálogos entre Brasis, Áfricas e suas diásporas.

Parte de um processo de trabalho que se dá no fazer compartilhado, em que a trama do tecido se entrelaça com a da comunidade que o veste, seja no ateliê do artista – espelhado no Pavilhão Ciccillo Matarazzo da 36a Bienal de São Paulo –, nos blocos afro pelas ruas de Salvador ou nas galerias, os tecidos e as histórias de Pitta seguem narrando – vivos, em movimento, vestindo corpos e atravessando tempos.

Hanayrá Negreiros
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Vista de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Vista de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Vista de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Uma sala com vários panos estampados em diversas cores pendurados do teto e na parede à esquerda. Ao fundo da imagem, um manequim vestido de branco com um guarda sol da mesma cor, e alguns objetos coloridos ao lado. À direita, uma estrutura branca de madeira que remete a um barco, também com um guarda sol. Na parede da direita, quatro quadros brancos.
Detalhe de O ateliê do artista na Bahia, de Alberto Pitta, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Vista de obras de Alberto Pitta na itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu de Arte Contemporânea de Goiás, em Goiânia © Paulo Rezende / Fundação Bienal de São Paulo
Três painéis têxteis coloridos e estampados estão pendurados verticalmente em uma parede azul vibrante. O painel central apresenta motivos circulares repetidos em laranja, amarelo, verde e vermelho, com formas de peixes e figuras abstratas brancas sobre um fundo branco. Os painéis laterais exibem diferentes padrões geométricos e em forma de crista nas cores vermelho, amarelo e azul.
Vista de obras de Alberto Pitta durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile © Daniel Barahona. Cortesia: Centro Cultural La Moneda
Em uma galeria, diversos painéis têxteis grandes e coloridos estão pendurados verticalmente em uma parede azul vibrante. Os painéis apresentam vários padrões repetidos, incluindo formas geométricas, motivos de frutas e texto, em tons vibrantes de amarelo, azul, vermelho, laranja e verde.
Vista de obras de Alberto Pitta durante a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile © Daniel Barahona. Cortesia: Centro Cultural La Moneda

Alberto Pitta (Salvador, 1961. Vive em Salvador) iniciou sua produção na década de 1980 e tem a estamparia têxtil e a serigrafia no centro de sua obra. Recentemente, vem se dedicando também à pintura e a trabalhos escultóricos. Sua produção está profundamente ligada às festividades populares e tem forte dimensão pública, uma vez que Pitta é autor de estamparias icônicas presentes em blocos afro do carnaval baiano como Olodum, Filhos de Gandhy e o seu próprio, o Cortejo Afro. Suas criações apresentam elementos que evocam a tradição africana e afro-diaspórica, especialmente aqueles relacionados à mitologia iorubá, fortemente presente em Salvador e no Recôncavo Baiano. Realizou exposições individuais no Museu de Arte Moderna da Bahia (Salvador) e no Museu da Imagem e do Som (São Paulo).

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