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6 set 2025–11 jan 2026
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Adama Delphine Fawundu

Adama Delphine Fawundu

Ariana Nuala
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios

 

A obra de Adama Delphine Fawundu é movida pela vibração das continuidades. Seu gesto não parte de um ponto fixo, mas de um rastro que insiste em atravessar. Corpo, terra e som não se separam; transitam em reciprocidade. A artista se inscreve nessa corrente, tratando o legado como campo de forças; não como arquivo estático, mas como gramática de trajetórias. Na 36a Bienal de São Paulo, ela apresenta uma instalação imersiva que entrelaça vídeo, ritmo e materiais têxteis, criando um território circular onde o tempo não é fixo, mas se desenrola em espiral dentro de um tecido que pulsa em constante transformação.

Fawundu opera a partir do lukasa e do dikenga, dispositivos simbólicos dos povos Luba e Kongo. O lukasa, sofisticado suporte de memória, não apenas preserva histórias, mas as reativa por meio de suas texturas e relevos. O dikenga, cosmograma bakongo, expressa a ciclicidade da existência, em que matéria e fluxo não seguem a linearidade ocidental, mas se dobram e se desdobram. Como nos lembra Beatriz Nascimento, a permanência dos mundos negros se marca pela invenção de novas territorialidades, lugares onde a experiência é um horizonte em contínua recomposição.

Suas colagens têxteis, meditações sobre passado, presente e futuro, são construídas com materiais manuseados por comunidades no Congo, Brasil, Nigéria e em sua terra ancestral, Serra Leoa. Seu processo criativo se desdobra no engajamento profundo com arquivos que honram inteligências indígenas e histórias de resistência. Ao transitar entre águas e terras, ela recolhe materiais, cada um carregando sua própria história. Vestígios dessa jornada – sachês de água potável, fragmentos de conversa, conchas e ervas medicinais – são tecidos como testemunhos encarnados de troca, transformados em marcas de evocação e atos de fabricação.

Na Bienal, a artista convida o público a adentrar um espaço meditativo, onde se desdobram camadas de narrativas têxteis e registros audiovisuais. Fawundu colabora com comunidades quilombolas e artistas locais para explorar os modos sutis como os sistemas Luba, Kongo e Iorubá persistem na Bahia. Essas retenções ancestrais se expressam através da incorporação gestual em seus trabalhos em vídeo, revelando camadas de memória cultural e continuidade espiritual. Sua participação na Bienal é um chamado para sintonizar ritmos ancestrais e cósmicos: uma coreografia de forças na qual terra, pulso e trajetória vibram em harmonia.

Ariana Nuala
Traduzido do inglês por Sylvia Monasterios
Ao centro da imagem, uma estrutura cilíndrica alta, composta por diversas tiras verticais formadas por retalhos de tecido e pedaços de plástico, com uma abertura na parte da frente e diversos cascalhos espalhados no chão, próximos às tiras. Na parte superior, uma cortina azul que cobre toda circunferência da estrutura. Dentro do cilindro há duas televisões ligadas apoiadas no chão, com as telas apontadas para cima. As cores predominantes são azul e branco. A obra está disposta ao lado de uma grande cortina laranja, instalada em formato de onda.
Vista de Vibrations from the deep
May the hands of the miners roar
let’s chant, vamos cantar, tika toyemba:
Floresta é vida,
O gigante acordou,
May the yams in the farm grow well.
Olokun has no rival.
Aṣẹ. Axé O!
, de Adama Dalphine Fawundu, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Ao centro da imagem, uma estrutura cilíndrica alta, composta por diversas tiras verticais formadas por retalhos de tecido e pedaços de plástico, com uma abertura na parte da frente e diversos cascalhos espalhados no chão, próximos às tiras. Na parte superior, uma cortina azul que cobre toda circunferência da estrutura. Dentro do cilindro há duas televisões ligadas apoiadas no chão, com as telas apontadas para cima. As cores predominantes são azul e branco. A obra está disposta ao lado de uma grande cortina laranja, instalada em formato de onda.
Vista de Vibrations from the deep
May the hands of the miners roar
let’s chant, vamos cantar, tika toyemba:
Floresta é vida,
O gigante acordou,
May the yams in the farm grow well.
Olokun has no rival.
Aṣẹ. Axé O!
, de Adama Dalphine Fawundu, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Ao centro da imagem, uma estrutura cilíndrica alta, composta por diversas tiras verticais formadas por retalhos de tecido e pedaços de plástico, com uma abertura na parte da frente e diversos cascalhos espalhados no chão, próximos às tiras. Na parte superior, uma cortina azul que cobre toda circunferência da estrutura. Dentro do cilindro há duas televisões ligadas apoiadas no chão, com as telas apontadas para cima. As cores predominantes são azul e branco. A obra está disposta ao lado de uma grande cortina laranja, instalada em formato de onda.
Vista de Vibrations from the deep
May the hands of the miners roar
let’s chant, vamos cantar, tika toyemba:
Floresta é vida,
O gigante acordou,
May the yams in the farm grow well.
Olokun has no rival.
Aṣẹ. Axé O!
, de Adama Dalphine Fawundu, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo
Ao centro da imagem, uma estrutura cilíndrica alta, composta por diversas tiras verticais formadas por retalhos de tecido e pedaços de plástico, com uma abertura na parte da frente e diversos cascalhos espalhados no chão, próximos às tiras. Na parte superior, uma cortina azul que cobre toda circunferência da estrutura. Dentro do cilindro há duas televisões ligadas apoiadas no chão, com as telas apontadas para cima. As cores predominantes são azul e branco. A obra está disposta ao lado de uma grande cortina laranja, instalada em formato de onda.
Vista de Vibrations from the deep
May the hands of the miners roar
let’s chant, vamos cantar, tika toyemba:
Floresta é vida,
O gigante acordou,
May the yams in the farm grow well.
Olokun has no rival.
Aṣẹ. Axé O!
, de Adama Dalphine Fawundu, durante a 36ª Bienal de São Paulo © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

Adama Delphine Fawundu (Nova York, 1971. Vive em Nova York) é artista interdisciplinar. Sua linguagem visual é centrada em temas como indigenização e memória ancestral. Participou de exposições nos EUA e internacionais, tendo uma obra comissionada para o 100 Years | 100 Women Project no Lincoln Center for the Performing Arts (Nova York). Seu trabalho integra coleções de instituições como Brooklyn Museum of Art e Brooklyn Historical Society (Nova York), Princeton University Museum (EUA), Norton Museum of Art (West Palm Beach, EUA) e Petrucci Family Foundation of African American Art (Asbury, EUA), entre outras, além de coleções particulares. Atua como professora assistente de artes visuais na Columbia University.

Esta participação tem apoio do Instituto Sacatar.